Adeus, Minha Rainha

(Les adieux à la reine, FRA/ESP, 2012)

Drama
Direção: Benoît Jacquot
Elenco: Léa Seydoux, Diane Kruger, Virginie Ledoyen, Noémie Lvovsky, Xavier Beauvois, Michel Robin, Julie-Marie Parmentier, Anne Benoît,
Roteiro: Chantal Thomas (romance), Gilles Taurand, Benoît Jacquot
Duração: 100 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

A história da tomada da Bastilha e da revolução francesa já é conhecida por todos. Ela já passou pelo cinema demonstrando tanto o ponto de vista dos revoltosos quanto o da monarquia, poder imperante até então. Adeus, Minha Rainha volta aqueles acontecimentos, mas não vem contar a história sob a ótica daqueles que estavam prestes a perder a cabeça e nem daqueles que tomavam o poder. Acompanhamos o cotidiano daqueles que estavam à margem dos acontecimentos, os empregados de Versailles, mais precisamente, da leitora da rainha.

Sidonie Laborde é uma serva dedicada que, apesar de não gostar totalmente de seu trabalho, nutre uma devoção exagerada pela rainha Maria Antonieta. Indignando-se com o que se comenta na corte sobre um possível envolvimento entre a monarca e a Duquesa de Polignac, fechando os olhos para seus abusos e preocupando-se quando a multidão de revoltosos começa os ataques com a tomada da Bastilha. Pouco sabemos sobre essa figura retraída, mas acompanhamos toda a sua angústia em passeios curiosos pelos corredores do palácio.

Ainda que parta de uma premissa interessantíssima e conte com uma atuação inspirada de Léa Seydoux (A Bela Junie) como a carismática Sidonie, o filme tropeça tanto em pequenos defeitos que não consegue chegar onde gostaria.

Há uma inadequação na aposta de Benoît Jacquot (Escola da Carne) em cortes secos e nada sutis, o que não seria problema se a ação fosse frenética ou obscura desde os primeiros momentos, mas a introdução, quando somos apresentados aos personagens, não combina absolutamente com a escolha. A montagem vaga também se complica com uma profusão de personagens que não conseguem se diferenciar na trama.

Outro grave problema é a escolha de Diane Kruger (Bastardos Inglórios) para viver a rainha Maria Antonieta. Insegura e apagada demais, ela não consegue dar conta da personalidade desta figura histórica, mesmo quando o que se quer retratar é a sua face mais terna e apaixonada.

Mas nem tudo são problemas no filme. Em seu desfecho o filme consegue atrair a atenção dos espectadores. No mais, a fotografia de Romain Winding (Boda Branca), recheada de jogos de luzes, é interessante, assim como a reconstituição de época com desenho de produção de Katia Wyszkop (Potiche – Esposa Troféu) e figurinos de Christian Gasc (A Viúva de Sain-Pierre). O mesmo pode ser dito da música de Bruno Coulais (A Voz do Coração), talvez a melhor coisa do filme.

Uma pena que uma história tão promissora e com tantas possibilidades de trazer discussões sobre a crença cega em alguém ou reflexões sobre a invisibilidade das pessoas não tenha sido aproveitada. A barreira criada com pequenos erros entre o público e o que está sendo projetado na tela impossibilita qualquer aprofundamento e o que fica do filme é apenas um retrato de um acontecimento histórico, ou seja, muito menos do que deveria.

Um Grande Momento:
A última ordem.

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