(L’âge atomique, FRA, 2012)

Drama
Direção: Héléna Klotz
Elenco: Eliott Paquet, Dominik Wojcik, Niels Schneider, Mathilde Bisson, Clémence Boisnard, Luc Chessel, Arnaud Rebotini, Cécilia Ranval
Roteiro: Héléna Klotz
Duração: 67 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

A Idade Atômica é um trabalho típico de realizadores que, após se habituarem à lógica dos curtas-metragens, experimentam o universo dos longas, o que geralmente resulta em obras profundamente observadoras, quase conceituais, com personagens magnéticos, contexto intrigante e que, de repente, não sabem o que fazer de si mesmas. De fato, a diretora e roteirista Héléna Klotz apresenta aqui tanto os acertos mais comuns, quanto os erros mais óbvios desses realizadores, mas se os acertos são prova de algum talento e não podem ser atribuídos à mera sorte-de-estreante, seus erros tão pouco podem ser perdoados pela inexperiência.

O longa acompanha uma noite de balada dos amigos Victor e Rainer, dois jovens franceses ansiosos por alguma diversão. Mas enquanto o primeiro quer apenas beijar uma garota que seja especial, o outro parece mais interessado em si mesmo – e, talvez, no amigo, mas isso se revela irrelevante e é a interação deles com o ambiente que acaba chamando mais a atenção neste primeiro ato.

Transcorrido quase que inteiramente dentro de uma casa noturna, essa primeira parte mostra como usar bem uma fotografia escura, pontuada por luzes estouradas, e uma câmera de baixa resolução. Mas é a trilha sonora inebriante de Ulysses Klots (irmão da diretora) que completa o cenário e o transforma em uma espécie de aquário feito apenas para nossa observação.

Entre luzes ofuscantes, temos o encontro com uma garota que se emociona ao ter sua inocência evocada por Victor em uma conversa e que se revolta ao perceber que a abordagem é apenas uma cantada; em um momento mais quente, e sufocante, assistimos à dança em que Rainer rejeita um rapaz obviamente atraente e o transforma em um objeto de diversão e pena para o espectador, graças a tentativas patéticas dele em fazer poesia e convite a partir da rejeição.

É dentro dessa boate, também, que temos um dos melhores diálogos do filmes, aquele em que os protagonistas trocam descrições da garota perfeita e do cara ideal e, quando nos damos conta, estamos nós e Victor fixados nas palavras de Rainer, entregues a um pequeno monólogo descrevendo um personagem que mais se assemelha a um Pátroclo ou a um Jacinto e que, como estes, acaba morto. Mas enquanto Rainer se enxerga como um deus, Victor sofre com o fracasso de sua busca pela garota ideal, e mais uma vez a diretora usa uma representação grega para ilustrar um alguém-perfeito: a imagem de uma estátua de Afrodite que paira na imaginação de Victor.

Mas se fica incerto se é uma vingança imatura ou uma insuspeita clareza de ideias que faz o rapaz, na saída da boate, desconsertar a postura prepotente de um filhinho de papai (interpretado por Niels Schneider, o deslumbrante Nicolas de Amores Imaginários, vejam só!), menos compreensível é o que os irmãos Klotz decidem fazer com o filme no terceiro ato.

Nos minutos finais da produção, o casal decide incluir uma trilha incidental típica de filmes de terror e, se isso não fosse ruim o bastante, o roteiro ainda leva os dois protagonistas para uma floresta repleta de sombras e barulhos horripilantes. Uma decisão que acaba trocando a pura observação de personagens que experimentávamos até então por uma tentativa de resolução, como se o roteiro tentasse dizer que as perturbações daqueles indivíduos só poderiam levar a um destino sombrio.

O que é uma pena, considerando os inúmeros acertos da primeira metade da produção e as relevantes tentativas de discussão mais social, como a que acontece no confronto com o menino rico e também no desabafo ensaiado por Rainer em uma estação de trem.

Não deixa de ser divertido, porém, imaginar que essa derrapada final se trata de uma decisão consciente de Héléna Klotz, como se a mulher quisesse homenagear seus personagens em uma obra que retrata suas angústias e que, assim como eles, parece simplesmente não saber o que fazer com a própria existência.

Um Momento Desnecessário

O assalto na ponte.

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