(Rams, ISL, 2015)

Drama
Direção: Grímur Hákonarson
Elenco: Sigurður Sigurjónsson, Theodór Júlíusson, Charlotte Böving, Jón Benónýsson, Guðrún Sigurbjörnsdóttir
Roteiro: Grímur Hákonarson
Duração: 93 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Além de ser um país lindo e de ser a terra natal de Bjork, talvez uma das poucas coisas conhecidas da ilha nórdica, a Islândia tem uma enorme gama de tesouros a serem descobertos. Seu cinema e um desses tesouros.

A Ovelha Negra é um belíssimo filme sobre uma das realidades da ilha: a criação de ovelhas. Segundo o diretor Grímur Hákonarson, hoje existem na ilha cerca de 800 mil ovelhas, enquanto a população é de 300 mil pessoas. Hákonarson (Summerland) retrata a comunidade de um pequeno vale, onde os rebanhos são responsáveis pelo sustento da população e uma das únicas atividades daquelas pessoas.

Entre elas estão os irmãos Gummi e Kiddi. Vizinhos, dividindo a mesma fazenda, os dois não se falam há mais de 40 anos. Sempre competindo entre si, encontram no concurso de ovelhas da cidade uma das oportunidades de demonstrar um ao outro a sua superioridade. Em um desses eventos, algo acontece e desestabiliza a calmaria do local. O que era velado até então, torna-se explícito.

Além das belíssimas paisagens, muito do filme está na forma contemplativa com que Hákonarson conta sua história. O roteiro não se deixa levar pela emoção e se aproveita das situações adversas de maneira muito adequada, apropriando-se de reações e sentimentos para dar o ritmo à sua história.

Sem muitas invenções e adotando um estilo mais contemplativo, percebe-se todo marasmo e solidão do protagonista. O local – e seu clima extremo – também assume uma posição importante no filme e cria uma sensação de verdade em tudo o que se vê. É um filme que depende de seu cenário para desenvolver seus personagens, pois só naquele local eles poderiam chegar àquele ponto, e até mesmo para existir enquanto história.

Com seus olhares e silêncios, Sigurður Sigurjónsson (City State) domina o filme ao encarnar o ranzinza e solitário Gummi. Apesar da participação mais em segundo plano, Theodór Júlíusson (Sobrevivente) também funciona como o antagonista magoado.

A Ovelha Negra ainda conta com um competente trabalho de arte, que complementa as diferenças entre os dois personagens principais. Simples e eficiente, muito equilibrado estética e tecnicamente, é um filme que merece ser conhecido.

Sem falar que tem um dos finais mais belos de todos os tempos.

Um Grande Momento:
O final.
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