(Cybernatural, EUA/RUS, 2015)

Terror
Direção: Levan Gabriadze
Elenco: Shelley Hennig, Moses Storm, Heather Sossaman, Courtney Halverson, Will Peltz, Renee Olstead, Jacob Wysocki
Roteiro: Nelson Greaves
Duração: 83 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Uma coisa interessante no cinema é que, com o tempo, assistimos a várias maneiras de se contar a mesma história. Amizade Desfeita, que tinha um nome muito mais interessante no projeto original: Cybernatural, conta aquela mesma história de vingança sobrenatural contra colegas de escola que já vimos algumas vezes. Mas ao adotar uma linguagem e uma estética diferentes, acaba surpreendendo o público.

O que se vê na tela é uma réplica da tela de um computador. Várias janelas abertas e um vídeo do youtube que mostra o suicídio de uma menina, a adolescente Laura Barns. Depois de sofrer com um cyberbullying, com um vídeo também visto por nós, a menina se mata.

Nesse mesmo computador, vemos um chat no skype com amigos de Laura e a presença estranha de um desconhecido entre eles. Além de algumas abordagens estranhas.

Por repetir vários movimentos que estamos acostumados a ver no nosso dia a dia, com a passagem de janela em janela, as pesquisas rápidas, uma passagem pela playlist e outras ações do gênero, Levan Gabriadze (Vykrutasy) consegue romper o estranhamento causado pelo que se vê na tela e cria uma estranha relação de acomodação em sua plateia, que acompanha o prompter, como se estivesse ela mesmo atrás do teclado.

É essa sensação que diferencia o filme, já que não há nada de novo na história contada. O bom e velho aqui se faz, aqui se paga de outros filmes do gênero está lá e todos sabem o que esperar, é a perspectiva que dá graça à brincadeira de Gabriadze e seu roteirista Nelson Greaves.

Com um elenco juvenil por vezes mais exagerado do que precisava ser, outra coisa comum nesse tipo de filme, e com algumas passagens toscas que sobrevivem graças à perda de conexão da internet ou aos compartilhamentos nas redes sociais, o filme prende a atenção do espectador.

Além do que se vê, e da familiaridade com o ambiente, o diretor russo também sabe como se aproveitar de elementos externos para aumentar o suspense, como sons ambientes e ruídos. Isso fica muito claro, por exemplo, no momento em que entram em contato com Val e a imagem diz uma coisa, mas o que se escuta é outra.

Não deixa de ser mais do mesmo, mas também não deixa de ser um produto curioso que encontra, nesse novo modo de passar muito tempo da vida, um meio para contar a sua história. Claro que muitas discussões sobre a validade artística do filme, ou sua classificação como cinema vão surgir por aí, mas não é possível desconsiderar toda uma preocupação com a criação do clima através do audiovisual.

É, no mínimo, divertido.

Um Grande Momento:
No quarto de Ken.

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