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Está tão difícil ir ao cinema hoje em dia. Aquela experiência deliciosa de sentar na cadeira e entrar na história que está sendo contada nas telas está praticamente impossível. Tudo porque uma grande parte das pessoas que estão ali na sala com você não sabem mais se comportar em público. Parece que a educação está cada vez mais virando artigo raro, bem em falta por aí.

Foi pensando nisso que o Cenas de Cinema resolveu criar uma campanha nas redes sociais. A #ameocinema vai tentar trazer dicas básicas de comportamento no cinema. Talvez lendo, relendo e percebendo que certas atitudes não são tão legais assim, as pessoas comecem a se conscientizar e a respeitar o trabalho daqueles que fizeram o filme, aquele monte de desconhecidos que está a seu lado e até mesmo o próprio dinheiro.

Feita para aqueles que amam o cinema e não conseguem mais se divertir nas salas de exibição, a campanha é na verdade de todos. Pode pegar a hashtag e dar suas próprias dicas. A ideia é que quanto mais gente participar, mais positivo pode ser o resultado. Contamos com vocês!

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Blá blá blá

Conversa vai, conversa vem; comentários sobre os filmes; brigas de casais e assuntos aleatórios dominam no cinema. Atrapalham tanto quem quer ver o filme, quanto quem resolveu que ali é um local de bate-papo. Para que pagar uma forturna se você vai ficar conversando sem prestar atenção no que está na tela e ainda atrapalha uma galera? Não seria melhor um restaurante legal, um barzinho ou qualquer outro lugar? Assim, as explosões, longas discussões ou beijos de amor não atrapalhariam a conversa.

Mas quem acha que a conversa paralela é a coisa mais complicada dentro de um cinema, está muito enganado. Ou ultrapassado. A falta de noção das pessoas de que aquele local é público e não a sala de casa não afeta apenas a boca dos mal educados. Em época de smartphones e tablets a coisa fica muito mais grave.

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Espectadores fotógrafos

Os exemplos são os mais bizarros e absurdos. Lembro de uma sessão ao ar livre de O Poderoso Chefão. Cópia restaurada, linda de morrer, e um friozinho gostoso no Jóquei de São Paulo. No meio do filme, um casal próximo resolve tirar seu iPad e começar a brincar de Instagram. Alguém reclamou. A resposta: “mas aqui é ao ar livre”. O filme na tela era irrelevante. A multidão de pessoas no lugar também.

E teve aquele cara que tirou a sua EOS de dentro da bolsa e filmou todo o filme Faroeste Caboclo ou, no mesmo filme, a menina que estava empolgadíssima com aquele Samsung maior de todos tirando fotos da tela. Teve também aquele cara, no meio da sessão de gala do filme Gata Velha Ainda Mia, estrelado por Regina Duarte, que achou que as muitas fotos que tirava com seu iPad das cenas não estavam atrapalhando ninguém.

Ou o pessoal que resolve ficar fotografando e nem sequer se digna a tirar o falso som de obturador do celular na hora de tirar fotos. Já vi isso em tantas sessões que não dá nem para citar um filme específico.

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Hiperconectados

Além da função foto, o smartphone tem muitas outras funcionalidades, como todo mundo sabe. Se uma pessoa tem que conferir o seu status do Facebook a cada minuto, ela já está tão habituada a isso que não vai deixar de fazer isso dentro da sala de cinema. Tudo escuro e aquela luzinha ali na frente incomodando todo mundo, mas não dá para perder a última foto de comida que a amiga postou no Instagram ou não conferir o último check-in no Foursquare daquele colega de trabalho que você acha interessante.

Isso sem falar no Whatsapp e seus muitos grupos de conversa. É um tal de tenho que ver o que estão falando, tenho que responder. Não, gente, não tem. A conversa ainda vai estar ali na hora que o filme acabar e nada vai ser tão urgente assim.

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Mas as funcionalidades não param por aí. Outro dia, ainda no circuito dos festivais, estava em uma sessão de Computer Chess, um filme feito por nerds para nerds. A figura sentada ao meu lado, claramente não estava gostando. Ao invés de sair da sala, ele resolveu passar o tempo conferindo a programação do festival. Mas como no escuro? Usando a lanterna do celular. Atenção, não era a luz da tela, era uma luz muito mais forte. Reclamei e ele apagou o holofote, mas não voltou ao filme, foi jogar algum joguinho que tinha instalado no aparelho. Qual seria a lógica?

Voltando à função lanterna, teve uma outra menina que estava anotando tudo sobre o filme Cães Errantes. Provavelmente tenha um blog de cinema e escreva críticas, não sei. Um filme super denso, puxadíssimo, e ela lá com o caderninho pautado. A técnica para escrever nas linhas? Acender a tela a cada anotação.

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Alô?

Ai, gente, atender o telefone no meio da sessão é tão feio que, de verdade, dá vergonha até de lembrar que acontece. Eu daria a dica para desligar o telefone durante a sessão, mas se não pode de jeito nenhum e o bicho começa a tremer insistentemente, sai da sala, né?

Bom frisar esse tremer da frase anterior. Celular que toca alto no meio da sessão também é um horror. A não ser que seja por esquecimento, nada justifica aquela pessoa que acha que pode deixar assim porque não vai ouvir o toque durante o filme.

Há pouco tempo atrás, um ano mais ou menos, presenciei uma das brigas mais surreais que já vi no cinema. A mulher levou os dois filhos adolescentes para assistir a Argo. Na cena mais tensa do filme, o telefone começa a tocar na maior altura. O filho, coitado, já se encolheu na cadeira. Imagino que tenha querido morrer na hora que a mãe atendeu. Para superar o som do filme ela berrava. Todo mundo virou para ela e ela nem aí, continuou a conversa como se estivesse em uma cabine telefônica. A menina da frente virou e falou que a dona estava atrapalhando o filme. A mulher deu um berro: “estou no telefone, não tá vendo?” e passou o final do filme todinho provocando a menina. Surreal.

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Teve também o cara que atendeu o telefone no meio de Incontrolável e depois de muitos gritos resolveu avisar para a sala toda: “sou médico e tenho que atender”. “Atende lá fora!”, recebeu de volta e resolveu tirar satisfações com o cara que tinha gritado. Os funcionários do cinema acabaram evitando a briga corporal porque chegaram antes dela começar. Já tinham sido chamados porque o cara não desligava o aparelho.

São tantas situações absurdas no cinema, que eu poderia escrever um tratado comentando todas aquelas que eu já presenciei e fiquei sabendo pelos amigos cinéfilos. Cadê aquela noção básica de que o direito de um acaba quando começa o do outro?

Isso tem que mudar. Vamos participar e difundir a ideia!

#ameocinema