(A Floresta Que Se Move, BRA, 2015)

Drama
Direção: Vinicius Coimbra
Elenco: Gabriel Braga Nunes, Ângelo Antônio, Ana Paula Arósio, Nelson Xavier, Fernando Alves Pinto, Miriam Freeland, Tatsu Carvalho
Roteiro: Vinicius Coimbra, Manuela Dias
Duração: 99 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

A impressão que ficou depois de ver a adaptação A Hora e a Vez de Augusto Matraga de Vinicius Coimbra foi a de que a simplicidade da bela e ainda assim complexa obra de Guimarães Rosa havia sido atrapalhada pela megalomania do diretor, detentor de um longo currículo na televisão.

Megalomania essa que o acompanha em seu novo projeto, A Montanha Que Se Move, uma adaptação livre da peça Macbeth de William Shakespeare, transmudada para os dias atuais, em cartaz nos cinemas brasileiros.

Depois de suas imagens impressionantes e exageradas, cheias de tomadas aéreas e maquinário pesado, abrindo o filme (assim como aconteceu também em Matraga), Vinícius Coimbra até consegue impressionar pela escolha de locações modernosas e por um cuidado todo especial com a direção de arte, sempre fazendo questão de destacar que seu Shakespeare é contemporâneo, atual.

Mas o exterior não casa com o texto, que tenta manter passagens originais da famosa peça, em intervenções que jamais poderiam acontecer hoje em dia. Além disso, o filme tem outro problema grave, com atuações marcadas demais por aquela dicção antiquada que foge ao modelo mais atual, adotado inclusive por outros atores do mesmo filme, e pelo engessamento cênico.

O começo, sofrível por esses dois quesitos, porém, consegue ser superado pela trama de assassinato, que mais ecoa da obra-prima do dramaturgo inglês do que qualquer outra coisa, e o filme consegue a atenção do espectador em seu segundo ato. Muito por causa das atuações interessantes e bem desenvolvidas de Gabriel Braga Nunes (Alemão) e Ângelo Antônio (À Beira do Caminho), com suas versões modernas de Macbeth e Banquo.

Mas o incômodo retorna após o começo do terceiro ato, onde falta sutileza e crença na inteligência do espectador, principalmente quando se revelam os significados das profecias da bordadeira, que incorpora aqui as três bruxas da peça escocesa.

Além das facilidades e do final atrapalhado, o longa-metragem ainda tem outros problemas graves de roteiro, como a distribuição temporal, o atropelo de algumas sequências e a tentativa de inserir a qualquer custo passagens que são determinantes na obra de Shakespeare, mas não se encaixam naturalmente aqui.

Podia ser interessante, mas só deixa a sensação de passo maior do que a perna. Um filme com um visual bonito, baseado em uma ideia original incrível e que conseguiu reunir um elenco interessante – que conta ainda com Ana Paula Arósio (Como Esquecer), na versão moderna de Lady Macbeth; Nelson Xavier (A Despedida), como o novo Duncan, e Fernando Alves Pinto (2 Coelhos), como um desvirtuado Macduff -, mas que, por pura falta de parcimônia, não funciona.

Um Grande Momento:
A tensão entre Elias e César.

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