(Magical Girl, ESP/FRA, 2014)

Suspense
Direção: Carlos Vermut
Elenco: Lucía Pollán, Luis Bermejo, Bárbara Lennie, Israel Elejalde, Israel Elejalde, Eva Llorach, David Pareja, José Sacristán
Roteiro: Carlos Vermut
Duração: 127 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Um professor e uma aluna se enfrentam em um desses momentos de bilhetinho em sala de aula. Debochada e cínica, ela domina a situação, mesmo que o professor tente mostrar alguma superioridade. Essa é Bárbara, a garota de fogo do filme de Carlos Vermut.

Com uma direção segura e repleta de momentos inspirados, o diretor espanhol conta a história da transformação dessa menina em mulher, mas para isso passeia por histórias satélites que poderão demonstrar traços e tendências percebidas na primeira sequência.

Do lado oposto de Bárbara está Alícia, uma doce menina que, em estágio avançado de leucemia, passa os dias esperando a morte chegar. Ela vive com seu pai, um professor desempregado, e tenta experimentar aquilo que não terá possibilidade pela doença. Entre seus desejos está o vestido da Magical Girl, personagem de anime que dá o nome original ao filme, e que seu pai tentará realizar.

Vermut constrói sua narrativa de maneira interessante, fazendo com que a linearidade seja alterada de maneira inesperada, mesclando histórias e tratando da mesma maneira retornos e elipses temporais. Brincadeiras com o som e uma habilidade óbvia na condução dos atores, com destaque para Bárbara Lennie complementam a experiência positiva.

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O tom de suspense é mantido com segurança, embora escorregue lá pela metade do filme, quando soluções são esclarecidas demais, diferente de todas as outras do longa. É justamente no implícito e na dúvida que A Garota de Fogo se constrói tão bem. O deslize porém é rápido e a trama recupera-se logo depois, ressaltando a qualidade do roteiro também escrito pelo diretor.

Outros destaques são a montagem, assinada por Emma Tusell, e o excelente uso das canções que demarcam bem os dois lados do longa-metragem: o flamenco La niña de fuego, na voz de Manolo Caracol; e a japonesa Haru Wa Sara Sara, na voz de Yoko Nagayama.

A Garota de Fogo é um filme interessante, que busca novas maneiras para contar sua história e demonstra que o diretor Carlos Vermut está empenhado em não se entregar à acomodação narrativa ou à imitação – embora homenagens possam ser percebidas – para criar seus universos.

Um suspense que vai grudar os espectadores na tela e deixá-los pensando naquilo por algum tempo depois que a projeção acabar.

Um Grande Momento:
“Não olhe pra mim”.

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