(La vie d’une autre, FRA/BEL/LUX, 2012)

Comédia
Direção: Sylvie Testud
Elenco: Juliette Binoche, Mathieu Kassovitz, Aure Atika, Danièle Lebrun, Vernon Dobtcheff, Didier Raymond
Roteiro: Frederique Deghelt (romance), Claire Lemaréchal, Sylvie Testud
Duração: 97 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Qual seria sua reação caso acordasse hoje e percebesse que mais de uma década da sua vida se passou e você não se lembra de absolutamente nada deste período? Aliás, acordar ainda achando que é uma jovem cheia de sonhos e com os melhores anos da sua vida pela frente? Talvez a sua surpresa seja a mesma de Marie (Juliette Binoche) ao levantar no dia do seu aniversário, já sem os cabelos longos que ostentava anos antes, numa belíssima casa com uma vista mais bela ainda para a Torre Eiffel e um filho na cozinha sentado à sua espera.

A Vida de Outra Mulher, primeiro longa da atriz francesa Sylvie Testud, é daqueles filmes onde o protagonista perde a memória e acorda em meio a uma vida que ele não faz ideia de como foi construída. Subtrair passagens importantes da vida dos personagens e consequentemente mexer com a questão do tempo é um argumento que continua sendo bastante explorado no cinema. Esta película francesa se assemelha a filmes como Para Sempre e Como Se Fosse a Primeira Vez por apresentar a perda de memória e a reconquista do amor.

Porém, uma das coisas que a difere dos outros dois é que desta vez o papel de conquistador fica a cargo daquele que perdeu a memória e não de quem as carrega bem vivas. Isto faz toda a diferença na trama. As únicas coisas que Marie Speranski sabe a princípio sobre ela, e a audiência também, é que era uma jovem cheia de vida, na iminência de conseguir um emprego de prestígio e que havia acabado de se apaixonar por Paul (Mathieu kassovitz, o Nino Quincampoix de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain).

Eis que ao acordar, os melhores momentos da sua vida já aconteceram e o presente não é dos melhores. Marie vai descobrindo aos poucos que se transformou numa executiva de destaque, é quase uma celebridade do mundo dos negócios, o que talvez a tenha levado a se transformar numa mulher distante da família e consequentemente ao divórcio que está enfrentando. E o “talvez” neste filme é um dos trunfos da produção. Por não ser narrado em flashback, tudo fica sugestionado, enriquecendo a história ao dar ao espectador a chance de imaginar as situações ocorridas neste espaço de tempo.

Se ela não esteve presente em diversas situações importantes, há pelo menos uma da qual se lembra bem: a de quando se apaixonou por Paul. É carregando este sentimento que não se apagou junto com a memória que esta nova/velha Marie embarca na jornada de reconquistar o homem que ama. Só que do outro lado há alguém que traz consigo outras lembranças. O dilema consiste em saber se ele vai ou não passar a borracha no passado. É este o caminho que o filme segue a partir daí.

Juliette Binoche nos brinda com sua versatilidade e consegue ser absoluta tanto nas diversas cenas cômicas quanto nas dramáticas. Acontece uma ligação instantânea entre ela e o público, uma parte pelo talento inquestionável da atriz, o restante por mérito do roteiro. Com roteiro assinado também por Testud em conjunto com Claire Lemaréchal e baseado no romance de mesmo nome do autor Fredrique Deghelt, o filme é sobre redescoberta. A estrada para reconquistar o marido passa antes pela descoberta se ela é esta ou a tal outra mulher do título do filme.

A Vida de Outra Mulher usa de forma leve e bem-humorada a história de Marie para nos mostrar através de um ângulo diferenciado as consequências das escolhas que fazemos na vida das quais “nem nos lembramos”.

Dois Grandes Momentos

O estacionamento e a cena final.

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