(A Busca, BRA, 2012)

Drama
Direção: Luciano Moura
Elenco: Wagner Moura, Mariana Lima, Brás Antunes, Lima Duarte, Alex Sander
Roteiro: Luciano Moura, Elena Soarez
Duração: 96 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Luciano Moura estreia na direção de um longa-metragem contando a história de um pai que sai à procura do filho desaparecido na semana em que completa 15 anos. Pedro (Brás Antunes) mente para a mãe dizendo que viajará com um amigo e acaba desaparecendo. Sem nenhuma notícia, Theo (Wagner Moura) e Branca (Mariana Lima), que estão em processo de separação, entram em desespero e começam a procurar pistas que indiquem o paradeiro do garoto.

O filme inicia com a apresentação bem feita do clima em que vive a família Gadelha. O divórcio do casal de médicos é bastante complicado e doloroso. Eles vivem trocando farpas e qualquer divergência é motivo para discussões mais acaloradas, o que atinge diretamente Pedro, único filho do casal. Não é apenas o filho que se sente perdido no meio da situação. O casal também não sabe exatamente como lidar com o fim do relacionamento.

A partir do sumiço do filho as coisas começam a mudar e uma trégua é instaurada entre o casal em prol da localização de Pedro. Theo lança-se na estrada seguindo uma pista recebida por telefone e tenta refazer o caminho percorrido pelo filho. O filme ganha ares de road-movie, numa viagem em que Theo vai descobrindo em cada parada um pouco mais sobre seu filho e principalmente sobre si mesmo.

Neste ponto da história, o roteiro de A Busca é interessante. Theo redescobre Pedro, mudando sua percepção sobre ele à medida que conversa com quem teve contato com o garoto ao longo do caminho. Estas visitas a vários locais e a aproximação com pessoas distantes da sua realidade vão também, ao poucos, modificando a personalidade de Theo. Tudo isso reforçado pelo uso de símbolos (a frase na camiseta do filho, o boné do jangadeiro) e metáforas que representam os sentimentos de pai e filho.

Esta construção é a parte que funciona bem no filme, pois no restante ele é irregular. Há situações exageradas e desnecessárias, além de algumas incongruências como a ausência da polícia, ainda que, com o desenrolar da história, se compreenda que sua presença talvez atrapalhe aquilo que o filme se propõe a mostrar: a busca pelo autoconhecimento e a reconstrução dos laços afetivos. Outro grande problema da história é ter um clímax incoerente com o desenvolvimento da trama. Fica a sensação de que falta algo no desfecho da jornada, mesmo com a participação especial de Lima Duarte ameniza a sensação de que faltava algo no desfecho da jornada.

O ponto alto em A Busca é a atuação de Wagner Moura, é incrível a sua capacidade de transmitir bem as emoções diversas vividas por Theo em cada local por onde passa. Mariana Lima tem uma participação menor, mas brilha nas cenas de conflito com Theo no começo da história. Brás Antunes, filho do cantor Arnaldo Antunes, que compôs a belíssima “Olha Pra Mim” para a trilha do filme, apesar de aparecer pouco, não faz feio em sua estreia como ator. O filme conta ainda com uma participação especial do ator veterano Lima Duarte.

A Busca tem diversos momentos de tensão, prende o espectador e não apela para o melodrama. Entre erros e acertos, não deixa de ser um bom filme que vale a pena ser conferido.

Um Grande Momento:
Arremessando a cadeira.

A-Busca

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