(A Família Dionti, BRA, 2015)

Comédia
Direção: Alan Minas
Elenco: Antônio Edson, Gero Camilo, Murilo Quirino, Anna Luiza Paes Marques, Bernardo Lucindo, Bia Bedran, Neila Tavares, Fernando Bohrer e Alisson Minas
Roteiro: Alan Minas
Duração: 97 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Em um lugar imaginário, após o desaparecimento da esposa, um pai trabalha em uma olaria e convive com seus dois filhos, Kelton e Serino. Enquanto o mais velho, Serino, é seco por dentro; o mais novo, Kelton, está literalmente derretendo. A chegada na escola de Sofia, filha de artistas de circo, agrava a liquefação do jovem rapaz.

A vida na cidade pequena segue aquele curso lento e desinteressante, mas a mágica no cotidiano dos personagens, que interagem com bonecos que ganham vida e a história surreal por trás do desaparecimento da mãe, quebra a rotina.

Baseado e inspirado nas poesias de Manoel de Barros, o filme flui como uma declamação. Com aura antiquada e preservando a pureza, tenta ser simples em sua construção. Elementos lúdicos e visualmente bonitos fazem o complemento a essa história que muitas vezes parece com um sonho, mas o resultado final, além de endurecido, está aquém do potencial planejado.

É estranho que em uma história onde o protagonista sue até se transformar em água falte tanto a fluidez. Além de pouco sutil, o texto sobra muito decorado e pouco natural para todos aqueles que o repetem, e as poucas vezes em que isso deixa de ser um problema, falta o envolvimento para engrandecer a experiência. Apesar disso, são esses poucos momentos, como as consultas dos moradores ao médico e a conversa entre os dois adolescentes no trevo que separa as duas cidades, que salvam o filme.

Outro ponto positivo do longa-metragem está no elenco jovem. Murilo Quirino e Bernardo Lucindo que vivem os dois irmãos surpreendem pela entrega a seus personagens e pela naturalidade com que se relacionam com a câmera. O destaque é mesmo de Quirino, que vive o jovem que não para de suar. Entre os problemas, além do roteiro, estão alguns efeitos especiais pouco sutis.

Com ares de sessão da tarde, o filme não acrescenta muita coisa a quem o assiste, que sequer consegue sair da sala encantado com a poesia que se tenta incutir. Mas não deixa de ser um produto de consumo rápido que, sem incomodar, passa tranquilo por sua quase hora e meia de duração.

Talvez não precisasse estar na seleção de um dos festivais mais importantes de cinema brasileiro.

Um Grande Momento:
A despedida.

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[48º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro]