(The Ledge, EUA, 2011)

Drama
Direção: Matthew Chapman
Elenco: Charlie Hunnam, Terrence Howard, Liv Tyler, Patrick Wilson, Jaqueline Fleming, Christopher Gorham
Roteiro: Matthew Chapman
Duração: 101 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

A volta de Matthew Chapman à direção faz parecer que os mais de dez anos longe do posto simplesmente não tenham passado. E isso não é um elogio. Seu novo filme, A Tentação (mais uma estranha escolha de título brasileiro), não consegue, por nenhum momento, perder a aura de envelhecido, ultrapassado. Talvez pela equivocada escolha de tratar seu tema mais espinhoso, o fanatismo religioso, com superficialidade; talvez pelos diálogos demasiadamente explicativos ou até pela narrativa basicamente composta de flashbacks.

Depois de ser arremessado no filme em uma conversa médica, o público acompanha as histórias de um gerente de hotel que, não por escolha própria, está prestes a pular de um prédio e de um policial que tenta convencê-lo a descer de lá.

A consulta médica é do detetive Hollis Lucetti, que acabara de saber que sempre foi infértil, mas tem dois filhos com a esposa. No dia da descoberta, ele é chamado para tentar demover um possível suicida da ideia de saltar do topo de um edifício. Este é Gavin Nichols, um homem bem resolvido profissionalmente que se envolve com a vizinha casada com um fanático religioso.

Não existe qualquer equilíbrio entre os dois núcleos e, no final das contas, o envolvimento com o problema de Hollis é praticamente nulo. O mesmo não pode ser dito da relação entre Gavin e o casal de vizinhos. São muitos embates filosóficos entre o ateu Gavin e do crente Joe. Posturas ortodoxas chocantes deste contrastam com a posição raivosa daquele, mas a escolha por diálogos pouco naturais acaba e alguma falta de coragem na abordagem não permitem o aprofundamento em um tema que poderia render algo muito maior e mais importante.

Esse excesso de palavras, sempre problemático no cinema, ainda tem a companhia de um suspense frágil, que tenta se construir através de voltas ao passado, mas desde o começo já está comprometido pela determinação de um horário, literalmente falando. Como nos antigos seriados de TV, o momento de decisão tem um prazo estipulado e todo mundo sabe que até lá nada acontecerá, enfraquecendo o que está sendo contado.

Entre tantos problemas, porém, as interpretações são inspiradas. Patrick Wilson (Pecados Íntimos) constrói bem o fanático psicopata e é o responsável pelos sentimentos mais intensos na tela, mesmo em cenas mais silenciosas como quando escuta por trás da porta no corredor.

A música de Nathan Barr, famoso por suas trilhas de terror como em O Albergue, Imagens do Além e O Último Exorcismo, também é um dos acertos do filme. Principalmente pela recepção melancólica que dá ao público ainda nos créditos iniciais.

Com um tema interessantíssimo e um suspense potencialmente intrigante, o que fica de A Tentação no final da projeção é o sentimento de desperdício. Seria tão melhor e tão mais marcante se as escolhas fossem outras.

Um Grande Momento

Explicando o método de conquista.

A Tentação

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