(El baile de la Victoria, FRA, 2010)

Drama
Direção: Fernando Trueba
Elenco: Ricardo Darín, Abel Ayala, Miranda Bodenhofer, Ariadna Gil, Julio Jung, Mario Guerra, Marcia Haydée, Luis Dubó
Roteiro: Antonio Skármeta, Fernando Trueba, Jonás Trueba
Duração: 127 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Apesar de ser uma produção espanhola, A Dançarina e o Ladrão é ambientado no Chile pós-Pinochet, mais precisamente no momento em que diversos presos que não cometeram crimes de sangue são anistiados pelo novo governo. Entre os contemplados estão Nicolás Vergara Grey, interpretado pelo talentosíssimo Ricardo Darín, e Ángel Santiago, personagem do promissor ator agentino Abel Ayala. O que acontece na vida de ambos após a liberdade é o tema desta obra adaptada do livro de mesmo nome do escritor Antonio Skármeta (O Carteiro e o Poeta) e dirigida pelo espanhol Fernando Trueba (Bella Epoque).

Ángel é um jovem cuja grande motivação ao sair da cadeia é vingar-se do carcereiro que o abusava sexualmente, conseguir dinheiro para comprar uma fazenda e criar cavalos. Para atingir este último objetivo, ele procura Vergara Grey, exímio arrombador de cofres que também acabou de ser anistiado. Desde o planejamento até a execução do assalto, outros acontecimentos ocupam espaço na vida dos protagonistas. Ángel conhece Victoria, uma órfã que emudeceu desde que seus pais “desapareceram” durante a ditadura e encontrou na dança uma forma de expressar seus sentimentos. Já Nicolás, tenta recuperar o amor perdido da sua esposa e de seu filho durante os 05 anos em que esteve preso.

O filme possui um excelente argumento, mas peca no desenvolvimento das histórias devido a um roteiro confuso e com muitos buracos assinado pelo próprio Trueba, juntamente com seu filho Jónas e o escritor Antonio Skármeta. A intenção de poetizar o romance entre Ángel e Victoria garante ao filme uma ótima fotografia, como na cena em que o casal corre na água e no uso de tons azulados nos quadros noturnos. Mas o excesso de enfoque no casal acaba desvirtuando a promessa inicial do filme de contar a história dos ex-presidiários.

Após um terço de exibição, o drama particular de Vergara Grey com a sua família é totalmente abandonado, transformando Darín em um coadjuvante de luxo. Quanto mais o filme mergulha no baile entre a dançarina e o ladrão, mais incoerente a trama se torna, apoiando-se exageradamente em clichês. Existem personagens secundários em demasia, com presenças sem explicações, nenhum aprofundamento psicológico e histórias que ligam o nada a lugar nenhum, dando a sensação de que os 127 minutos de projeção poderiam ser encurtados durante a edição.

A bela fotografia, principalmente nas cordilheiras e a trilha sonora bem escolhida, são apenas lampejos de uma produção que poderia ser muito boa. O resultado final é uma colagem mal feita e quase tudo na trama passa do ponto, inclusive as atuações. O gestual em várias situações se assemelha ao visto no teatro e mesmo o carismático e habilidoso ator Abel Ayala, que é a alma do filme, desliza neste quesito. Os únicos momentos de sobriedade são promovidos por Ricardo Darín e mesmo quando o seu personagem é deixado em segundo plano, o ator consegue nos tocar, ganhando nossa empatia quando lida de forma comedida com suas angustias, um exemplo em que muitos casos, o menos pode ser muito mais.

Um Grande Momento

Nicolás cantando.

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