(La caridad, MEX, 2016)
Drama
Direção: Marcelino Islas Hernández
Elenco: Verónica Langer, Jaime Garza, Adriana Paz, Héctor Holten, Luis Alberti, Magda Vizcaíno, Fernanda de Los Reyes, Joanna Larequi, Alfonso Bravo
Roteiro: Marcelino Islas Hernández
Duração: 108 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Uma filmagem caseira apresenta o casal Angélica e José Luís em sua festa de 30 anos de casamento e acompanha o discurso que dará nome ao filme sobre a caridade. A confraternização familiar dá lugar a uma cena de acidente de carro e, em seguida, José Luís está deitado em uma cama de hospital fazendo exercícios com a perna amputada. O impacto dessa nova realidade vai afetá-lo, assim como ao relacionamento com sua esposa e a vida dos dois.

A angústia e a desolação estão presentes no cotidiano daquele casal, que não conversa e parece não conseguir extravasar os sentimentos. É como se ambos estivessem sempre com aquele aperto no peito que não consegue ceder e como se coisas negativas do passado encontrassem um lugar mais propício para se instalar.

O contato com o passado encontra sua maior dificuldade na relação com o filho único do casal, Dany. É como se algo fizesse tudo dele ser escondido dentro do mesmo armário empoeirado onde estão as muletas que Angélica não se lembra de ter novamente em casa.

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Outras coisas estão perdidas naquele caminho, afinal de contas, são 30 anos juntos. Mas o que se expõe, de ambos os lados, é uma falsa tranquilidade e uma doçura no lidar que nunca seria totalmente falsa, mas não é completamente verdadeira. A sensação é de vazio e insatisfação e só deixa de existir quando a figura de Eva, enfermeira contratada para cuidar de José Luís está em cena.

O fascínio que a jovem exerce no homem cansado do cotidiano de danças em programas de entretenimento de quinta categoria e nada para fazer faz com que ele volte a olhar para vida de outra maneira. Enquanto isso, Angélica tem mais dificuldades em encontrar espaço para sua recuperação.

O diretor de A Caridade, Marcelino Islas Hernández, também responsável pelo roteiro, conta sua história de maneira delicada. Sem pressa e optando por enquadramentos curiosos, muito bem trabalhados pelo diretor de fotografia Rodrigo Sandoval, aposta em quadros estáticos e na liberdade espacial aos personagens. As opções estéticas fazem com que a trama flua de maneira natural e dá espaço para que sentimentos íntimos e profundos se concretizem.

Uma história que, sem apelações, estouros ou cenas exageradas, chega a pontos muito profundos e revisita a compreensão de amor, como um sentimento que está cheio de tantos outros e encontra na caridade do título sua definição mais completa.

Um Grande Momento:
O quadro.

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