(45 Years, GBR, 2015)

Drama
Direção: Andrew Haigh
Elenco: Charlotte Rampling, Tom Courtenay, Geraldine James, Dolly Wells, Richard Cunningham
Roteiro: David Constantine (curta), Andrew Haigh
Duração: 95 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Ah o tempo, que corrói tudo que vê pela frente sem trégua e sem piedade. É assim com todos, inclusive para Kate e Geoff, que seguem sua vidinha e estão prestes a comemorar 45 anos de casados. O espectador é convidado à rotina do casal por uma semana, aquela que antecede a grande festa de comemoração pelo aniversário.

Porém, logo na recepção é saudado com uma notícia que vai abalar aquele cotidiano. Geoff recebe uma carta em alemão, língua que ele não domina totalmente, que conta sobre a descoberta do corpo de sua antiga namorada, que desapareceu depois de um acidente nos alpes. Preservada pela neve, é como se o passado ainda intacto se intrometesse na vida do casal de idosos.

Seus dias mudarão depois de então, primeiro com o abalo inesperado que toma Geoff de supetão, depois com um desenrolar de sentimentos confusos de Kate, que, dividida entre o ciúme e o medo desde o começo, permite uma curiosidade nociva, uma compaixão distante e a exploração de algo que deveria estar guardado para sempre. A corrosão que o fato causa no casal consterna e é incrível como o diretor Andrew Haigh (Weekend) consegue materializar tudo o que se vê de forma tão palpável, tão real.

Haigh registra a velhice de forma muito bela, explorando delicadamente as restrições que vêm com a idade. Para dar o tom de seu filme, o diretor opta por uma narrativa lenta, alheia a grandes viradas e com poucas cenas de confronto, o que pode cansar em alguns momentos. Seu foco principal é aquela mulher, que se divide em programar uma festa e tentar superar a crise que se instalou sobre seu casamento. É nessa dubiedade de ações que está toda a beleza da personagem, construída com maestria por Charlotte Rampling (Jovem e Bela), em uma atuação impressionante.

A insegurança pelo evento que virá a seguir toma também os espectadores, que não sabem o que virá a seguir. É assim, inesperado, que chega o final impactante e extremamente comovente, ponto alto do filme. Embora tenha uma participação significativa de Tom Courtenay (O Quarteto), que vive o marido dividido, e uma grande ajuda da música escolhida para o momento, assim como em todo o resto do filme, a cena é de Rampling.

45 Anos é um filme surpreendente, que consegue, com seu ritmo lento e contemplativo, envolver o espectador e o permite identificar, naquilo que está vendo na tela, tantas coisas que conhece fora dela.

Um Grande Momento:
O final.

Oscar-logo2Oscar 2016 (indicações)
Melhor Atriz (Charlotte Rampling)

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