(Simindis Kundzuli, GEO/ALE/FRA/CZE/KAZ/HUN, 2014)

Drama
Direção: George Ovashvili
Elenco: Ilyas Salman, Mariam Buturishvili, Irakli Samushia, Tamer Levent
Roteiro: George Ovashvili, Roelof Jan Minneboo, Nugzar Shataidze
Duração: 100 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Com a desintegração da União Soviética, novos antigos países surgiram no mapa naquela região. A Abecásia é um deles. Embora não reconhecida oficialmente por todos os países do mundo, após uma dessas guerras injustificadas por território, com direito até à limpeza étnica, o pequeno país declarou sua independência da Geórgia. É lá que se passa a ação de A Ilha do Milharal.

No filme, as eternas mudanças do rio Enguri fazem com que novas realidades surjam do nada e desapareçam da mesma maneira. Em uma das cheias da primavera, um velho camponês deixa suas terras e se apressa para plantar milho no fértil solo de uma ilhota que surge e, assim, garantir o alimento durante o inverno do local. No pequeno espaço, constrói sua casa, inicia sua plantação e se muda pra lá com sua neta.

Contada de forma contemplativa, quase sem palavras, pelo diretor George Ovashvili, A Ilha do Milharal faz um contraste muito interessante entre a realidade naquela ilha, pacífica e paciente, e a situação de guerra, nunca superada, entre os países vizinhos. Enquanto aquele homem e sua neta cultivam, a guerra que os cerca por todos os lados destrói.

No desenrolar da trama, acompanhamos a relação silenciosa do velho com sua neta, que vira objeto de desejo dos muitos soldados que passam em frente ao local. E as coisas se complicam depois que um soldado abecásio e encontrado ferido à margem da ilha. Aquela presença perturba o velho, por seu medo, e a adolescente, pela alta de seus hormônios.

Contando com as belíssimas imagens de Elemér Ragályi (Atrás da Porta), o filme é uma espécie de poesia visual, mas, ainda que desperte o interesse de parte do público, não são todos que compram a ideia pela lentidão da narrativa.

Aqueles que se entregarem, descobrirão em A Ilha do Milharal um filme interessante pela forma como registra o conflito, sem necessariamente focar nele, e como as metáforas podem ser tão potentes na criação de um universo, independente daquilo que é visualmente apresentado.

Um Grande Momento:
A tristeza que vem com a chuva.

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