(La suerte en tus manos, ARG/ESP, 2012)

Comédia
Direção: Daniel Burman
Elenco: Jorge Drexler, Valeria Bertuccelli, Norma Aleandro, Luis Brandoni, Paloma Alvarez, Olivier Ubertalli, Salo Pasik, Fernando Diego Barletta
Roteiro: Daniel Burman, Sergio Dubcovsky
Duração: 110 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

O nome de Jorge Drexler ganhou projeção mundial quando o músico foi premiado com o Oscar de Canção Original, em 2005, por “Al otro lado del río”, música que faz parte da trilha sonora de Diários de Motocicleta. Desta vez, a investida do cantor uruguaio no cinema é como protagonista do mais novo filme do diretor Daniel Burman, a boa comédia romântica A Sorte em Suas Mãos.

Dono de uma financeira, Uriel é um homem divorciado, pai de dois filhos, que leva uma vida confortável aproveitando-se do fato de ser solteiro. É viciado em pôquer e tem o hábito de mentir. Durante uma viagem ao interior para fazer uma vasectomia e jogar cartas, ele reencontra Glória, um antigo caso que voltou de Paris após a morte do pai. Diferentemente de Uriel, Glória busca um relacionamento sério. O retorno dela vai influenciá-lo numa mudança de comportamento.

Apesar de partir de uma premissa já batida, A Sorte em Suas Mãos é um filme que não decepciona. A história é leve, não apela para situações românticas idealizadas – prática presente em diversas comédias deste tipo – e retrata os encontros e desencontros entre Uriel e Glória de uma forma mais real, trivial, sem perder de vista o clima de encantamento que acompanha o casal por todo o filme. Isso acaba gerando uma identificação no espectador que, mesmo deduzindo o que vai acontecer em todas as situações, se deixa envolver pela trama.

Uma das coisas interessantes do filme é a metáfora entre a vida de Uriel e o jogo de pôquer. Blefes e mentiras são os artifícios usados por ele para conseguir o que quer na vida, tanto na pessoal quanto na profissional. Nesta construção, o roteiro não deixa a desejar. Porém, mesmo estando clara a opção por uma trama simples, sem maiores complicações, o que falta ao filme é um melhor desenvolvimento dos personagens e das histórias secundárias. Muitas coisas carecem de melhores amarrações.

Apesar de limitada ao papel de par romântico do protagonista, Valeria Bertuccelli tem uma atuação cativante como Glória, uma mulher que lida com suas perdas e com o medo de mais um fracasso amoroso. Já Jorge Drexler, segura bem a onda de ser o protagonista em seu filme de estreia como ator. Seu personagem cresce nas cenas em que interage com os filhos e apesar de estar um pouco preso em outros momentos, ele não faz feio.

Com pouco açúcar e afeto na medida certa, A Sorte em Suas Mãos cumpre seu papel. Nos faz rir, diverte bastante e mostra que a simplicidade também garante boas histórias.

Um Grande Momento:
A conversa durante o reencontro.

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