(The Art of Getting By, EUA, 2011)

Drama
Direção: Gavin Wiesen
Elenco: Freddie Highmore, Emma Roberts, Sasha Spielberg, Marcus Carl Franklin, Rita Wilson, Michael Angarano
Roteiro: Gavin Wiesen
Duração: 83 min.
Nota: 2 ★★☆☆☆☆☆☆☆☆

Esses dias eu estava revendo A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, 1967), este que é considerado o primeiro filme a dar voz aos jovens, com todos os seus anseios e manifestações incompreendidas pelos adultos, e me dei conta de que lá para cá, muita coisa mudou. Obviamente, não só o mundo em que vivemos, mas também o próprio diálogo entre o cinema e os jovens, que passaram a consumir cada vez mais os filmes, que, por sua vez, foram se aproximando gradativamente do modo de vida desses jovens.

Nos últimos dez anos, uma nova safra de filmes juvenis, com toda a pompa semi underground, vem surgindo, o que culminou em praticamente um gênero a parte. O exemplo mais catártico veio com Juno, onde uma adolescente estranha e irreal (tamanho seu bom gosto musical e cinematográfico, além da maturidade) se envolvia com um rapaz estranho, mas atraente em razão disso. Não é difícil reconhecer esses novos romances estudantis, que são curtos, previsíveis, tem um climinha independente, um protagonista fatalista e uma trilha sonora indie.

Eis A Arte da Conquista, mais um exemplar desse gênero, que chega com um atraso injustificável aos nossos cinemas. No filme, nada de novo. Muito pelo contrário, quem já decifrou a fórmula dessas produções, que apenas fingem serem despretensiosas, vai sacar o que está por vir nos primeiros minutos. E acreditem. O filme não sai um segundo sequer da cartilha fajuta.

Pretendendo levar aos espectadores um pouco do drama dos adolescentes brancos de Nova York, o estreante Gavin Wiesen nos apresenta George (Freddie Highmore, do remake de A Fantástica Fábrica de Chocolate), um garoto solitário que está fixado com a ideia de nossa finitude e não vê mais sentido nos trabalhos escolares, assim como em seu diploma. Prestes a se formar, ele se considera mais um incompreendido em meio a adultos que não têm noção do mundo em que ele vive. Ao fumar no terraço da escola, ele conhece Sally (Emma Roberts, de Pânico 4), uma garota que se interessa pelo jeito estranho dele. Não é preciso ser gênio para perceber que algo vai rolar a partir daí.

Eu sei que isso não é razão para nada, mas de cara, me deparo com um filme que traz a desinteressante Emma Roberts (também conhecida como filha de Eric Roberts, e, portanto, sobrinha de Julia), e o choroso Freddie Highmore. Sei que é quase gratuito, mas a antipatia pelo ator colabora – e muito – para a chateação com o filme. Mas, para meu alívio, nenhum dos dois sai como maiores culpados pelo pedantismo da obra.

As próprias intenções de A Arte da Conquista naufragam no decorrer da história, que está repleta de personagens que existem apenas em função do casal protagonista. Reparem, por exemplo, os professores e o diretor do colégio de George. Todos preocupados com um aluno que demonstra claros sinais de carência de atenção. O cara lê trocentos livros (provavelmente de algum filósofo existencialista), mas pouco sabe lidar com uma questão que deveria ser tão trivial para ele: o amor platônico. E, para complementar, não sei de onde tiraram a ideia de que um rapaz, para ser tão interessante, deveria parecer uma espécie de abobado sem um pingo de personalidade. Está lá um importante quadro que ele pinta que não me deixa mentir.

Longe de ser interessante, A Arte da Conquista é apenas um típico exemplar de um gênero que ainda não se deu conta de que já perdeu a graça.

Um Grande Momento

As aparições de Alicia Silverstone como professora de literatura.

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