Presos na ilha
Por Cecilia Barroso
Com toques do bom cinema noir, Ilha do Medo, que estréia hoje nos cinemas, é um daqueles suspenses cheios de tensão psicológica e reviravoltas. Aproveite a viagem!
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Por Cenas de Cinema
Em uma noite mais entediante do que animada a Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood anunciou os melhores do ano. E Guerra ao Terror foi o grande vencedor da noite.
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Por Cenas de Cinema
O Troféu Framboesa de Ouro chega à sua 30ª edição. Além de premiar os piores do ano, também foram escolhidos os piores da década. E Sandra Bullock cumpriu a promessa, foi receber seu prêmio.
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Por Cecilia Barroso
Com Fita Branca, Michael Haneke tenta descobrir quem foram as crianças que viraram os adultos nazistas da Segunda Guerra e de onde podem ter tirado tanto ódio e intolerância.
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Por Cecilia Barroso
Sensibilidade e ação se misturam no drama sul-coreano Mother para contar a história de uma mãe que não mede esforços e nem consequências para salvar seu único filho.
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Por Cecilia Barroso
Depois do lançamento espalhafatoso no mercado nacional direto em dvd, chega aos cinemas Guerra ao Terror, retrato duro da influência da guerra na vida de seus soldados.
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Por Cecilia Barroso
A poesia de Manoel de Barros é uma daquelas viagens deliciosas que sempre gostamos de fazer. Conhecer um pouco mais sobre a vida do poeta e estar tão perto de sua obra é inspirador.
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Por Cecilia Barroso
Zeca já passou da adolescência há muito tempo, mas parece não ter se dado conta disso. Carregado pela vida, acaba se enrolando e vivendo algo bem inusitado.
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Por
Cecilia Barroso
em
29.12.09
Com o final do ano, pipocam, por todos os lados, os balanços de 2009. Entre retrospectivas e comentários, as listas têm sempre um lugar privilegiado, mas como é difícil fazê-las. Depois de assistir centenas de filmes, cada um com um astral e disposição diferentes, é quase um suplício reduzir tudo em uma lista de “os dez mais”.
Enquanto alguns filmes subiam e outros desciam, títulos eram lembrados como indispensáveis e entravam na lista, mas tiravam outros que não poderiam faltar. Depois de muito pensar, lembrar, sentir e, em alguns casos, rever, acabei chegando a uma conclusão.
10. Gran Torino (Gran Torino, 2008. Dir. Clint Eastwood)
Ao se despedir da carreira de ator, Clint Eastwood não guardou forças. Com um personagem ranzinza e durão ele trouxe de volta às telas várias características de antigos conhecidos vividos por ele e conseguiu fazer um retrato do que são os Estados Unidos hoje em dia. Ainda que não seja perfeito, o filme é uma despedida sensacional.
9. Star Trek (Star Trek, 2009. Dir. J. J. Abrams)
Confesso que jamais pensei que um filme como Star Trek estaria em qualquer top meu. Não que eu não goste, mas as produções para o cinema da franquia não costumam ser dignas de menções do gênero. Ainda seria assim se eu não tivesse saído tão surpresa da sessão do último título, assinado pelo produtor de sucesso J. J. Abrams. Um roteiro interessante, bons efeitos visuais e sonoros e uma fidelidade ao que já conhecíamos daquele universo mudaram a cara da franquia.
8. Bem-Vindo (Welcome, 2009. Dir. Philippe Lioret)
O cinema francês é um dos meus favoritos e teve um bom ano em 2009. Entre os muitos títulos que chamaram minha atenção, Bem-Vindo foi aquele que falou mais alto. O ritmo da trama é eficiente e as atuações são responsáveis pela força desta cativante história de um imigrante ilegal que quer arrumar uma maneira de viver o seu amor e faz de tudo para isso.
7. Up - Altas Aventuras (Up, 2009. Dir. Pete Docter e Bob Peterson)
Com a Pixar no mercado, a gente sempre tem que deixar um lugar na lista separado para uma animação. Pode até ser que não seja preenchido, mas as chances disso acontecer são poucas. Neste ano era impossível deixar de fora a história do velhinho solitário que resolve fazer uma adiada viagem usando a própria casa e muitos balões de gás. Com atrativos para crianças, adolescentes e adultos, impossível não se render à primeira parte do filme, que é poesia pura.
6. (500) Dias Com Ela ((500) Days of Summer, 2009. Dir. Marc Webb)
Ao apostar em uma linguagem informal para contar uma história que não é aquela que estamos acostumados a ver por aí, o diretor de videoclipes Marc Webb conseguiu transmitir o seu recado. O conto de (não) amor conseguiu levar um monte de gente às salas de cinema e conquistou com suas idas e vindas.
5. Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2009. Dir. Kathryn Bigelow)
A grande surpresa do ano veio com um filme de guerra. Eu não gosto do gênero e, como a distribuidora no Brasil, menosprezei seu lançamento. Depois do burburinho lá fora, resolvi que estava na hora de ver do que se tratava. Seco e simples, o filme traz para dentro de casa a guerra do Iraque e, o melhor, sem julgamentos e sem patriotismo, humanizando tudo aquilo que já sabemos que acontece em um campo de batalha.
4. Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, 2009. Dir. Quentin Tarantino)
Bastardos Inglórios não pode ficar de fora desta lista por vários motivos. A qualidade técnica de Tarantino chega aqui ao seu auge e em cada referência, demonstra o amor do diretor pelo cinema. Além disso, traz à tona aquela vingança histórica que ninguém tinha tido a coragem de filmar até então. Com boas atuações e um ótimo roteiro, o filme foi todo um grande acerto.
3. Anticristo (Antichrist, 2009. Dir. Lars Von Trier)
Embora muita gente tenha odiado Anticristo, para mim é a melhor tradução audiovisual da devastação da perda de um filho. A loucura crescente, a punição e uma culpa pesada chegam tão perfeitas na tela que custam a deixar a cabeça de quem assiste ao filme. Sem falar em toda a qualidade de Lars Von Trier, presente em cada detalhe.
2. Palavra (En)Cantada (Palavra (En)Cantada, 2008. Dir. Helena Solberg)
No ano dos documentários musicas, nada mais justo do que separar a segunda colocação para o filme que me fez voltar às salas várias vezes com companhias diferentes, de várias idades e até nacionalidades. Ao levar para telas a relação entre a música e a poesia, Palavra (En)Cantada conversou com seu público.
1. Deixe Ela Entrar (Lat den rätte komma in, 2008. Dir. Tomas Alfredson)
Ainda que muitos filmes tenham falado alto à minha pessoa, nenhum chegou perto da surpresa que tive com este belo título sueco. Ainda que não seja perfeito, o filme é de uma sensibilidade ímpar e consegue contar tão bem a história da vampirinha e de seu novo amigo que merece o primeiro lugar da lista.
Claro que a restrição em dez títulos acaba sendo injusta, já que muitos outros mereciam estar aqui. Pelo menos outros dez não listados merecem menções honrosas. É o caso dos dramas O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married); Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road), Gigante (Gigante) e Os Falsários (Die Falscher); da ação sul coreana O Caçador (Chugyeogja); das comédias Se Beber, Não Case (The Hangover) e Trovão Tropical (Tropical Thunder); dos biográficos Inimigos Públicos (Public Enemies) e Grupo Baader Meinhof (Der Baader Meinhof Komplex) e o excelente documentário nacional Cidadão Boilesen (Cidadão Boilesen).
Para ficar de olho
Uma das vantagens de cobrir festivais é que entre tantas coisas vistas, estão aquelas que têm um grande potencial de chamar a atenção do público e que ficam na cabeça da gente por tanto tempo que queremos sempre ver mais de uma vez.
Estes são aqueles títulos que me interessaram e ainda não entraram em cartaz nos cinemas brasileiros, mas merecem ser vistos assim que possível. Os escolhidos foram:
10. Maradona (Maradona, 2008. Dir. Emir Kusturica)
Uma figura como Maradona só poderia mesmo ser filmada por outra figura: Emir Kusturica. O diretor bósnio até viaja mais do que precisava, mas traz o Maradona tão pra perto da gente que vale o ingresso.
9. O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (The Imaginarium of Doctor Parnassus, 2009. Dir. Terry Gilliam)
Só por ser o último filme de Heath Ledger, essa história maluca de um homem que proporciona viagens por sua imaginação promete levar muita gente ao cinema, mas foi o tom a la As Aventuras do Barão Munchausen que garantiu o lugar na minha lista.
8. Os Famosos e os Duendes da Morte (Os Famosos e os Duendes da Morte, 2009. Dir. Esmir Filho)
Ser adolescente já é difícil, imagine se for morando em uma cidadezinha do interior gaúcho sem perspectivas e ainda tentando entender o suicídio da namorada. O visual do drama é de tirar o folêgo e fica difícil resistir à viagem.
7. Natimorto (Natimorto, 2009. Dir. Paulo Machline)
Nem todo mundo gosta de entrar no universo fantástico criado por Lourenço Mutarelli, mas aqueles que mergulham de cabeça vão adorar o novo filme sobre o encontro de dois fumantes inveterados bem maluquinhos.
6. Mau Dia para Pescar (Mal Día para Pescar, 2009. Dir. Álvaro Brecher)
Um cinema que tem me deixado curiosa é o uruguaio. Este filme, um western diferente sobre a decadência, a ilusão e o passar do tempo foi uma grata surpresa. Atenção para o trabalho dos atores, sensacional.
5. Deadgirl (Deadgirl, 2008. Dir. Marcel Sarmiento e Gadi Harel)
O melhor deste filme de terror sobre dois adolescente que descobrem o corpo de uma garota em um antigo hospital é que são os humanos ainda vivos que assustam muito mais do que qualquer evento sobrenatural.
4. Antes Que o Mundo Acabe (Antes Que o Mundo Acabe, 2009. Dir. Ana Luiza Azevedo)
Só por ser um filme infanto-juvenil brasileiro, a história de um menino que descobre o amor e um pai perdido pelo mundo já merece a menção. Ser a estréia na direção de Ana Luiza Azevedo também ajudou.
3. Mother (Madeo, 2009. Dir. Joon-Ho Bong)
O cinema sul-coreano vem chamando minha atenção a algum tempo e Mother é mais um exemplo de que devemos mesmo conferir o que há de novo por lá. Essa é "só" uma das melhores histórias sobre o amor materno que eu já vi.
2. O Segredo dos Seus Olhos (El secreto de sus ojos, 2009. Dir. Juan José Campanella)
Se existe alguém que consegue tratar qualquer assunto com delicadeza, é Campanella. A mistura das histórias de um amor não realizado e de um estupro seguido de morte é o melhor exemplo disso.
1. A Fita Branca (Das weisse Band, 2009. Dir. Michael Haneke)
Em uma viagem visualmente estonteante e proporcionalmente angustiante, conhecemos as raízes do nazismo. Se Haneke já conseguia passar seu recado, aqui ele surpreende.
Alguns outros títulos interessantes que ficaram de fora são os brasileiros Mangue Negro, Sequestro e A Falta Que Nos Move, o canadense Eu Matei a Minha Mãe e o chileno Malta com Huevo.
Os curtas do ano
Os festivais também são ótimos para conhecermos um pouco mais sobre a produção de curtas-metragens nacionais, já que o acesso a estes pequenos filmes é tão complicado por aqui.
Apesar da safra ter sido inferior à de outros anos, entre os nomes que chamaram minha atenção estão:
10. Pra Inglês Ver, de Vitor Granado e Robson Dias
A estranha exploração do turismo nas favelas do Rio de Janeiro e como ela pode ser humilhante para uns e lucrativa para outros.
9. Olhos de Ressaca, de Petra Costa
A história de um amor de muitos anos, que sobreviveu ao tempo e ainda está ali.
8. Amigos Bizarros do Ricardinho, de Augusto Canani
Ricardinho era uma figura estranha, mas muito mais estranhas eram as histórias de seus amigos.
7. Ernesto no País do Futebol, de André Queiroz e Thaís Bologna
Um menino argentino se muda para o Brasil com os pais e tem que sobreviver aos efeitos da antiga rixa entre os dois países com os colegas da escola.
6. Ave Maria ou a Mãe dos Sertanejos, de Camilo Cavalcante
A poesia das seis horas da tarde, a hora da Ave Maria, no sertão nordestino.
5. O Teu Sorriso, de Pedro Freire
Um casal maduro, recém-apaixonado, passa os dias se amando como se fossem dois adolescentes.
4. DoceAMARgo, de Rafael Primot
Após um acidente, um casal espera pelas surpresas da vida.
3. A Invasão do Alegrete, de Diego Müller
Uma brincadeira, fruto da antiga rixa entre duas cidades vizinhas do Rio Grande do Sul, causa a maior confusão.
2. Josué e o Pé de Macaxeira, de Diogo Viegas
A velha história de João e o Pé de Feijão é recontada com símbolos e músicas bem característicos do sertão nordestino.
1. Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho
Uma mudança climática muda a rotina dos moradores da antes ensolarada cidade do litoral de Pernambuco.
O que não precisava
Agora que já falamos dos melhores, está na hora de listar aqueles que não precisavam ter existido. Entre os muitos títulos, os menos necessários do ano foram:
10. Dragonball Evolution (Dragonball Evolution, 2009. Dir. James Wong)
Adaptação envergonhante de desenho japonês.
9. Lua Nova (New Moon, 2009. Dir. Chris Weitz)
Mais um capítulo da série sobre adolescentes que fingem ser vampiros, não gostam de mulher e sofrem com a falta de camisa dos lobisomens.
8. Anjos e Demônios (Angels & Demons, 2009. Dir. Ron Howard)
Adaptação fraca (e mutilada) de um livro também fraco.
7. Surpresas do Amor (Four Christmases, 2008. Dir. Seth Gordon)
Filme besta de Natal que não consegue resistir a uma escatologia.
6. Dois em Um (La personne aux deux personnes, 2008. Dir. Nicolas Charlet e Bruno Lavaine)
Brincadeirinha com mortos e encarnações que não funciona.
5. O Dia em Que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still, 2008. Dir. Scott Derrickson)
A história de um alienígena com cara de parede que está na Terra para destruir tudo.
4. Sete Vidas (Seven Pounds, 2008. Dir. Gabriele Muccino)
Mais um dos enaltecedores filmes em que Will Smith tenta salvar todo mundo.
3. Humanos (Humains, 2009. Dir. Jacques-Olivier Molon e Pierre-Olivier Thevenin)
Terror francês que tenta assustar, mas só consegue fazer rir.
2. Recém-Chegada (New in Town, 2009. Dir. Jonas Elmer)
História batida e sem graça que ainda consegue ser prejudicada pelo excesso de plásticas da protagonista.
1. Transformers: A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of Fallen, 2009. Dir. Michael Bay)
Muitos efeitos, muitos personagens, muitas histórias e um conjunto completamente vazio.
Outros que também me decepcionaram foram Halloween – O Início, Um Ato de Liberdade, Donkey Xote e Budapeste. Isso sem falar naqueles que de tão ruins, nem ficaram registrados.
Por
Cenas de Cinema
em
24.12.09

Por
Cecilia Barroso
em
20.12.09
Em 2009 o Cenas de Cinema esteve presente em cinco dos mais importantes festivais de cinema do país. Passando por Gramado, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, foram conferidas mais de 200 produções dos mais diversos gêneros e nacionalidades.
Diferente dos anos anteriores, quando a idade e a memória permitiam um número insano de filmes vistos, houve tempo para circular entre os bastidores dos eventos, conhecer pessoas e, o mais importante, digerir melhor tudo aquilo que foi visto.
Entre as muitas sessões, como sempre acontece, experiências inesquecíveis se misturaram àquelas desnecessárias e saldo final acrescentou muito à bagagem cinematográfica que só mesmo a presença nas salas pode dar a alguém.
37º Festival de Cinema de Gramado
Marcado pela incoerência de um prêmio à Xuxa Meneghel por sua contribuição ao cinema, independente de toda a polêmica envolvendo o título Amor, Estranho Amor com distribuição proibida pela própria; o altíssimo preço dos ingressos e o desfile diário de subcelebridades, o festival mais glamuroso do circuito trouxe uma seleção de títulos latino-americanos superior à nacional.
Entre os destaques, o sensível e apaixonante Gigante, de Adrián Biniez, e o não menos envolvente La Teta Assustada, de Claudia Llosa. A qualidade se manteve no documentário de Fernando Solanas, A Próxima Estação, sobre a malha ferroviária argentina, e no belo e feminino drama Chuva, de Paula Hernandez.
Da produção nacional, Corumbiara emocionou a platéia ao contar o massacre dos índios em Rondônia e a busca do seu diretor, Vicente Carelli, por sobreviventes para contar a história. Estréia na direção de Helena Ignez, eterna musa do cinema novo, Canção de Baal, apesar da inconstância, trouxe um ar novo a tudo que se produz por aqui hoje em dia, assim como Corpos Celestes, que na parceria de Marcos Jorge e Fernando Severo brincou de quebrar as estruturas padrões.
Entre os curtas, destaque para a inovadora animação Josué e o Pé de Macaxeira, de Diogo Viegas; o divertido A Invasão do Alegrete, de Diego Müller, e o bonitinho conto infantil Ernesto no País do Futebol, de André Queiroz e Thaís Bologna. A inovação estilística também chamou atenção para o documentário Olhos de Ressaca, de Petra Costa, um dos mais premiados do ano, assim como a sensibilidade da história de O Teu Sorriso, de Pedro Freire, que marcou presença no Festival de Veneza e em vários outros festivais do país.
Alguns títulos, porém, decepcionaram e outros não conseguiram chamar atenção, como os longas Quase um Tango..., de Sérgio Silva e Nochebuena, de Maria Camila Loboguerrero.
Lista de vencedores
Festival do Rio 2009
Com dois títulos promissores selecionados para a abertura e o encerramento (Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee, e Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino, respectivamente), o Festival do Rio levou muita gente para dentro das várias salas de exibição espalhadas pela cidade. Em sua programação vários títulos muito esperados e algumas boas surpresas, além da presença de grandes realizadores, como os cineastas Agnés Varda e Juan José Campanella, entre outros.
Como o número de filmes é muito grande, impossível falar de todos que cumpriram as expectativas e daqueles que poderiam ter ido melhor do que foram, mas alguns merecem ser citados.
Dos longas brasileiros fora da competição, os destaques ficam para o drama juvenil Antes que o Mundo Acabe, estréia de Ana Luiza Azevedo que já tinha chamado a atenção no Festival de Paulínia, e o documentário Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski sobre a participação do empresariado na ditadura militar.
Entre os concorrentes ao Troféu Redentor, O belo Os Famosos e os Duendes da Morte, de Esmir Filho, e o viajante Natimorto, de Paulo Machline, surpreendem. O longa Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo aposta na inovação do estilo e também agrada, mas não a todos.
Nas sessões internacionais, as melhores surpresas foram A Fita Branca, um duro passeio pelas raízes do nazismo, e (500) Dias com Ela, uma comédia romântica às avessas. Outra aposta acertada foi O Segredo dos Seus Olhos, sensível e elegante como todos os outros filmes de Campanella. Na categoria diversão pura, Black Dynamite não deixa nada a desejar.
Entre aqueles que não precisavam ser vistos estão o português Amália, sobre a cantora de fado Amália Rodrigues; o chinês O Fim do Amor e o pseudo-documentário brasileiro Flordelis - Basta uma Palavra para Mudar. Os curtas selecionados também ficaram devendo.
Lista de vencedores
33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
No final de outubro foi a vez da capital paulista receber o seu festival. A tradicional Mostra de cinema chegou aos cinemas da cidade com mais de 400 títulos e, como em todos os anos, muitas dúvidas na hora de escolhe-los.
Com arte da dupla Os Gêmeos, o festival manteve a presença de velhos nomes e não deixou de apostar nos novos talentos. Sessões lotadas e a presença de vários realizadores foram os pontos altos do evento.
Entre os melhores filmes da seleção estão 35 Doses de Rum, de Claire Denis; Mau Dia para Pescar, de Alvaro Brechner; À Procura de Eric, de Ken Loach; e Polícia, Adjetivo, de Corneliu Porumboiu. O canadense Eu Matei a Minha Mãe, de Xavier Dolan foi uma das boas surpresas.
Vários dos títulos escolhidos já estavam dando o que falar mesmo antes das primeiras exibições em festivais. Foi o caso de O Fantástico Sr. Raposo, primeira animação de Wes Anderson; Maradona, documentário de Emir Kusturica sobre o famoso jogador de futebol argentino, e O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus, ilusão de Terry Gilliam aos moldes de As Aventuras do Barão Munchausen.
No mais, a maioria dos títulos estava dentro da média e não apresentava grandes problemas. Só mesmo o juvenil A Oeste de Plutão, de Henry Bernadet e Myriam Verreault poderia ter ficado de fora.
Lista de vencedores
XI Festival Internacional de Cinema de Brasília
Com a maioria dos títulos já conferidos a esta altura do campeonato, em Brasília houve mais tempo para conferir as mostras paralelas e rever alguns dos títulos que precisavam ser redescobertos. Foi lá que Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo fez mais sentido para mim, por exemplo, assim com Insolação, de Daniela Thomas e Filipe Hirsch.
Entre os títulos que chamaram atenção estão Ricky, conto de fadas de François Ozon, e o do terror fantástico coreano Epitáfio, de Sik Jeong e Bum-sik Jeong. Também da Coréia veio aquele que está no topo da lista de todos os festivais do ano, o sensível e criativo Mother, de Joon-ho Bong.
Pessoalmente, A Fuga da Mulher Gorila é o que fica mais atrás na lista dos conferidos aqui.
Lista de vencedores
42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Com pouquíssimo tempo de intervalo entre os dois festivais e as pilhas já pedindo uma recarga, começou aquele que foi o primeiro festival da minha vida, há 12 anos atrás. O tradicional Festival de Brasília movimentou a capital e deu o que falar ao escolher o novo filme de Fábio Barreto, Lula, o Filho do Brasil, para a sua abertura.
Em uma sessão concorridíssima no Teatro Nacional, os convidados dividiram o espaço (ou a falta dele) com políticos e jornalistas. Tinha gente amontoada nas escadas, em pé ao longo da parede e até deitada na rampa de acesso para conferir o melodrama sobre as primeiras fases da vida do presidente. Com os atores sem lugar para sentar, Fábio e Luiz Carlos Barreto ainda tentaram sugerir uma nova sessão do filme e chegaram a ser vaiados pelo apertado público.
Seguindo a tendência do ano passado, o número de documentários selecionados para a mostra competitiva foi grande. Entre eles, Filhos de João, o Admirável Mundo Novo Baiano, de Henrique Dantas, e Quebradeiras, um Evaldo Mocarzel diferente de tudo que já fez antes, merecem atenção. É Proibido Fumar tem uma pegada mais comercial, mas é interessante.
Os maiores destaques ficaram com os curtas em 35 mm. Amigos Bizarros de Ricardinho, de Augusto Canani, é uma mistura bem sucedida de Jorge Furtado e Wes Anderson e Recife Frio, de Kleber Mendonça é uma divertida crítica a tantas coisas que nem parece ser só um curta. Outro que merece ser citado é Ave Maria ou Mãe dos Sertanejos, com Camilo Cavalcanti mais uma vez mostrando sua habilidade para fazer poesia com imagens.
Do lado negativo do festival está Perdão, Mister Fiel, documentário do jornalista Jorge Oliveira. Ainda que tenha um conteúdo interessante e até bombástico, o filme tropeça tantas vezes em si mesmo que não consegue acontecer.
Lista de vencedores
Foi assim que segundo semestre passou para o Cenas de Cinema: de festival em festival, entre filmes bons, normais, medianos e ruins e muitas histórias para contar. Na correria, algumas vezes é preciso optar entre ver os filmes ou escrever sobre eles e, por isso, nem todos podem ser encontrados comentados aqui. Pelo menos não por enquanto.
Agora é esperar pelo próximo ano e seus festivais.
Por
Cecilia Barroso
em
18.12.09
(New York, I Love You, FRA/EUA, 2009)
Falar de Nova York é falar de mistura, de muita coisa acontecendo junta no mesmo lugar. Várias nacionalidades, profissões, crenças, línguas e tradições se misturam, fazendo da cidade criar uma identidade que de tão diversificada é única.
Parte do projeto "Cities of Love", iniciado com o filme Paris, Te Amo e com previsão de versões para as cidades do Rio de Janeiro, Xangai e Jerusalém, este filme sobre Nova York sabe como levar em conta toda a sua mistura.
Os responsáveis pelo apaixonado retrato da cidade são o alemão Fatih Akim (Soul Kitchen, Contra a Parede, Do Outro Lado), o israelense Yvan Attal (Ma femme est une atrice), o japonês Shunji Iwai (Tudo Sobre Lily Chou Chou), o chinês Wen Jiang (Guizi lai le, Dias de Sol), a indiana Mira Nair (Um Casamento à Indiana), o paquistanês Shekhar Kapur (A Rainha dos Bandidos, Elizabeth), os estadunidenses Allen Hughes (Do Inferno), Joshua Marston (Maria Cheia de Graça), Brett Ratner (Dragão Vermelho) e os estreantes Randall Balsmeyer, dos EUA, e Natalie Portman, de Israel.
Diferente da edição sobre Paris, os contos do filme estãos interligados. Como qualquer produção com um número tão grande de diretores envolvidos, saltos na qualidade de cada conto podem ser sentidos. Mas as diferenças de estilos e visões é um dos charmes do filme.
O longa mescla bem o humor e a emoção e cativa tanto os que já estiveram fisicamente naquele lugar como aqueles que só o conhecem por outros filmes. As histórias que nos levam pra dentro da cidade - o batedor de carteiras de Wen - e a que nos dá adeus - o casal de velhinhos de Marston são excelentes escolhas e cumprem bem o seu papel.
As ligações entre as histórias encontram uma boa justificativa na história da videoartista Zoe, interpretada por Emilie Ohana, que já esteve presente em Paris, Je t'aime e está escalada para Xangai, te amo.
Enquanto os contos como o de Attal (o escritor e o casal) e Brett Ratner (atores e farmacêuticos) se apóiam em seus textos, os de Kapur (quarto de hotel) e Hughes (encontro no bar) são mais visuais.
Entre os defeitos, algumas cenas alongadas demais e uma suave inexperiência na ligação entre os episódios.
Equilibrado, Nova York, Eu Te Amo não é perfeito, mas entretem e causa uma gostosa sensação no final, como se agora tivéssemos visto um lado mais pessoal da cidade que nunca fora mostrado antes, junto a certeza de que muitos outros existem. Dá muita vontade de estar lá, ao vivo e à cores, para conhecê-los.
Um Grande Momento
Comemorando o aniversário de casamento.
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Links
Drama
Direção: Fatih Akin, Yvan Attal, Allen Hughes, Shunji Iwai, Jiang Wen, Joshua Marston, Mira Nair, Brett Ratner, Randall Balsmeyer, Shekhar Kapur, Natalie Portman
Elenco: Hayden Christensen, Andy Garcia, Rachel Bilson, Natalie Portman, Irrfan Khan, Bradley Cooper, Drea de Matteo, Shia LaBeouf, John Hurt, Julie Christie, Ethan Hawke, Maggie Q, Robin Wright Penn, Chris Cooper, Orlando Bloom, Christina Ricci, Anton Yelchin, James Caan, Olivia Thirlby, Eli Wallach, Cloris Leachman, Burt Young, Qi Shu, Ugur Yücel, Emile Ohana
Roteiro: Emmanuel Benbihy, Tristan Carné, Hall Powell, Israel Horovitz, James C. Strouse, Shunji Iwai, Israel Horovitz, Hu Hong, Yao Meng, Israel Horovitz, Scarlett Johansson, Joshua Marston, Alexandra Cassavetes, Stephen Winter, Jeff Nathanson, Anthony Minghella, Natalie Portman, Fatih Akin, Yvan Attal, Olivier Lécot, Suketu Mehta
Duração: 103 min.
Minha nota: 7/10
Por
Cecilia Barroso
em
17.12.09
Ir ao cinema está se tornando, cada dia mais, um exercício de paciência. A falta de noção das pessoas que freqüentam as salas anda em alta e é difícil assistir a um filme sem pelo menos duas vezes pedir silêncio, com aquele também chato barulhinho de pneu esvaziando.
O que antes era uma atitude mal-educada isolada tornou-se um hábito. Assim como comer pipoca era e continua sendo legal, a tendência parece ser se comportar como se você estivesse sozinho na sua casa.
Há algum tempo, ir ao cinema era um programa completo, um acontecimento. Os filmes eram escolhidos com antecedência, todo mundo gostava de passar um tempo no hall de entrada das salas e sempre reservava um tempo para comprar a pipoca.
Durante as sessões, todo um ritual era seguido. Tinha um jornal, os trailers dos próximos lançamentos e todos se preparavam para entrar no filme que tinham escolhido para assistir e só sair depois dos créditos finais.
A culpa é da TV?
Getty Image
Exclusividades das salas escuras, os filmes acabaram chegando às casas dos espectadores também pela televisão. Tínhamos que ver um filme em formato distorcido, com som original alterado, passagens mutiladas para passar pela censura das épocas e sem tempo para os créditos finais. O desrespeito à formatação continua até hoje, mesmo sem a censura e um outro problema se agravou: os intervalos comerciais.
Como é que alguém consegue se manter concentrado em uma história se ela é repetidamente interrompida? [Música tensa] Marion Crane abre o chuveiro, começa o banho e pela cortina vemos a sombra de alguém entrando no banheiro... LOUCURA! LOUCURA! As Casas Bahia trazem para você... Impossível manter uma linha de pensamento, qualquer que seja ela.
Com o tempo e a quebra constante de atenção, aquele tipo de programa foi ficando cada vez mais descompromissado. Enquanto acompanham com rabo de olho Ricky assassinar o Major Strasser, discutem sobre o cardápio da janta. Ou aproveitavam o começo do filme para contar o que aconteceu no dia de trabalho.
Uma mania típica de quem assiste a novelas também foi importada. Todos os passos da malvada e o sentimento da boazinha são comentados em voz alta. Numa espécie de ciclo vicioso, se a tv faz questão de explicar em palavras aquilo que todos estão vendo, aqueles que estão vendo também têm o direito (ou quase dever) de explicar também.
O “pause” e sua contribuição
Se o intervalo comercial criou um momento de distração e mais interação entre os espectadores, um botãozinho presente na maioria dos aparelhos eletrônicos de reprodução de filmes o consolidou. Vontade de ir ao banheiro, fazer uma boquinha ou qualquer outra coisa? É só apertar o “pause” do seu antes vídeocassete e agora dvd player e está tudo resolvido.
Quando os videocassetes foram lançados, até existia algum ritual para assistir às fitas locadas, compradas, gravadas. Alguns chegavam até a gravar os filmes dublados da televisão retirando cada uma das muitas propagadas, mas isso também ficou no passado. Com os anos, a luz deixou de ser apagada e as interrupções se tornaram cada vez mais comuns.
Sem uma tensão estabelecida – fundamental para qualquer filme – conversas, telefonemas e outras atividades também são bem vindas e a bagunça vai aumentando.
O inferno de ir ao cinema
Ao escolher o filme no susto, depois de fazer as compras ou dar um role pelo shopping, várias pessoas vão ao cinema com a clara impressão de que estão indo ao barzinho da esquina (ou à pizzaria rodízio, onde as pessoas não se incomodam em falar alto).
Tudo bem se o papo durasse o mesmo tempo que a arrumação das sacolas de plástico no chão, ou um pouco mais, até o fim dos comerciais (que agora também estão presentes no cinema, antes das sessões), mas não. O assunto invade o filme até que este comece a se tornar mais interessante para quem conversa, e que se danem os outros que querem prestar atenção.
Em alguns casos os shhhhs e olhadas para trás conseguem resolver o problema. Mas existem situações que nem mesmo pedidos de silêncio resolvem. E a falta de educação reina soberana até a chegada do funcionário do cinema (o antigo e saudoso lanterninha) para resolver o problema.
Além dos bate-papos, outros fantasmas da fala também assombram quem gosta de ver filmes na telona. Tem gente que não se acanha em atender o celular no meio da sessão e fala como se não tivesse ninguém por perto. Os que ainda não alcançaram esse nível de desprendimento ainda tentam falar mais baixo, mas incomodam do mesmo jeito.
Tem aqueles também que simplesmente se esqueceram de como é fazer alguma coisa em silêncio. Parece que a apreensão do que está sendo visto está diretamente relacionada à movimentação das cordas vocais. “Olha, ela chegou no alto do prédio, mas o menininho não estava mais lá... mas olha lá a mochila dele no chão...” ou “por que a aliança caiu no chão e rolou até o pé dele? E por que ela está com tanto frio?” Oscilando entre a narração e a tentativa de vidência, vários dos praticantes desse mau-hábito nem notam o que estão fazendo.
E quando um grupo de adolescentes resolve entrar para ver um filme que eles acham ruim ou bom demais? Salve-se quem puder! Quem não puder, já vai se preparando para os gritinhos e piadinhas que parecem não ter mais fim.
Occupations - short film by Lars von Trier | Enviado por vahea.
Render-se jamais
Com muitas horas da vida gasta dentro dos cinemas, vi de tudo. Já saí pra chamar o tal funcionário, pedi silêncio e fui verbalmente agredida por uma adolescente tagarela, presenciei brigas, expulsões seguidas de aplausos e já recebi reembolso de dinheiro.
A soma dos (maus) costumes domésticos, a falta de limites e uma ausência daquela noção básica de que nosso direito acaba quando começa o dos outros transformou a aventura de ir ao cinema numa tarefa árdua.
Sem saber o que fazer para melhorar, o jeito é pedir, conversar sobre o assunto, se mostrar indignado e esperar que as pessoas percebam novamente que compartilham o mundo com outras.
Deixar de ir ao cinema? Fora de questão. Mas sempre com aquela esperança de que os próximos colegas de filme sejam melhores do que os anteriores.
Por
Cecilia Barroso
em
16.12.09
(Paranormal Activity, EUA, 2007)
Há filmes de terror que encontram toda a sua força na sensação incômoda que causam em quem os assiste. Seja durante a exibição, seja no inconsciente daqueles que tentam dormir horas depois, quando as luzes do quarto se apagam.
Atividade Paranormal é simples, não tem nada demais e é justamente por isso que tem assustado tanta gente pelo mundo e se firmou, logos nos primeiros meses, como o filme mais rentável do cinema.
Estranhos acontecimentos atormentam um jovem casal. Enquanto ela quer buscar especialistas paranormais, ele se acha suficientemente capaz para resolver o problema com uma câmera de alta definição, alguns equipamentos e muita teimosia.
As imagens lavadas, mal enquadradas e mal iluminadas são fundamentais para gerar um sufocante clima de produção caseira, assim como a escolha de não mostrar nada que seja visualmente tão impressionante.
É o espectador que cria, em seu interior, aquilo que o apavora, lembrando títulos como A Bruxa de Blair, também com cara de caseiro, e O Bebê de Rosemary, onde cada um cria a sua imagem do bebê demoníaco, nunca mostrado na tela.
O roteiro tem alguns problemas, mas o crescente do medo os compensa bem. Apostando num ritmo arrastado, os sustos vão aumentando a cada noite que acompanhamos o medo do casal e saltos na cadeira do cinema são inevitáveis. O time code - aquele relógio mostrado na tela durante as filmagens noturnas - faz as vezes de suspiro e gatilho de tensão, alternadamente. Quando corre, o público respira aliviado. Quando anda devagar, o incômodo toma conta do ambiente.
Os atores, que emprestam seus nomes aos personagens, estão muito bem e conseguem interagir com a maluca idéia do diretor. E Micah Sloat consegue surpreender ao criar um personagem tão irritante que causa mais aflição no público do que a própria assombração.
Talvez a parte mais estranha do longa seja o final. A impressão que fica é a de que, por algum motivo, o diretor Oren Peli quebra a linha. Pesquisando sobre o filme depois da exibição fica mais fácil entender o porquê: ao assistir (e também se apavorar), o diretor Steven Spielberg resolveu que ajudaria o filme a ser distribuido e sugeriu um final mais enfático. Peli, que não é bobo nem nada, atendeu, mas deixou o filme menos obscuro do que poderia ser, mas sem grandes comprometimentos.
Daqueles filmes que valem pela curiosidade da inovação, pelo talento demonstrado por seu diretor (que agora arrisca um filme sobre a Área 51, já em pós-produção), pelos sustos e pela manipulação de sensações em quem o assiste.
Claro que não é indicado para pessoas que não gostam do gênero, impressionáveis demais ou que não estejam dispostas a novas experiências. E fica o aviso: muita gente durona, resistente ao gênero e que saiu frustrada do cinema sentiu um medinho na hora de fechar os olhos para dormir.
Um Grande Momento
Passos na escada.

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Terror
Direção: Oren Peli
Elenco: Katie Featherston, Micah Sloat, Mark Fredrichs, Amber Armstrong
Roteiro: Oren Peli
Duração: 86 min.
Minha nota: 7/10
Por
Cecilia Barroso
em
14.12.09
(Marley & Me, EUA, 2008)
Fugi de Marley & Eu desde quando avisaram que o livro seria lançado no Brasil. Com o filme foi a mesma coisa e pelo motivo mais óbvio de todos, sofro muito com qualquer coisa relacionada a cachorros.
Em qualquer gênero de filme, estou sempre preocupada com os bichinhos, talvez por já ter tido muitos, sei lá. A coisa é tão séria que sou daquelas que pensa sempre: “cadê o cachorro?”, basta que suma por alguns minutos da tela, e que deu vexame no cinema quando Didi ficou sem seu fiel escudeiro em Os Trapalhões e a Mina do Rei Salomão.
Por essas e outras, optei por não assistir ao filme estrelado por Jennifer Aniston e Owen Wilson. Acompanhei os comentários, a emoção das pessoas que leram o livro e viram o filme e o aumento de vendas (e do preço) dos labradores com uma certa distância até a onda do filme passar.
Sabadão em casa, sem nada para fazer, leio na coluna Filmes na TV, do Merten, que o filme seria exibido pelo canal pago Telecine. Ele lembrou que lágrimas rolariam no final, mas como estava em casa, sem ninguém para rir de mim e com tempo de sobra para esperar o nariz desinchar, resolvi encarar o longa-metragem.
O filme conta a história do casal recém-casado e cheio de planos e projetos para o futuro, John e Jennifer. Antes de terem filhos, os dois resolvem testar sua capacidade de pais com um cachorrinho lindo comprado em uma liquidação.
O que parecia ser muito fácil muda radicalmente ao perceberem o gênio inquieto do cãozinho, que come tudo que vê pela frente, não consegue controlar as emoções e causa estragos imensos em noites de tempestade.
Por trás da história agitada do cachorro, o filme trata do relacionamento do casal, das conquistas dos dois e de problemas naturais de toda relação amorosa, principalmente depois da chegada dos filhos.
Wilson e Aniston defendem bem seus papéis. Nada tão extraordinário assim, mas convincente, cativante e o mais importante, com muita naturalidade. Quem rouba mesmo a cena são os 22 labradores que deram vida ao fofo Marley em várias fases da vida.
Ainda que algumas cenas sejam supérfluas e outras batidas, a história do filme é suficiente para segurar o interesse do público e segurá-lo diante da tela até os momentos finais, onde fica difícil segurar a emoção.
Eu, graças a Deus, resolvi assistir em casa. Tentando me controlar e afastando da minha cabeça todos os cachorros que fizeram parte da minha vida, explodi em soluços de uma maneira totalmente inadequada para salas de cinema. Mas valeu a viagem e cada um dos lencinhos de papel que me fizeram companhia.
Quanto à vontade de comprar um labrador no mesmo dia, que todo mundo diz que sente, ela é real. E forte! Isso porque o cachorro é um completo descontrolado. Imagina se ele fosse quietinho.
Um Grande Momento
A conversa depois da cansativa caminhada.

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Comédia
Direção: David Frankel
Elenco: Owen Wilson, Jennifer Aniston, Eric Dane, Kathleen Turner, Alan Arkin
Roteiro: John Grogan (romance), Scott Franck, Don Roos
Duração: 120 min.
Minha nota: 7/10
Copyright 2009 Cecília Barroso
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