Presos na ilha
Por Cecilia Barroso
Com toques do bom cinema noir, Ilha do Medo, que estréia hoje nos cinemas, é um daqueles suspenses cheios de tensão psicológica e reviravoltas. Aproveite a viagem!
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Por Cenas de Cinema
Em uma noite mais entediante do que animada a Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood anunciou os melhores do ano. E Guerra ao Terror foi o grande vencedor da noite.
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Por Cenas de Cinema
O Troféu Framboesa de Ouro chega à sua 30ª edição. Além de premiar os piores do ano, também foram escolhidos os piores da década. E Sandra Bullock cumpriu a promessa, foi receber seu prêmio.
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Por Cecilia Barroso
Com Fita Branca, Michael Haneke tenta descobrir quem foram as crianças que viraram os adultos nazistas da Segunda Guerra e de onde podem ter tirado tanto ódio e intolerância.
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Por Cecilia Barroso
Sensibilidade e ação se misturam no drama sul-coreano Mother para contar a história de uma mãe que não mede esforços e nem consequências para salvar seu único filho.
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Por Cecilia Barroso
Depois do lançamento espalhafatoso no mercado nacional direto em dvd, chega aos cinemas Guerra ao Terror, retrato duro da influência da guerra na vida de seus soldados.
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Por Cecilia Barroso
A poesia de Manoel de Barros é uma daquelas viagens deliciosas que sempre gostamos de fazer. Conhecer um pouco mais sobre a vida do poeta e estar tão perto de sua obra é inspirador.
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Por Cecilia Barroso
Zeca já passou da adolescência há muito tempo, mas parece não ter se dado conta disso. Carregado pela vida, acaba se enrolando e vivendo algo bem inusitado.
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Quem mora no Rio de Janeiro ou está de passagem pela cidade maravilhosa não pode perder o Vale Open Air. Com a maior tela de cinema a céu aberto do mundo, o evento aproveita a vista deslumbrante e traz ao Jockey Club da cidade excelentes títulos. Sem falar nos shows musicais que acontecem após as sessões de cinema.
Na telona, uma mistura de filmes ainda inéditos no circuito, clássicos restaurados, títulos em cartaz e sucessos de bilheteria. Todos com um quê de pop, assim como todo o resto do evento.
Os longas Julie & Julia, O Fantástico Sr. Raposo, O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus, a animação Planeta 51 e o curta Alguém Tem Que Honrar essa Derrota já animaram a festa, mas muita coisa boa ainda está por vir.
Nesta semana, as atrações são:
Por
Cecilia Barroso
em
26.11.09
(The Twilight Saga: New Moon, EUA, 2009)
Histórias de amores impossíveis sempre tiveram muito apelo popular. O sucesso não está necessariamente relacionado a uma idade específica, mas as adolescentes, com todos os seus hormônios e histeria, estão sempre entre as fãs mais acalorados destas histórias.
O sucesso é garantido mesmo que sejam mal escritas, que seus personagens não sejam bem desenvolvidos e que as adaptações para o cinema sejam ainda mais mais sofríveis, como fica fácil perceber em qualquer coisa relacionada com a tal Saga Crepúsculo.
Quando o primeiro livro da série foi lançado, contando a primeira história de um vampiro e uma mortal que se apaixonam e todas as dificuldades desse amor, suspiros foram ouvidos no mundo inteiro.
O texto era fraco, mas a história tinha algum charme. Talvez pela sempre curiosa e popular presença de um sugador de sangue, ou por ter um quê de Romeu e Julieta. O fato é que as vendas superaram todas as expectativas e outros três livros vieram e se firmaram na lista dos mais vendidos.
Como qualquer coisa que faça sucesso no resto do mundo, os direitos da saga foram comprados e em pouco tempo o romance de Edward Cullen e Bella Swan chegava às telonas. E do jeito mais rentável: cada livro tem o seu filme, ou seja, de cara, três continuações com potencial.
O primeiro filme era cheio de problemas, como a falta de conexão entre acontecimentos, atuações terríveis e uma superficialidade ainda mais irritante do que a encontrada na leitura. Mas, a despeito de qualquer coisa, as adolescentes adoraram o que viram.
Robert Pattinson, que dá vida ao vampiro protagonista da trama, virou símbolo sexual de uma hora para a outra; os livros seguintes esgotaram-se com rapidez; o comércio de artigos relacionados faturou alto e a ansiedade pelo lançamento do segundo filme esgotou salas ainda na pré-venda de ingressos pelo mundo.
O sucesso garantido, porém, parece não ter convencido totalmente os produtores do filme que tentaram, de alguma maneira e sem grandes esforços, é verdade, melhorar alguns dos muitos problemas do primeiro filme.
A direção saiu da mão de Catherine Hardwicke e passou para Chris Weitz e o roteiro foi mais trabalhado. Sob o grito histérico das meninas (e meninos), Lua Nova chegou às telonas, ainda sofrível, mas um pouco melhor do que Crepúsculo.
Aliás, ser "melhor do que o primeiro" é a maior qualidade do filme. Ninguém sai do cinema achando que o que viu era maravilhoso e qualquer pesquisa rápida no corredor demonstra isso.
Com cara de novela das sete, aquelas com o Marcos Pasquim e Humberto Martins no auge da boa forma, o que se vê é um desfile de lobisomens travadinhos e depilados no melhor estilo ciclista.
O elenco continua um problema sério. Se Taylor Lautner se destaca pela dedicação e Kristen Stewart apresenta alguma melhora, as outras atuações são terríveis. O título de símbolo sexual parece ter subido à cabeça de Pattinson que é, fácil, o pior em cena com suas caras e bocas de efeito.
Os personagens nunca conseguem se desenvolver e tudo acontece tão facilmente que fica difícil se empolgar com algo além da boa forma do bando de lobisomens mesmo. Ainda que o problema venha do livro (a inconsistência de Bella, que antes não podia andar sem se machucar e agora sai correndo entre milhares de pessoas numa festa religiosa, por exemplo), algo poderia ser feito no filme.
A estrutura também tem problemas graves e não funciona como cinema. O melhor exemplo é o passar do tempo durante a depressão de Bella que fica esperando a vida passar em frente à janela. Em um lugar onde as estações são tão bem definidas é mesmo necessário escrever o nome dos meses?
O uso desmedido da câmera lenta para criar um clima de apreensão e uma playlist pop adolescente, sempre presente, também cansam o espectador.
Sem grandes mensagens, Lua Nova funciona como distração para uma faixa etária específica e é tão passageiro como outros exemplares muito consumidos ao longo do tempo.
Foi assim com Tarde Demais pra Esquecer, Love Story, Amor Sem Fim e Um Amor para Recordar. Histórias que levaram adolescentes aos suspiros e às lágrimas mas que perderam o brilho e a cor à medida que outras experiências cinematográficas aconteceram na vida de seu público.
Quando revisitados não significam tanto assim, mas não adianta dizer isso agora. A histeria ainda é muito grande para escutarem.
Um Grande Momento
O visual da cena embaixo d'água e interessante.
O Rodrigo também viu
O crítico mirim do Cenas de Cinema, Rodrigo Strieder também foi conferir o filme sensação do momento.
"É um filme legal, bem melhor do que Crepúsculo."
"Algumas partes são tão arrastadas, chatas e entediantes que deu vontade de dormir, mas os momentos de ação conseguiram me deixar acordado."

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Romance
Direção: Chris Weitz
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Ashley Greene, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, Kellan Lutz, Nikki Reed, Jackson Rathbone, Bronson Pelletier, Alex Meraz, Kiowa Gordon, Billy Burke, Chaske Spencer, Edi Gathegi
Roteiro: Stephenie Meyer (romance), Melissa Rosenberg
Duração: 130 min.
Minha nota: 3/10
Nota do Digo: 5/10
Por
Bruna Bites
em
25.11.09
(The Jane Austen Book Club, EUA, 2007)
Mesmo quem nunca leu um livro de Jane Austen, já viu algum filme sobre esses livros e conheceu seu universo. Histórias de amores, paixões, renúncias e conflitos. Histórias de mulheres, passadas no século passado.
Em "Clube de Leitura de Jane Austen", que se passa nos tempos atuais, vemos as mulheres modernas espelhadas naquelas dos livros, com vários elementos que as identificam. O clube do livro é criado para ser uma espécie de grupo de ajuda para Sylvia, que acaba de se separar e ainda sofre por isso. A cada encontro não só ela, como os outros integrantes do clube vão se identificando com os personagens dos livros.
Bernadette é a guia dentro do universo de Austen e a "voz da experiência". Jocelyn, solteira convicta e Sylvia, que está se divorciando, são as amigas desde os tempos de colégios que nunca se separaram. A elas se juntam Prudie, uma professora que tem problemas com a mãe e sente-se deixada de lado pelo marido, e Allegra, filha de Sylvia que só está no grupo para confortar a mãe.
O contraponto nesse universo tão feminino é o jovem Grigg, que com analogias masculinas tenta analisar e entender os livros. Até Star Wars ele consegue relacionar com a escritora inglesa. Os outros homens do elenco, o marido Dean e o ex-marido Daniel, também ficam meio perdidos nesse mar de angústias e dúvidas vividas pelas mulheres, mas ao final conquistam seu espaço.
Ainda que não estrague o filme, o final perde seu brilho por ser fácil demais e quase ingênuo. Algumas situações complexas se resolvem num passe de mágica e outras, de uma simplicadade absurda, ficaram dando voltas para se resolverem nos útlimos minutos.
O Clube da Leitura tem o mérito de gerar no espectador o interesse sobre os livros. Quem já leu vai gostar ainda mais do filme e aqueles que ainda não leram vão querer conhecer melhor a obra da escritora.
Uma curiosidade é que todos os livros de Jane Austen já ganharam versões para o cinema: Emma, Persuasão, Palácio das Ilusões e Razão e Sensibilidade. Só Orgulho e Preconceito, tem mais de 6 versões diferentes entre filmes e séries.
Um Grande Momento
A primeira reunião no café.
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Gênero
Direção: Robin Swicord
Elenco: Emily Blunt, Hugh Dancy, Maria Bello, Kevin Zegers, Maggie Grace, Amy Brenneman, Nancy Travis, Marc Blucas, Kathy Baker
Roteiro: Robin Swicord (roteiro), Karen Joy Fowler (livro)
Duração: 106 min.
Minha nota: 7/10
Por
Cecilia Barroso
em
25.11.09
Terminou hoje (24), o 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em uma noite dedicada à Capital Federal, com a exibição do curta Brasília, Capital do Século, de Gerson Tavares, e do longa Brasília, a Última Utopia, com episódios dirigidos por Pedro Anísio, Geraldo Moraes, Vladimir Carvalho, Pedro Jorge de Castro, Moacir de Oliveira e Roberto Pires.
O grande premiado da noite foi É Proibido Fumar. O filme, dirigido por Anna Muylaert e que estréia nos cinemas brasileiros no próximo dia quatro, levou oito troféus candangos para casa. Entre eles o de melhor filme, melhor roteiro, melhor atriz e melhor ator.
Entre os curtas, dois representantes de Pernambuco se destacaram. Enquanto Ave Maria ou Mãe dos Sertanejos, de Camilo Cavalcante, levou para casa o prêmio de melhor curta, Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho conquistou os troféus pela direção e o roteiro.
Confira abaixo a lista completa dos vencedores:
(É Proibido Fumar, BRA, 2009)
É comum ter, entre os filmes selecionados pelo Festival de Brasília, um que tenha um apelo popular maior e que seja mais facilmente comercializado. Este ano, foi a vez de É Proibido Fumar.
Com Glória Pires, que sozinha já chama o público para as salas, e Paulo Miklos encabeçando o elenco, o filme conta a história de Baby, uma solteirona de quarenta anos que ficou parada no tempo e no espaço.
Usando roupas de décadas passadas, ela ainda mora no apartamento que herdou da mãe, onde dá aulas de violão, e briga por antiguidades de outros parentes falecidos com as irmãs. Entre aulas e telefonemas estressados, Baby se interessa por Max, seu novo vizinho. Ex-roqueiro e atual cantor de sambão em uma churrascaria, ele tenta se esquecer de um amor fracassado.
O filme fala de vícios e obsessões com muito humor e se apóia no carisma em um casal central completamente diferente. Para ela música é Chico Buarque, para ele é Jorge Ben; se ele prefere inovações na cozinha, ela vai de tradicional. Glória Pires e Paulo Miklos, um casal difícil de ser imaginado junto, transmitem bem essas diferenças.
Ainda que tenha um texto interessante, boas atuações e participações especiais ótimas, o filme não consegue se controlar no ritmo e acaba sendo mais arrastado do que precisava. O problema se agrava na parte final, que parece ficar andando em círculos, sem nunca avançar.
Algumas inserções são televisivas demais e sequências como a da dança indiana não conseguem se explicar.
Entre as qualidades estão a trilha sonora, que sabe misturar elementos e consegue ser uma atração à parte, e a facilidade que Anna Muylaert tem de transitar entre sentimentos completamente diferentes.
E, ainda que tenha problemas, o filme diverte o público, que riu sem parar e ficou apreensivo na sessão do festival. Com distribuição garantida e estréia prevista para 4 de dezembro, promete levar muita gente aos cinemas.
Um Grande Momento
Fumando a guimba no carro.
Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)
Festival de Brasília: Filme
Links
Comédia
Direção: Anna Muylaert
Elenco: Glória Pires, Paulo Miklos, Lourenço Mutarelli, Daniela Nefussi, Marisa Orth, Paulo César Peréio, Antônio Abujamra, André Abujamra, José Abujamra, Pitty, Marat Descartes
Roteiro: Anna Muylaert
Duração: 86 min.
Minha nota: 6/10
Por
Cecilia Barroso
em
23.11.09
(O Homem Mau Dorme Bem, BRA, 2009)
O nome do novo filme do diretor veterano Geraldo Moraes, à primeira vista, remete a um dos filmes menos comentados da filmografia de Akira Kurosawa: Homem Mau Dorme Bem. Com histórias e personagens bem diferentes, o exemplar produzido pelo Distrito Federal também trata de uma vingança.
As vidas de três pessoas se cruzam em um posto de beira de estrada, no interior do interior do Mato Grosso, e, embora não pareçam ter muita coisa em comum, essas pessoas estão ligadas por acontecimentos anteriores.
Ainda que tenha alguns problemas de roteiro, o filme ganha muitos pontos por tentar voltar ao antigo modo de fazer cinema. Em um momento onde a compreensão do que é visto está sempre acompanhada de descrições, explicações, falas e até mesmo texto, é curioso assistir a um filme que confie tanto em sua mensagem como na capacidade do público de compreendê-la.
O mau-costume, porém, causa algum desconforto nos que não estão preparados para a experiência. A ausência de textos internos como "há dois anos", ou similares, nas elipses de tempo, por exemplo, parece incomodar, mas abre os olhos do público e do cinema como um todo para o excesso de informação e esvaziamento do significado áudio-visual, para a transformação do cinema em uma espécie de complemento da televisão e para a pasteurização da verborragia idiotizante do cinemão estadunidense.
Apesar de algumas escorregadas, como a desnecessária conversa com o cachorro, Geraldo Moraes aposta na criação dos personagens e no silêncio explicativo e o faz muito bem. A idéia de filmar quase toda a história em um posto de gasolina, como em um road-movie às avessas, também é curiosa, como é curioso o Brasil escondido dentro de si mesmo que a quem o público é apresentado.
Com boas interpretações de Simone Iliescu, Bruno Torres e Luiz Carlos Vanconcelos e uma curiosa história de amor, vingança e sobrevivência, O Homem Mau Dorme Bem, está longe de ser perfeito, mas diverte e entretem. Além de ter tanto significado ao reapostar em uma linguagem quase esquecida por aqui.
Um Grande Momento
Gosto do suspense do início.
Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)
Festival de Brasília: Filme
Drama
Direção: Geraldo Moraes
Elenco: Luíz Carlos Vasconcelos, Simone Iliescu, Bruno Torres, Mariana Nunes, Alex Ferro, André Reis, Chico Sant'anna
Roteiro: Geraldo Moraes
Duração: 90 min.
Minha nota: 6/10
(Quebradeiras, BRA, 2009)
Depois de Perdão, Mister Fiel, firmado em muitos depoimentos, o longa exibido no dia seguinte no Festival de Brasília consegue falar alto ao público justamente com sua ausência de palavras.
A vida das quebradeiras de coco de babaçu da região do Bico do Papagaio (situada entre os estados Tocantins, Pará e Maranhão) é acompanhada pelo diretor Evaldo Mocarzel de uma maneira inesperada por quem conhece seus trabalhos anteriores. Antigo adepto de muita entrevista, ele deixa que o filme fale por si. Com atenção e respeito, ele reconhece que os afazeres do dia a dia, as canções entoadas e a moldura daquela paisagem são mais do que suficientes para contar a história.
A música, outra inovação no trabalho de Mocarzel, e o tratamento de ruídos completementam a rotina cíclica e paciente das mulheres quebradeiras. A fotografia de Gustavo Hadba, com seus muitos enquadramentos estáticos e seu trabalho de uso da cor, é linda.
A simplicidade do filme parece ter bebido em várias fontes. Em debate, o diretor reconhece a influência do filme de Robert Flahert, Nanook of the Nort e, com tanta poesia na imagem, é fácil determinar um quê da nova escola documental mineira, também assumido por Mocarzel.
Ainda que tenha muita força, transmita o viver daquelas pessoas e o resultado final agrade, Quebradeiras não resiste a algumas repetições e planos maiores do que o necessário e pode cansar alguns.
Uma boa surpresa na filmografia do documentarista e, sem dúvida, uma linda e interessante experiência.
Um Grande Momento
O visual etonteante.
Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)
Festival de Brasília: Filme
Documentário
Direção: Evaldo Mocarzel
Roteiro: Evaldo Mocarzel, Marcelo Moraes
Duração: 71 min.
Minha nota: 7/10
Por
Cecilia Barroso
em
21.11.09
(Perdão, Mister Fiel, BRA, 2009)
Três meses após a morte do jornalista Vladimir Herzog nos porões do DOI-CODI/SP, divulgada como enforcamento suicida pelos militares, morria, em circunstâncias idênticas o operário Manoel Fiel Filho.
No dia seguinte à sua prisão, na fábrica onde trabalhava, por dois homens que diziam trabalhar para a prefeitura, sua esposa foi comunicada de seu suposto suicídio. Na verdade, Fiel fora assassinado, depois de uma dura sessão de tortura, por receber o jornal Voz Operária.
O acontecido fez com que o presidente Ernesto Geisel tomasse uma atitude contra os atos, muito mais pela insubordinação e falta de hierarquia do II Exército de São Paulo do que por sensibilizaão humanista, claro. O afastamento do general Ednardo D'Ávila Melo do comando, três dias depois da morte, é considerado por muitos como o primeiro passo para a abertura política.
À boa história somam-se depoimentos de brasilianistas, defensores de direitos humanos, ex-torturados e presidentes da república, mas é um ex-agente do DOI-CODI, Marival Chaves, que choca ao contar detalhes do funcionamento dos porões. Ele descreve métodos de tortura e de ocultação de cadáver e, citando nomes de vítimas e algozes, assume assassinatos que até hoje tentam esconder.
Se o material é bom e tem muita história para contar, o resultado final não consegue convencer como cinema. Jornalista de longa data, o diretor Jorge Oliveira não consegue se livrar do didatismo e pior, deixa transparecer na tela seu pouco gosto pelo gênero documentário.
Apelando para encenações dos momentos vividos por Fiel e sua família antes, durante e depois de sua morte, o filme se perde. Tudo parece mal ajambrado e desnecessário, ainda que tente, sem sucesso, dar uma linha para o que está sendo contado. O efeito de manter o preto-e-branco e destacar uma das cores não só incomoda, como envergonha.
Alguns depoimentos também poderiam ter ficado de fora, como o de Fernando Henrique Cardoso, que dá uma desculpa para a manutenção do sigilo dos arquivos, Lula e de José Sarney, que fala, fala e termina sem dizer nada.
A trilha sonora escolhida, com uma das mais lentas (e chatas)versões de O Bêbado e o Equilibrista, de Aldir Blanc e João Bosco, também não foi das mais felizes, assim como os efeitos para transitar entre os depoimentos.
Uma das principais preocupações do filme, válida, é relacionar os golpes militares com a intervenção estadunidense em vários países da América do Sul na época. Mas as coisas parecem estar tão longe de um desenho lógico, tão fora de ordem, que a informação sobra deslocada e menos relevante do que é.
Mesmo com todos os problemas, não há como negar a importância do documentário. É o tipo de filme que vale a pena ver para conhecer mais sobre a história do Brasil e dos países vizinhos e de todo o atraso que a ditadura militar causou à sociedade.
Como uma ferida aberta, que dificilmente cicatrizará, este momento histórico ainda renderá muitos filmes. Mas seria bom se filmes com a proposta, o potencial e o material de Perdão Mister Fiel fossem melhor aproveitados, cinematograficamente, das próximas vezes.
Fora das telas, a comissão de Diretos Humanos do Senado Federal, presidida por Cristóvam Buarque, vai realizar uma audiência pública para discutir o documentário. O diretor Jorge Oliveira e o agente Marival Chaves estarão presentes.
Um Grande Momento
Desmascarando a falsa democracia dos atos de Geisel com falas do próprio.
Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)
Festival de Brasília: Filme
Documentário
Direção: Jorge Oliveira
Elenco: Roberto de Martin, Alice Stefãnia, Similião Aurélio
Roteiro: Jorge Oliveira
Duração: 95 min.
Minha nota: 3/10
Por
Cecilia Barroso
em
19.11.09
(Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano, BRA, 2009)
Depois de onze anos de muito trabalho, o diretor Henrique Dantas, exibiu ontem pela primeira vez para o público seu documentário Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano, sobre o grupo musical Novos Baianos.
Entre depoimentos dos integrantes e de personalidades musicais, imagens antigas e trechos de um documentário feito para tv alemã nos anos 70, conhecemos a história do grupo, desde sua criação até seu término.
A aventura dos baianos tentando alcançar o sucesso, depois da Tropicália e nos difíceis anos da ditura militar, é contagiante e encontra muito de sua força na influência de João Gilberto na percepção musical e no modo de fazer música dos então meninos.
Sem depoimento do pai da bossa-nova, cabe a Tom Zé explicar, a sua maneira, o que significou tudo aquilo para a música. Com seu jeito todo especial (e apropriado) de entender a música, ele fala do que João e os Novos Baianos representam para a Música Popular Brasileira.
Além do que é dito, o filme tem um desenvolvimento regular e consegue criar um vínculo com os que o assistem, principalmente por seu humor. Talvez aposte demais em imagens de ligação que não são tão necessárias assim, mas nada que prejudique o resultado final.
Vendo todos os integrantes darem os seus depoimentos, impossível não perceber a ausência de Baby do Brasil, a representante feminina do grupo. Nos créditos finais, o letreiro avisa que ela não autorizou o uso de suas imagens.
Quando perguntado, no debate após o filme, Henrique Dantas afirmou que o material gravado com ela era fantástico, mas como não houve acordo, teve que ficar de fora do filme. O acordo envolveria um pagamento de cachê.
Pior para ela, que ficou de fora de um delicioso documento da nossa música que, além de toda a força musical, demonstra um modo de viver a vida completamente diferente e faz, de certo modo, o retrato de uma geração.
Um Grande Momento
Qualquer um que tenha o Tom Zé.
Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)
Festival de Brasília: Filme
Documentário
Direção: Henrique Dantas
Roteiro: Henrique Dantas, Bau Carvalho
Duração: 75 min.
Minha nota: 6/10
Por
Cecilia Barroso
em
18.11.09
(Lula, o Filho do Brasil, BRA, 2009)
É estranho dizer que um filme não é eleitoreiro, se a data escolhida para seu lançamento é justamente o último ano de mandato do seu personagem principal e começo de campanha eleitoral. Também é estranho avisar a seus espectadores que não existe verba estatal e incentivo fiscal no dinheiro levantado, se todas as empreseas patrocinadoras , ou pelo menos a maioria delas, são vencedoras de licitações milionárias e tem um vínculo mais forte com o governo do que os próprios políticos.
Ainda assim, a idéia de Barretão ao produzir o filme do filho parece ter sido mesmo ganhar dinheiro (muito) e a do filho, fazer as pazes com a crítica e o público depois de estrondosos desastres. Então, nada mais fácil do que pegar a história de superação daquele que saiu do nada e se tornou presidente da República.
Lula, queiram ou não, é realmente um fenômeno. Seu carisma e popularidade junto a todo o sofrimento de sua vida fazem a diferença e chamam a atenção de todos.
O filme conta sua história desde o nascimento até seus anos como lider sindical, terminando antes da fundação do Partido dos Trabalhadores. Passagens de sua vida, com uma infância no sertão pernambucano, a viagem em pau-de-arara para São Paulo, a vida na pobreza, enchentes, o pai alcóolatra e violento, o acidente de trabalho e a viuvez precoce entre outros, são retratadas em detalhes.
Mesmo com uma super história, o resultado final tem muita coisa fora do lugar. Para começar, a duração excessiva. Por mais história que tenha, pelo menos uns 20 minutos poderiam ser cortados do filme sem grandes prejuizos.
Diálogos piegas, uma trilha sonora opressiva e manipuladora e muitos flashbacks demonstram que o que o diretor queria era que as pessoas se emocionassem a qualquer custo. Como se fosse necessário qualquer artifício para isso com uma história daquelas.
Algumas coisas conseguem se salvar. Há bons momentos, como o discurso no estádio em que, para que todos escutem, os primeiros vão gritando para as fileiras de trás o que Lula está dizendo. Ainda que tenha acontecido realmente, é uma bela cena de cinema.
Glória Pires está ótima como Dona Lindu e Milhem Cortaz também diz ao que veio como o pai Aristides, mas é Rui Ricardo Dias que chama a atenção de todos como Luís Inácio. Vindo do teatro, o ator consegue se transformar aos poucos naquele Lula de anos atrás.
No fim das contas, a história excelente merecia um diretor melhor, mas, forte, sobrevive bem ao que tem. E Lula, o Filho do Brasil, mesmo sendo irregular, ainda tem chance de fazer sucesso com o público, tanto por sua estratégia de lançamento (serão 500 salas no Brasil todo), como pela popularidade de seu retratado.
Mas isso só saberemos depois.
Um Grande Momento
O discurso no estádio .
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Drama
Direção: Fábio Barreto
Elenco: Rui Ricardo Dias, Glória Pires, Milhem Cortaz, Lucélia Santos, Juliana Baroni, Cléo Pires, Antonio Saboia, Marcos Cesana
Roteiro: Denise Paraná (livro), Fernando Bonassi, Daniel Tendler
Duração: 128 min.
Minha nota: 5/10
Por
Cecilia Barroso
em
18.11.09

Começou ontem (17), no Teatro Nacional e com uma noite que não poderia ser mais tumultuada, o 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A espera calorenta dos convidados foi seguida de muito empurra-empurra, falta de organização e reclamações.
Como prenúncio de uma noite perigosamente lotada, a desorganização marcou a entrada no teatro. Muita gente se amontoou em frente à porta de acesso e, sem opção de sair ou entrar, foi se espremendo em um funil, que liberava, talvez com medo que alguém saísse rolando rampa abaixo ou fosse pisoteado, um convidado por vez.
A escolha do filme Lula, o Filho do Brasil trouxe muito mais gente para dentro da sala de exibição do que o permitido. Depois de esgotados os acentos, as escadas foram se entupindo e as laterais foram tomadas por pessoas que, sem cadeira e nem chão, encostavam-se nas paredes para conferir o filme, de 128 minutos, em pé mesmo.
Entre os convidados, que diferente dos outros anos não abriram mão dos convites recebidos, muitos jornalistas (alguns setorizados em política e que nunca escreveram sobre cinema), políticos e atores globais. Até a primeira dama, Dona Marisa, estava presente para conferir o filme sobre seu marido.
Como em quase todo ano, o protesto fez parte da noite. Logo no começo da apresentação, um grupo subiu ao palco com uma faixa pedindo a libertação de Cesare Battisti. A manifestação não foi bem recebida pelo público.
Uma apresentação da Orquestra Sinfônica de Brasília regida pelo maestro Ira Levi, fazia parte da programação. Asa Branca, a primeira música da noite, foi anunciada como composição de Luiz Gonzaga, sem nenhuma menção a Humberto Teixeira, ainda que a filha do compositor, a atriz Denise Dumont estivesse na platéia como convidada do Festival.
Antes do início da projeção, a equipe do filme subiu ao palco para os agradecimentos usuais. Preocupado com o número de gente na sala, o patriarca de família e produtor do filme, Luiz Carlos Barreto chamou atenção para o risco de uma sala lotada como estava o teatro e propôs uma nova sessão, logo após aquela para as pessoas que estivessem sem acento.
O público não aceitou a proposta. Enquanto Barretão andava de um lado para o outro contrariado, sua filha, a também produtora Paula Barreto, fazia os agradecimentos. Fábio Barreto, diretor do filme não se conteve e, antes que ela terminasse, pegou o microfone.
Bem nervoso, ele queria que pelo menos 30 pessoas levantassem e ficassem para a próxima sessão. "O elenco está aqui em pé e não tem onde sentar". Se Barretão já havia sido vaiado sendo educado e usando motivos muito mais justos, tal declaração irritou as muitas pessoas que estavam na sala.
Ainda no tumulto, alguns atores conseguiram se sentar e a sessão começou. No final, entre vaias e tímidos aplausos, o desconforto parece não ter valido a pena para muitos.
A saída foi muito mais sufocante e perigosa.
Uma falha da organização que além de distribuir muito mais convites do que devia, não soube organizar a entrada e muito menos guardar o lugar das celebridades e autoridades que estariam presentes. Sem falar na já comentada falta de sinalização de saídas de emergência e na ausência completa de bombeiros e paramédicos no local.
Ainda bem que nada de mais grave aconteceu, pois qualquer motivo de tumulto seria bem complicado.
Por
Cecilia Barroso
em
17.11.09
(2012, EUA, 2009)
Megalomaníaco! Esta é, sem dúvida, a melhor definição para Roland Emmerich. O cara gosta de coisas grandes e filmes como Independence Day, Godzilla, O Dia Depois de Amanhã e 10.000 a.C. não o intimidam. Pelo contrário, parece que quanto mais justificativa para o uso de mega efeitos especiais, melhor.
Não por acaso, ele é hoje o maior representante do cinema catástrofe. A destruição e o desespero funcionam bem em suas mãos, ainda que utilizem sempre a mesma estrutura e só variem de motivo climático.
Seu filme mais atual, 2012, fala mais uma vez do fim do mundo. Cumprindo uma profecia Maia, o alinhamento de planetas e mudanças no comportamento do sol são responsáveis pela destruição da Terra como é conhecida hoje.
Claro que a humanidade está salva, pois um cientista descobre tudo que vai acontecer com alguma antecedência e providências começam a ser tomadas. Claro também que uma família meio capenga, com um pai ausente, é encarregada de fazer a ligação do público com o que está sendo visto na tela.
Junto com efeitos especiais de tirar o folêgo e muitas imagens excitantes, o filme consegue se recuperar da primeira parte lenta e quase entediante e se transforma em uma saco de clichês bem divertido de ser acompanhado.
Diálogos que já ouvimos milhares de vezes, como o discurso do Dr. Adrian Helmsley sobre o sentido de humanidade ou a despedida do casal que só se acerta no final; animais indefesos e equilibristas; notícias de telejornais pelo mundo (inclusive é assim que vemos o Cristo Redentor se desfazer) e personagens que parecem emprestados de outros finais de mundo constróem um filme que está muito mais preocupado em impressionar do que em passar alguma mensagem.
E cumpre bem sua missão. Durante quase três horas o público ri das situações estapafúrdias e das fugas impossíveis, mas não consegue ficar quieto na cadeira enquanto algum evento não se resolve.
Bobagem pipoca que só deve ser vista por aqueles que se propõe a isso. Quem quiser alguma coisa mais séria, pode procurar outra sessão.
Emmerich segue sua carreira de destruidor do mundo megalomaniaco. Sem os efeitos especiais, ele ainda não conseguiu ser levado muito a sério, mas nem precisa também.
Um Grande Momento
A melhor limosine do mundo.
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Ação
Direção: Roland Emmerich
Elenco: John Cusack, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor, Thandie Newton, Oliver Platt, Woody Harrelson, Danny Glover, Liam James, Morgan Lily
Roteiro: Roland Emmerich, Harald Kloser
Duração: 158 min.
Minha nota: 6/10
(Coco Chanel & Igor Stravinsky, FRA, 2009)
Existem pessoas que parecem viver a vida sempre à frente de seu tempo. Dois exemplos claros são Coco Chanel, a mais famosa dos estilitas do mundo, e Igor Stravinsky, o compositor que ousou e deu um novo sentido à música clássica.
O suposto affair entre os dois é o tema principal do filme que leva o nome do casal e deve ser lançado em breve nos cinemas brasileiros, além de marcar presença nos maiores festivais internacionais do país.
Para falar dos dois e desta paixão dois pontos eram fundamentais: a fotografia e a trilha sonora. Jan Kounen sabia bem disso e não se importou em deixar alguns pontos em segundo plano para construir um universo estonteante de sombras, cores, traços simétricos e muita música.
A história, muito mais de Stravinsky do que de Chanel, tem seus pontos altos, mas sofre com um ritmo incerto e com a ausência de conflitos mais envolventes. O compasso também não é muito respeitado e se a primeira parte é detalhista ao extremo, chegando a ser arrastada, o final acontece tão rápido que era melhor ter ficado de fora na ilha de edição. Principalmente por ser mais um exemplar do péssimo efeito do envelhecimento dos personagens pela maquiagem.
O elenco também não é tão regular como deveria e, embora as atuações de Mads Mikkelsen e Anna Mouglalis como o casal principal não comprometa, o grande destaque do filme é Yelena Morozova, que dá vida à comedida e reservada Catherine Stravinsky.
Entre os acertos, impossível não falar da fotografia de David Ungaro, do figurino de Chattoune e Fab e de toda a (re)criação visual de Marie-Hélene Sulmoni.
Com alguns acertos e tropeços, o filme vale o ingresso por todo o seu visual e pela música de Stravinsky. Além de ser uma boa maneira de conhecer um pouco mais desses dois personagens tão importantes e marcantes da história comtenporânea.
Um Grande Momento
A carta.
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Gênero
Direção: Jan Kounen
Elenco: Mads Mikkelsen, Anna Mouglalis, Yelena Morozova, Erick Desmarestz
Roteiro: Chris Greenhalgh (romance), Carlo De Boutiny, Jan Kounen
Duração: 120 min.
Minha nota: 5/10
Por
Cenas de Cinema
em
16.11.09
Começa amanhã (17) a 42ª edição do mais antigo festival de cinema do Brasil, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
O filme programado para a sessão de abertura, só para convidados, é Lula, o Filho do Brasil, dirigido por Fábio Barreto, e promete levar muito mais gente do que o usual para o Teatro Nacional. Dizem que até o próprio presidente vai estar presente.
Com todo o bafafá que vem causado por ter seu lançamento agendado para o ano eleitoral, o filme conta a história de Lula antes de chegar ao poder. Deixando de lado a força política de uma obra que fala do atual presidente em clara campanha para eleger sua sucessora, a história tem tudo para ser interessante, mas claro que o nome de Fábio Barreto é sempre uma preocupação a mais. Quem viu A Paixão de Jacobina, Bela Dona e Nossa Senhora do Caravaggio sabe bem o porquê.
Confirmando a tendência do ano passado, o número de documentários selecionados para a mostra competitiva de longas é bem maior do que a de obras ficcionais. Os quatro concorrentes documentais são A Falta que Me Faz, de Marília Rocha, sobre as adolescentes da Cordilheira do Espinhaço; Filhos de João, Adorável Mundo Baiano, de Henrique Dantas, sobre a MPB dos anos 60 e 70; Perdão Mister Fiel, de Jorge Oliveira, sobre a morte do operário comunista Manoel Fiel Filho, na ditadura militar, e Quebradeiras, de Evaldo Mocarzel, sobre as quebradeiras de coco de babaçu.
A ficção vem representada pelos filmes É Proibido Fumar, de Anna Muylaert com Glória Pires e Paulo Miklos, e O Homem Mau Dorme Bem, de Geraldo Moraes, com Luiz Carlos Vasconcelos.
Se os documentários são maioria entre os longas, o mesmo não acontece na seleção de curtas 35mm. Entre os títulos estão as ficções A Noite Por Testemunha, de Bruno Torres; Água Viva, de Raul Maciel; Amigos Bizarros do Ricardinho, de Augusto Canani; Azul, de Eric Laurence; Carreto, de Marilia Hughes e Cláudio Marques; Dias de Greve, de Adirley Queirós; Homem-Bomba, de Tarcísio Lara Puiati; Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho, e Verdadeiro ou Falso, de Jimi Figueiredo.
Os curtas de não-ficção são Ave Maria ou Mãe dos Sertanejos, de Camilo Cavalcante; Bailão, de Marcelo Caetano, e Faço de Mim o Que Quero, de Sérgio Oliveira e Petrônio de Lorena.
Além dos filmes de 35mm, há ainda os selecionados na Mostra Competitiva Digital e na Mostra Brasília Digital. Oficinas e seminários também acontecem paralelamente.
A cerimônia de encerramento do Festival acontece dia 24 de novembro, com a premiação dos vencedores no Cine Brasília e a exibição do curta-metragem Brasília, Capital do Século, de Gerson Tavares, filmado em 1959, e o longa Brasília, a última utopia, produzido por José Pereira e divido em seis episódios: Paisagem Natural, de Vladimir Carvalho; O Sinal de Cruz, de Pedro Jorge de Castro; A Capital dos Brasis, de Geraldo Moraes; A Volta de Chico Candango, de Roberto Pires; Além do Cinema do Além, de Pedro Anísio; e Suíte Brasília, de Moacir de Oliveira.
Terminou ontem (15), a décima primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Brasília. Depois de um coquetel para o público, a cerimônia de encerramento teve início com o desfile da coleção outono/inverno do Curso de Design de Moda de uma faculdade da cidade.
A cerimônia marcou também o último dia do Ano da França no Brasil, iniciado em 21 de abril.
O grande vencedor do FIC Brasília 2009 foi o estadunidense Prince of Broadway, premiado com o Troféu Buriti. O Prêmio TV Brasil ficou com Insolação, de Daniela Thomas e Filipe Hirstch.
Várias menções honrosas foram distribuídas pelos júri internacional e da TV Brasil. Lucía Puenzo foi lembrada por sua direção em El Niño Pez; Elsa Amiel, por sua atuação em Nulle part terre promise, e Tulpan, de Sergei Dvortsevoy, recebeu um prêmio especial.
Entre os brasileiros, o prêmio especial foi para Os Famosos e os Duendes da Morte, de Esmir Filho. A menção pela excelência técnica ficou com o diretor de fotografia Mauro Pinheiro Jr., que tinha três trabalhos completamente diferentes no festival: Insolação, Os Famosos... e No Meu Lugar. O filme de Eduardo Valente também levou para casa outra menção honrosa pelo trabalho do ator Márcio Bito.
Após a premiação, o filme Coco Chanel e Igor Stravinski, de Jan Kounen, encerrou a noite.
Por
Cecilia Barroso
em
15.11.09
(Five Minutes of Heaven, GBR, 2009)
A Irlanda é um daqueles países que tem uma história de muito sangue derramado. O conflito religioso entre os católicos e protestantes do local gerou inúmeras vítimas e causa sofrimento até hoje com a marca de todas essas mortes.
Five Minutes of Heaven volta às marcas desta guerra civil e, com uma história ficcional, toca na ferida aberta de mortes despropositadas e do efeito de uma delas, especificamente, na vida de dois envolvidos.
Alistair Little era guerrilheiro e, para provar seu valor ao seu grupo, assassina o filho de uma família católica, sem medir consequências de seu ato e sem dar muita importância para a presença do irmão caçula da vítima, Joe Griffen, que presencia os disparos.
Vinte cinco anos depois, os dois estão prestes a se encontrar em um programa sensacionalista que ganha dinheiro e audiência ao mostrar reconciliações. Enquanto Little carrega o peso da culpa e do olhar assustado da criança, Griffen não vê a hora de se vingar da devastação de sua mãe, que sempre o culpou por não ter feito nada na noite do crime.
Ainda que tenha um bom roteiro, consiga despertar alguma ansiedade no público e conte com boas atuações de Liam Neeson e James Nesbitt, o filme parece não confiar em sua essência. A sensação de que alguma coisa está faltando na história e na criação dos personagens persiste até o final da projeção e o que poderia ser uma experiência interessante vira mais um filme de drama psicológico, sem muitas novidades e sem muita coisa a dizer.
Uma boa pedida para aqueles que gostam de filmes do gênero e conhecem um pouco da sangrenta história irlandesa, mas para ser vista sem grandes expectativas.
Um Grande Momento
Quando acaba.
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Drama
Direção: Oliver Hirschbiegel
Elenco: Liam Neeson, James Nesbitt, Anamaria Marinca, Juliet Crawford, Niamh Cusack, Mark David, Richard Dormer, Katy Gleadhill
Roteiro: Guy Hibbert
Duração: 90 min.
Minha nota: 6/10
Por
Cecilia Barroso
em
15.11.09
(Madeo, KOR, 2009)
Mother é um daqueles filmes que conquistam a platéia logo na primeira cena. A imagem belíssima e a música criam o clima para uma mulher que dança despreocupada no campo. De cara, nos conectamos àquela mulher e prestamos atenção em tudo que ela tem para nos dizer.
Uma mãe luta para proteger o seu filho, portador de alguma deficiência mental. Ela faz de tudo para ele e o trata como se tivesse medo do que o mundo pode fazer com seu rebento. Ele quer se libertar e sai por aí aprontando, tentando provar que é capaz de conseguir fazer as mesmas coisas que os outros da sua idade.
Em uma noite que a mãe fica com o coração apertado em casa, o jovem sai para se encontrar com um amigo e acaba sendo acusado de um crime. Com o caos armado, ela tem que provar que tudo não passa de um equívoco.
O amor daquela mãe transcende a imagem projetada, o que começara com uma singela dança, adquire o ritmo frenético de um bom filme de ação e mais uma vez o cinema sul-coreano chama a atenção do mundo.
O roteiro, todo muito bem amarrado, não precisa lançar mão de artifícios para se justificar e capricha na construção de cada um dos personagens. A atuação de Hay-ja Kim, como a desesperada mãe, é cheia de nuances e momentos e se concretiza como uma das mais perfeitas do ano.
Diferente do que estamos acostumados, Mother, mesmo sendo um suspense, tem um cuidado extremo com os quadros e o tempo dos planos e, além de chamar a atenção e encher os olhos, ainda conta com a montagem ágil e precisa que o gênero exige.
Um filme tão apaixonante que é difícil falar dele sem se lembrar de tudo o que foi sentido na sala de projeção. Para ser visto, revisto e aproveitado em cada detalhe.
Um Grande Momento
Dançando no campo.

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Suspense
Direção: Joon-ho Bong
Elenco: Bin Won, Hye-ja Kim, Ku Jin
Roteiro: Eun-kyo Park, Wun-kyo Park, Joon-ho Bong
Duração: 128 min.
Minha nota: 9/10
(No Meu Lugar, BRA, 2009)
Uma abordagem policial mal-sucedida é o ponto de convergência entre três histórias de vida no Rio de Janeiro.
Diferente da abordagem tradicional de bandido e mocinho, o diretor Eduardo Valente não se atém à necessidade de definir valores para cada um dos envolvidos na trama e desperta o interesse do públioo ao optar pelo multiplot (narrativa com mais de um núcleo).
Uma casa em Laranjeiras é o local onde vários momentos temporais diversos se encontram. Dramas familiares, incompreensões e o sofrimento de histórias separadas acabam todos ali e fazem parte de um retrato da atual violência local, que apesar de não ser explícito, está em todos os lugares.
A montagem precisa de Quito Ribeiro é fundamental para o filme, assim como o roteiro elaborado, uma parceria de Valente com Felipe Bragança, que cria personagens interessantes, apesar de cair na tentação de mostrar demais o que já estava claro e de acreditar em diálogos pouco críveis.
A arriscada opção por uma fotografia escura, bem conduzida por Mauro Pinheiro Jr, é coerente, assim como a trilha sonora, que não tem problemas ao invadir tempos que não são lineares.
Os atores, bem à vontade nos papéis, também são um ponto positivo do filme.
Mesmo com tantas qualidades e com o mérito de ser um filme que pode ser consumido pelo grande publico, Em Meu Lugar tem alguns deslizes incômodos. A necessidade de explicitar a ligação dos eventos é o mais grave deles, principalmente quando feitos à insistência (garrafa de whisky); o apelo em alguns diálogos que tentam apimentar o que já é suficientemente complexo (pai e filha na praia) e a manutenção de cenas menores longas demais.
Mas é um bom exemplar do novo cinema nacional, que está buscando novas formas de se contar uma história. Além disso, só por ser uma nova abordagem do problema da violência urbana já merece ser conhecido.
Um Grande Momento
O que não vemos.
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Drama
Direção: Eduardo Valente
Elenco: Marcio Vito, Dedina Bernardelli, Luca de Castro, Luciana Bezerra, Licurgo Spinola, Malu Rocha, Raphael Sil
Roteiro: Eduardo Valente, Felipe Bragança
Duração: 113 min.
Minha nota: 6/10
(Ricky, FRA/ITA, 2009)
O mais interessante dos contos de fadas é como as coisas, por mais feias e inaceitáveis que sejam, adquirem ares de mágicas e envolventes. A traição, o abandono e a perversão, envoltos em uma aura de sublime, parecem transmitir melhor uma mensagem.
Não é comum se ver hoje em dia contos de fadas assumidos com esta estrutura e características. No cinema, ainda que o meio possibilite uma viagem interessante com a mistura e a transformação de objetos, não há muitos exercícios e, na maioria das vezes que tem em si a vontade de criar fábulas fantásticas, limita-se ao estilo Disney de contar uma história, esvaziando seu sentido em prol do visual.
O jovem cineasta francês François Ozon, com sua mania de passar por todos os estilos, resolveu voltar às antigas metáforas e criou a história de Ricky, um bebê muito especial que muda completamente a vida de uma família.
Katie vive sozinha com a filha de sete anos, Lisa, no subúrbio parisiense. Na fábrica em que trabalha, se apaixona por um colega, Paco, e em pouco tempo eles resolvem morar juntos e ela engravida de Ricky, um bebê fofo, que chora demais.
Na primeira metade do filme, o que se vê é mais um drama familiar, como muitos outros, e embora a história seja envolvente, nada chama muita atenção. As coisas mudam radicalmente na segunda metade do filme, quando o fantástico toma lugar e tudo que estava tão confortável, passa a não fazer nenhum sentido.
Mesmo com todas as dicas dadas, o público assiste incrédulo a todas as transformações e leva um tempo, depois dos créditos para alguns, para aceitar tudo aquilo que acaba de assistir.
Tecnicamente, o filme está todo no lugar, com bons enquadramentos e um uso interessante da cor, mas sofre com um exagero de trilha aqui e outro lá.
Como é comum no cinema francês, as atuações são pontos altos, com destaque para Alexandra Lamy, que dá vida à sofrida e apaixonada mãe, e, principalmente, para a pequena Mélusine Mayance, fantástica como a independente e solitária Lisa.
Excelente pedida, Ricky, assim como os contos que fizeram parte da infância de cada um, é um filme que busca fantasiar uma dura realidade e sabe conquistar quem o assiste, mas estranhamentos podem e vão acontecer.
Um Grande Momento
Voa, Ricky, voa.
Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)
Festival de Berlim: Urso de Ouro
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Drama
Direção: François Ozon
Elenco: Sergi López, Alexandra Lamy, Mélusine Mayance, Arthur Peyret, André Wilms, Jean-Claude Bolle-Reddat
Roteiro: François Ozon
Duração: 90 min.
Minha nota: 7/10
Por
Cecilia Barroso
em
14.11.09
(A Fuga, a Raiva, a Dança, a Bunda, a Boca, a Calma, a vida da Mulher Gorila, BRA, 2009)
O cinema depende muito da relação de cada indivíduo com o mundo, de tudo o que já foi vivido e das crenças individuais. É comum que um filme signifique muito para um e não tenha a menor importância para o outro. Algumas produções são adoradas e odiadas ao mesmo tempo, umas incomodam estes, mas não estabelecem vínculos com os outros.
A Fuga da Mulher Gorila, ganhador da última Mostra de Cinema de Tiradentes, coleciona críticas positivas e fãs, mas não conseguiu me envolver o suficiente para embarcar na viagem da mulher que abandona o marido e o filho recém-nascido e sai em viagens mambembes pelo país com sua irmã apresentando shows da Mulher Gorila.
A viagem é a busca constante por um objetivo de vida e traz, junto com as frustrações pelo desconhecimento do nosso papel no mundo, um quê de nostalgia, tanto pela figura da Mulher Gorila, transformação presente nos parques de nossa infância, como pelas muitas marchinhas de carnaval lembradas.
Tudo muito no prumo e feito com muita dedicação, mas que foi atrapalhado pelo ritmo excessivamente lento e por detalhes que mais distraíram do que acrescentaram. Enquanto belos quadros, como o do ator prestes a entrar em cena como gorila ou das duas irmãs abraçadas no meio do verde, enchem os olhos, outros momentos, como o encontro com o marido numa espécie de carrocinha de cachorro-quente e a lavagem da fantasia; incomodam pela falta de verdade e acabam nos tirando do filme.
A trilha sonora by Raf Electronics, empresa que domina o mercado de videokê no país, também não ajudou muito.
Mas é um longa corajoso ao assumir suas limitações, ao misturar os gêneros musical e road-movie, e ao não deixar de lado sua característica autoral. Embora isso retome uma antiga discussão sobre produção cinematográfica e seu acesso público.
A Fuga da Mulher Gorila chega em um momento onde a busca por identidade é tema recorrente no cinema nacional e mistura sua viagem a outras como Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, Insolação e Hotel Atlântico.
Com estilo semi-documental, pode agradar a muitos, mas precisa de paciência para assimilação e de alguns momentos de reflexão sobre o que foi visto.
Para mim, independente de ter ou não potencial, o filme ficou no meio do caminho.
Um Grande Momento
Nada tanto assim.
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Drama
Direção: Felipe Bragança, Marina Meliande
Elenco: Morena Cattoni, Flori Dias, Pedro Freire, Alberto Moura Jr.
Roteiro: Felipe Bragança
Duração: 82 min.
Minha nota: 4/10
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