(Alô, Alô Terezinha, BRA, 2009)

“Roda, roda, roda e avisa que o minuto é de comercial…”

Impossível falar de TV brasileira e não se lembrar de um dos maiores comunicadores da história. Abelardo Barbosa, o Chacrinha ou Velho Guerreiro, foi um marco na nossa televisão e na cultura pop do país. O documentário Alô Alô Terezinha – intitulado com um dos famosos bordões de Chacrinha – é uma homenagem à sua figura e, mais além, a todos aqueles que fizeram parte do mundo construído por ele.

São imagens de arquivo, com programas exibidos pelos canais Tupi e Globo, e depoimentos de artistas, chacretes e calouros que juntos despertam a saudade naqueles que viam o programa e a curiosidade nos que não tiveram essa sorte.

Por ser um marco da cultura pop nacional, pensar em Chacrinha é pensar em todo o mundo que ele criou em volta dele. Enquanto distribuia bacalhau, mandioca e o sutiã da Fafá de Belém para a platéia frenética; dava força a novos e tímidos artistas; fazia o papel de pai cuidador das suas dançarinas e, o principal, divertia quem de alguma forma participasse do processo.

Seguindo uma estrutura clássica de documentários, o filme intercala números músicais de antigamente com imagens atuais dos cantores executando as mesmas canções, entre eles Alcione, Fábio Júnior, Elba Ramalho, Ney Latorraca, Agnaldo Timóteo.

Os depoimentos dos calouros, ainda que alguns durem muito, também são muito interessantes e variam entre a emoção e a indignação (“eu sou muito melhor que o Roberto Carlos”), além de trazer de volta tipos curiosos e dos quais, por incrível que pareça, as pessoas ainda se lembram. As chacretes também são uma atração à parte e ao expor a vida que levam hoje em dia, sem o glamour dos velhos tempos, mas com a mesma força de sempre, conquistam o público.

É justamente nesta imagem do hoje que o filme ganha toda a sua força e por isso mesmo é muito mais do que a história do Velho Guerreiro. É a história de cada uma das pessoas que, junto com Chacrinha, criaram um mundo e, ainda que ele tenha acabado, hoje faz parte não só da lembrança de cada um deles, mas de milhares de pessoas que o acompanhavam de longe.

Emocionante, saudoso e fundamental para que se conheça um pouco mais sobre a cultura de massa do Brasil. Indicado para quem era audiência e para quem não teve tempo de ser.

E respondendo a várias perguntas: sim! A passagem de Biafra sendo atropelado por um parapaint em Niterói, hit do YouTube antes do lançamento do filme, está lá, na íntegra.

Um Grande Momento

O depoimento do Russo.

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Documentário
Direção: Nelson Hoineff
Roteiro: Nelson Hoineff
Duração: 90 min.
Minha nota: 7/10