(La guerre des boutons, FRA, 2011)

Aventura
Direção: Yann Samuell
Elenco: Vincent Bres, Salome Lemire, Theo Bertrand, Tristan Vichard, Eric Elmosnino, Mathilde Seigner, Fred Testot, Alain Chabat
Roteiro: Louis Pergaud (livro), Yann Samuell
Duração: 109 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Talvez muitos se lembrem desse filme – em sua versão muito reprisada na sessão da tarde – de 1994 e também a versão mais clássica de 1962, do diretor Yves Robert. Todos são uma adaptação do livro homônimo de Louis Pergaud e apresentam poucas mudanças do original – um dos filmes se passa na Irlanda, outro tem um ar menos político – no que diz respeito ao foco principal da história: a guerra dos botões.

Nesta versão, com roteiro do próprio diretor Yann Samuell, a história se passa nos anos 60 e tem um tom mais suave em relação à politica e à “dureza” com que vivem os meninos. E se aproveita de momentos históricos da época escolhida, como , por exemplo, a luta pela igualdade das mulheres, que influencia no destaque da menina Laterna.

O filme relata a rivalidade entre dois grupos de meninos, moradores de vilarejos na França: os Velrans e os Longevernes. As batalhas, travadas com espadas de madeira, pedras, estilingues e muitos xingamentos, são um herança dos irmãos mais velhos, pais e avós dos meninos que nutrem essa guerra há gerações. De quebra o grupo derrotado, voltava para casa com roupas rasgadas e sem os botões – daí o nome do filme – e tomavam grandes broncas de seus pais.

Líder dos meninos de Longeverne, Lebrac leva uma vida muito difícil após a morte de seu pai, tendo que assumir os muitos afazeres de uma fazenda para sustentar sua família. Ao mesmo tempo, se divide entre as brincadeiras de criança e os estudos, incentivado pelo professor Fulano de Tal, que vê nele muito mais do que um moleque pestinha.

É nesse ponto que o filme aborda a dificuldade de uma criança em abdicar de sua infância e passar tão precocemente à vida de adulto. E na vida de Lebrac há ainda tempo para ser um líder corajoso e visionário, capaz até de permitir a presença da menina Lanterna na “gangue”, apesar dos protestos dos outros meninos, influenciados pelo machismo da época.

A intenção de Pergaud em seu livro era claramente mostrar a guerra das crianças como uma metáfora à guerra cruel e sem propósito dos adultos (a guerra da vez é a da Argélia). Os meninos mal sabem porque lutam, simplesmente o fazem porque há gerações é assim. Tampouco imaginam as durezas de uma guerra real. Mas, como já disse, o aspecto político do filme é mais ameno e rapidamente estamos de volta com as traquinagens e aventuras para vencer o grupo rival com cada vez mais criatividade.

O jovem Vincent Bres, que encarna Lebrac é uma grata surpresa. Seguro como o líder destemido e filho responsável é, ao lado de Salomé Lemire (a menina Lanterna), um dos grandes atrativos do filme. O hilário e esforçado garoto Gibusinho (Tristan Vichard) e Asteca (Théo Bertrand), como o malvado líder dos Velrans, também são ótimos e merecem uma menção honrosa, juntamente com os professores rivais Merlin (Eric Elmosnino) e Labru (Alain Chabat).

No entanto, o melhor da película é mesmo o resgate da inocência e ingenuidade da infância, retratadas de uma forma simples e convincente, o que anda bem raro nos filmes atuais. A ternura do filme fica evidente nas frequentes brigas entre os garotos, em contraponto à briga dos adultos e à guerra que ocorre ao mesmo tempo.

A Guerra dos Botões continua sendo uma boa história, recheada de emoção, capaz de resgatar o saudosismo dos adultos e ainda encantar crianças. O filme diverte e faz rir, mas ainda mantém o apelo do livro em mostrar o lado duro da infância e da guerra, mesmo que amenizado.

Um Grande Momento
“Gibusinho, vamos no 3!” e os desenhos no chão.

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