(The Twilight Saga: New Moon, EUA, 2009)

Histórias de amores impossíveis sempre tiveram muito apelo popular. O sucesso não está necessariamente relacionado a uma idade específica, mas as adolescentes, com todos os seus hormônios e histeria, estão sempre entre as fãs mais acalorados destas histórias.

O sucesso é garantido mesmo que sejam mal escritas, que seus personagens não sejam bem desenvolvidos e que as adaptações para o cinema sejam ainda mais sofríveis, como fica fácil perceber em qualquer coisa relacionada com a tal Saga Crepúsculo.

Quando o primeiro livro da série foi lançado, contando a primeira história de um vampiro e uma mortal que se apaixonam e todas as dificuldades desse amor, suspiros foram ouvidos no mundo inteiro.

O texto era fraco, mas a história tinha algum charme. Talvez pela sempre curiosa e popular presença de um sugador de sangue, ou por ter um quê de Romeu e Julieta. O fato é que as vendas superaram todas as expectativas e outros três livros vieram e se firmaram na lista dos mais vendidos.

Como qualquer coisa que faça sucesso no resto do mundo, os direitos da saga foram comprados e em pouco tempo o romance de Edward Cullen e Bella Swan chegava às telonas. E do jeito mais rentável: cada livro tem o seu filme, ou seja, de cara, três continuações com potencial.

O primeiro filme era cheio de problemas, como a falta de conexão entre acontecimentos, atuações terríveis e uma superficialidade ainda mais irritante do que a encontrada na leitura. Mas, a despeito de qualquer coisa, as adolescentes adoraram o que viram.

Robert Pattinson, que dá vida ao vampiro protagonista da trama, virou símbolo sexual de uma hora para a outra; os livros seguintes esgotaram-se com rapidez; o comércio de artigos relacionados faturou alto e a ansiedade pelo lançamento do segundo filme esgotou salas ainda na pré-venda de ingressos pelo mundo.

O sucesso garantido, porém, parece não ter convencido totalmente os produtores do filme que tentaram, de alguma maneira e sem grandes esforços, é verdade, melhorar alguns dos muitos problemas do primeiro filme.

A direção saiu da mão de Catherine Hardwicke e passou para Chris Weitz e o roteiro foi mais trabalhado. Sob o grito histérico das meninas (e meninos), Lua Nova chegou às telonas, ainda sofrível, mas um pouco melhor do que Crepúsculo.

Aliás, ser “melhor do que o primeiro” é a maior qualidade do filme. Ninguém sai do cinema achando que o que viu era maravilhoso e qualquer pesquisa rápida no corredor demonstra isso.

Com cara de novela das sete, aquelas com o Marcos Pasquim e Humberto Martins no auge da boa forma, o que se vê é um desfile de lobisomens travadinhos e depilados no melhor estilo ciclista.

O elenco continua um problema sério. Se Taylor Lautner se destaca pela dedicação e Kristen Stewart apresenta alguma melhora, as outras atuações são terríveis. O título de símbolo sexual parece ter subido à cabeça de Pattinson que é, fácil, o pior em cena com suas caras e bocas de efeito.

Os personagens nunca conseguem se desenvolver e tudo acontece tão facilmente que fica difícil se empolgar com algo além da boa forma do bando de lobisomens mesmo. Ainda que o problema venha do livro (a inconsistência de Bella, que antes não podia andar sem se machucar e agora sai correndo entre milhares de pessoas numa festa religiosa, por exemplo), algo poderia ser feito no filme.

A estrutura também tem problemas graves e não funciona como cinema. O melhor exemplo é o passar do tempo durante a depressão de Bella que fica esperando a vida passar em frente à janela. Em um lugar onde as estações são tão bem definidas é mesmo necessário escrever o nome dos meses?

O uso desmedido da câmera lenta para criar um clima de apreensão e uma playlist pop adolescente, sempre presente, também cansam o espectador.

Sem grandes mensagens, Lua Nova funciona como distração para uma faixa etária específica e é tão passageiro como outros exemplares muito consumidos ao longo do tempo. Foi assim com Tarde Demais pra Esquecer, Love Story, Amor Sem Fim e Um Amor para Recordar. Histórias que levaram adolescentes aos suspiros e às lágrimas mas que perderam o brilho e a cor à medida que outras experiências cinematográficas aconteceram na vida de seu público.

Quando revisitados não significam tanto assim, mas não adianta dizer isso agora. A histeria ainda é muito grande para escutarem.

Um Grande Momento

O visual da cena embaixo d’água e interessante.

O Rodrigo também viu

O crítico mirim do Cenas de Cinema, Rodrigo Strieder também foi conferir o filme sensação do momento.

“É um filme legal, bem melhor do que Crepúsculo.”

“Algumas partes são tão arrastadas, chatas e entediantes que deu vontade de dormir, mas os momentos de ação conseguiram me deixar acordado.”


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Romance
Direção: Chris Weitz
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Ashley Greene, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, Kellan Lutz, Nikki Reed, Jackson Rathbone, Bronson Pelletier, Alex Meraz, Kiowa Gordon, Billy Burke, Chaske Spencer, Edi Gathegi, Dakota Fanning
Roteiro: Stephenie Meyer (romance), Melissa Rosenberg
Duração: 130 min.
Minha nota: 3/10
Nota do Digo: 5/10