(La academia de las musas, ESP, 2015)
Drama
Direção: José Luis Guerín
Elenco: Raffaele Pinto, Rosa Delor, Emanuela Forgetta, Patricia Gil, Mireia Iniesta, Carolina Llacher
Roteiro: José Luis Guerín
Duração: 92 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Visando estudar mais a fundo o papel das musas na literatura, o professor de filologia Raffaele Pinto cria um grupo de estudos na Universidade de Barcelona, uma espécie de academia das musas. Na classe são debatidas questões como a criação do amor e da paixão, e a manutenção do sistema de patriarcado e o machismo. Afinal de contas, as musas são criaturas que têm como propósito único na vida estimular a criatividade de outra pessoa.

A Academia das Musas, dirigido por José Luís Guerín, começa como um documentário, que explícita as teorias de Pinto e os debates com os alunos do projeto. Fala-se muito de Dante Alighieri e Beatriz Portinari, assim como da obra maior do escritor napolitano, “A Divina Comédia”. Pela curiosidade e pertinência do debate e a identificação com as teses, há um interesse natural com o que se vê na tela.

Quando sai da sala de aula, porém, o tom vai deixando de lado o registro documental e começa a ganhar contornos de ficção. Seja nos embates com a companheira de vida, a filóloga catalã Rosa Delor, ou nos encontros que tem com as alunas dentro de seu carro. A transição entre documentário e ficção faz com que as teses levantadas durante os debates sejam colocadas à prova.

A sensação de confirmação empírica aumenta depois que o documentário é deixado de lado por completo e as interações contradizem – ou tentam contradizer – tudo o que foi dito até então. Sentimentos como ciúme, inveja e convenções como a fidelidade e o próprio amor ganham contrapontos interessantes.

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Em meio a tudo, uma personagem em especial vai destacando-se dos demais, ultrapassando inclusive o protagonista Pinto. É Rosa que toma para si a responsabilidade de comprovar ou invalidar aquilo que foi discutido. De modo sutil, ela expõe seus sentimentos e demonstra que não há como distanciar-se da situação para analisar o todo. Porém, ainda assim, é uma voz sensata em meio a teorias. Contextualizando o que se sabe e se vê, é ela quem determina o que há de real e humano na história.

É impressionante como Guerín passeia entre os dois registros diversos – documentário e ficção – de forma fluida e convincente. Ainda mais quando, adequadamente, usa esse caminho justamente para contrapor vida e arte, realidade e fantasia.

Tecnicamente, o diretor aposta na simplicidade. As passagens dentro da sala de aula são feitas de forma quase amadora, sem muita preocupação com a luz ou com o consequente granulado das imagens. Quando fora de sala, sobram reflexos nas muitas superfícies de vidro que “escondem” conversas mais particulares, ou belas locações, como na viagem com a aluna.

A Academia das Musas é um filme que fica com o espectador após os créditos finais e, com o passar do tempo, vai crescendo como obra, ganhando interpretações mais profundas na cabeça de quem o assistiu. Imperdível!

Um Grande Momento:
“Nós dois temos um pacto.”

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