(The Theory of Everything, GBR, 2014)

Drama
Direção: James Marsh
Elenco: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Harry Lloyd, Alice Orr-Ewing, David Thewlis, Charlie Cox, Maxine Peake, Emily Watson
Roteiro: Jane Hawking (livro), Anthony McCarten
Duração: 123 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

A Teoria de Tudo é um filme burocrático. Muito bem cuidado, e com tudo no lugar, conta a história de uma das maiores mentes da física mundial, Stephen Hawking. A vida de um dos poucos que conseguiu tornar a física quântica mais próxima dos leigos é abordada através de sua longa e duradora relação romântica com Jane Hawking.

O problema é que nem todo o apuro com a forma do diretor James March (O Equilibrista) faz com que o longa-metragem torne-se envolvente. Há um distanciamento e um crescente desinteresse pouco comuns em filmes baseados em histórias reais, principalmente de figuras conhecidas. O fato de ser uma adaptação de um livro de memórias da própria Sra. Hawking deixa o resultado final ainda mais estranho.

Culpa da estrutura batida e de uma abordagem temática nada eficiente. É como se estivéssemos em uma sala bonita, bem arrumada, com a cor e distribuição de elementos ideias, e uma bela ambientação sonora, mas sentíssemos o tempo todo vontade de sair dali. A indefinição entre o foco pretendido, se o que se conta é uma história de amor ou uma história de superação individual, não ajuda.

A única coisa que faz com que fiquemos ali é a interpretação de Eddie Redmayne (Sete Dias com Marilyn). O trabalho corporal do ator britânico é, como precisava ser, impressionante. Stephen Hawking, apesar de algumas limitações de movimento nas mãos, viveu sem apresentar paralisias até a fase adulta, quando a degeneração começou a acontecer e chegou a o deixar com quase nenhum movimento.

Redmayne vai definhando com a doença, assim como aconteceu com Hawkings e, muito mais do que deixar a cabeça torta para um lado, torna crível a atrofia de todo o corpo. Mas não é só na limitação física que ele impressiona. Através do olhar e de contidas expressões faciais, Redmayne traz o seu Hawking para a tela e, diferente do filme, conquista o público. Cenas como a primeira vez em que tem contato com a tábua para soletrar, após perder a capacidade de falar, e a conversa antes da ida aos Estados Unidos são ótimos exemplos disto.

Mas nem sempre uma atuação é capaz de fazer um filme valer a pena, e esse é exatamente o caso de A Teoria de Tudo. Toda sua burocracia e talvez algum excesso na postura mais fria da terra da rainha fazem com que o filme seja um passatempo por muitas vezes aborrecido e que pouco vai durar na cabeça daqueles que optaram por ele.

Um Grande Momento:
A conversa sobre os EUA.

Logo-Oscar1Oscar 2015
Melhor Ator (Eddie Redmayne)

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