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Tudo é possível em Hollywood

Por Cecilia Barroso

Chega aos cinemas o filme que rendeu o Oscar de melhor atriz à Sandra Bullock. Com cara de telefilme, a história contada é a de Michael Oher, destaque no futebol americano após ser adotado por uma família rica.

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10%

Bem temperado

Por Cecilia Barroso

A variedade cultural da Alemanha dá o tom na primeira comédia do diretor Faith Akin. A leveza do filme conquista e deixa o espectador mais leve.

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90_minutos

Presos na ilha

Por Cecilia Barroso

Com toques do bom cinema noir, Ilha do Medo, que estréia hoje nos cinemas, é um daqueles suspenses cheios de tensão psicológica e reviravoltas. Aproveite a viagem!

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Avatar

Vencedores do Oscar 2010

Por Cenas de Cinema

Em uma noite mais entediante do que animada a Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood anunciou os melhores do ano. E Guerra ao Terror foi o grande vencedor da noite.

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Oscar 2010

Framboesa de Ouro 2010

Por Cenas de Cinema

O Troféu Framboesa de Ouro chega à sua 30ª edição. Além de premiar os piores do ano, também foram escolhidos os piores da década. E Sandra Bullock cumpriu a promessa, foi receber seu prêmio.

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Sandra Bullock e a Framboesa de Ouro

Origens do mal

Por Cecilia Barroso

Com Fita Branca, Michael Haneke tenta descobrir quem foram as crianças que viraram os adultos nazistas da Segunda Guerra e de onde podem ter tirado tanto ódio e intolerância.

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Fita Branca

Amor de Mãe

Por Cecilia Barroso

Sensibilidade e ação se misturam no drama sul-coreano Mother para contar a história de uma mãe que não mede esforços e nem consequências para salvar seu único filho.

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Mother

A guerra é uma droga

Por Cecilia Barroso

Depois do lançamento espalhafatoso no mercado nacional direto em dvd, chega aos cinemas Guerra ao Terror, retrato duro da influência da guerra na vida de seus soldados.

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Guerra_terror
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Festival de Gramado: Programação


Daqui a dez dias começa o Festival de Gramado, um dos grandes festivais de cinema de país. Com várias homenagens e uma seleção de filmes bem diferente das dos últimos anos, a semana no Palácio dos Festivais de Gramado promete.

A abertura está marcada para as 17h do dia 09 de agosto. Depois de uma apresentação da OSPA - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, a atriz Dira Paes será homenageada. Logo após, o filme "Memórias do Subdesenvolvimento", de Tomás Gutiérrez Alea, será exibido.

A mostra competitiva começa no mesmo dia, às 21h, com o longa-metragem brasileiro "Quase um Tango", de Sérgio Silva.

A cerimônia de premiação acontece no sábado, dia 15 de agosto, às 21h.

A programação da semana será:

Segunda-feira - 10/08

19h - La próxima estación, longa argentino de Fernando Solanas

21h - Canção de Baal, longa nacional de Helena Ignez

Terça-feira - 11/08

17h – Mostra Competitiva de Curtas Nacionais
Pra Inglês Ver, de Vítor Granado e Robson Dias (Rio de Janeiro)
Em Terra de Cego, de João Boltshauser (Rio de Janeiro)
Quiropterofobia, de Fernando Mantelli (Rio Grande do Sul)
Doceamargo, de Rafael Primot (São Paulo)

19h - La Teta Assustada, longa peruano de Paulo Hernandez

21h - Cildo, longa nacional de Carlos Moura

Quarta-feira - 12/08

17h – Mostra Competitiva de Curtas Nacionais
A Invasão do Alegrete, de Diego Müller (Rio Grande do Sul)
Teresa, de Paula Szutan e Renata Terra (São Paulo)
Josué e o Pé de Macaxeira, de Diogo Veigas (Rio de Janeiro)
O Teu Sorriso, de Pedro Freire (Rio de Janeiro)

19h – Nochebuena, longa colombiano de Maria Camila Loboguerrero

21h – Corumbiara, longa nacional de Vincent Carelli

Quinta-feira - 13/08

17h – Mostra Competitiva de Curtas Nacionais
O Troco, de André Rolim (São Paulo)
Não me Deixe em Casa, de Daniel Aragão (Pernambuco)
Olhos de Ressaca, de Petra Costa (Rio de Janeiro)
Ernesto no País do Futebol, de André Queiroz e Thaís Bologna (São Paulo)

19h – Lluvia, longa argentino de Paula Hernandez

21h – Em Teu Nome, longa nacional de Paulo Nascimento

Sexta-feira - 14/08

19h – Gigante, longa uruguaio de Adrián Biniez

21h – Corpos Celestes, longa nacional de Marcos Jorge e Fernando Severo

Todos os dias, às 10h da manhã, a programação da noite anterior é reprisada. Além das exibições de filmes, várias homenagens estão programadas. Geraldine Chaplin, Reginaldo Faria, Walter Lima Júnior e Ruy Guerra estão entre os nomes homenageados.

Vários títulos gaúchos também participam de uma competição paralela e concorrem a vários prêmios. Outras mostras também foram elaboradas. São elas:

Panorama do Cinema

EM QUADRO - A História de 4 Negros nas Telas
Garapa
Inal Mama, sagrada y profana
Morro do Céu
Ruas da Amargura
Tudo Isso me Parece um Sonho

Mostra Música e Poesia

A Árvore da Música
Geração 65: aquela coisa toda
Palavra (En)cantada
Só dez por cento é mentira
Um Homem de Moral

O Cenas de Cinema estará lá e conferirá todos os títulos em competição.

Para mais detalhes sobre os filmes ou a programação, acesse o site do festival clicando aqui.

Inimigos Públicos

(Public Enemies, EUA, 2009)

Particularmente, gosto de filmes de gângster. Graças à trilogia Poderoso Chefão de Coppola, aos melhores filmes de Scorsese e a Scarface de Brian De Palma, criei uma admiração por filmes do gênero e só isso já foi o suficiente para gerar uma expectativa pelo novo filme de Michael Mann estrelado por Johnny Depp.

A história também prometia. John Dillinger ficou conhecido com o maior ladrão de banco dos Estados Unidos. Reza a lenda que dois minutos eram tempo bastante para ele limpar o cofre de uma instituição. No auge do crash da bolsa, quando os bancos eram mal-vistos por todos os cidadãos, Dillinger era visto pela população como uma espécie de Robin Hood e provocava furor por onde passava, já que não roubava de clientes e, mesmo que deixasse uma trilha de policiais mortos após seus assaltos, não fazia mal a seus reféns.

Se de um lado tinhamos o bandido, mesmo admirado por todos ele não deixava de ser um bandido, de outro tinhamos o início do FBI e seu diretor, J. Edgar Hoover, conhecido por métodos nada ortodoxos e uma vaidade absurda. Sem se importar com os meios utilizados, ele criou um esquadrão unicamente para capturar Dillinger e designou seu comando ao investigador Melvin Purvis.

O filme de Michael Mann, com roteiro de Ronan Bennett, Ann Biderman e do próprio, sabe como mesclar fatos reais às liberdades poéticas. Em seus 140 minutos consegue trazer muita ação às fugas, assaltos e perseguições e ainda desenvolve bem cada um de seus personagens.

E mais, consegue demonstrar toda a ambivalência da relação mocinho-bandido e é contundente ao mostrar que se dizer de um lado ou de outro não o faz menos perigoso e nocivo à sociedade. O que parece tratar do caso de duas criaturas de ego inflado como Dillinger e Hoover e de um meio de campo obstinado e perdido, como Purvis, remete a uma realidade muito mais recente dos Estados Unidos. Mais precisamente à era Bush filho.

Como em toda a obra do diretor, a câmera é responsável por muito mais do que uma simples exibição do que está acontecendo. Os enquadramentos fechados, quase sufocantes, deixam o público perto daquela realidade e a câmera nervosa, instável, aumenta essa sensação. A opção pela câmera digital nas cenas de ação também é excelente e confirma o domínio de Mann sobre a nova tecnologia, sabendo usá-la sempre na medida certa.

A atuação de Johnny Depp, como era de se esperar, é sublime. Depois de uma sequência de personagens exóticos como o pirata Jack Sparow, o doceiro Willy Wonka e o barbeiro vingativo Sweeney Todd, ele interpreta novamente uma personagem comum e diz sempre tanto com seu olhar e sua postura que não há como negar que ele seja um dos maiores atores da atualidade.

Ao seu lado a bela e delicada Marion Cotillard que, na pele de Billie Frechette, consegue transmitir seu deslumbramento, sua insegurança e sua força em pequenos gestos. Billy Crudup está muito bem como Hoover e consegue fazer com que seu personagem não mereça mais do que a desconfiança e uma vontade de rir incessante. Outros grandes nomes estão presentes.

O problema do casting está em Christian Bale. Embora tenha criado uma legião de fãs pelo mundo com seus papéis blockbuster de Bruce Wayne e John Connor, ele não consegue ser tão expressivo para mim. Talvez por sua dicção tão característica, parece sempre ser o mesmo personagem, independente se está em um western, um filme de gângster, uma comédia ou uma ficção científica. Não que seja ruim, é correto, apenas, e ser só correto nesse filme acaba destacando negativamente.

A trilha sonora é irregular. Enquanto contamos com belíssimas músicas da sempre poderosa Billie Holiday, entre elas Bye Bye Blackbird, Love Me or Live Me e The Man I Love, existe um exagero na utilização das composições originais de Elliot Goldenthal, principalmente no começo do filme.

Outra coisa que incomoda um pouco é o uso de efeitos especiais no final do filme. Muito bem feitos, é verdade, mas desnecessários. Ainda assim é um filmão, com muito mais qualidades do que defeitos.

Um bom motivo para ir ao cinema, ainda que a narrativa possa ser considerada cansativa por muitos. O visual digital de Mann, ainda que seja inovador, também não é nenhuma unanimidade.

Mas, ainda assim, merece ser conhecido por todos.


Um Grande Momento

A conversa entre as grades de Dillinger e Purvis.



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Site OficialIMDb

Ação
Direção: Michael Mann
Elenco: Johnny Depp, Christian Bale, Billy Crudup, Marion Cotillard, James Russo, David Wenham, Christian Stolte, Stephen Dorff, Giovanni Ribisi, Shawn Hatosy, Adam Mucci, Stephen Graham, Stephen Lang, Matt Craven, Lili Taylor, Leelee Sobieski, Bill Camp, John Ortiz, Diana Krall
Roteiro: Ronan Bennett, Michael Mann, Ann Biderman
Duração: 140 min.
Minha nota: 8/10

Como Água para Chocolate

(Como agua para chocolate, MEX, 1992)

É possível juntar em um mesmo filme rigorosas tradições, revolução mexicana, amores proibidos e culinária? O filme mexicano "Como Água para Chocolate" do diretor Alfonso Arau, baseado em um livro de sua mulher Laura Esquivel, que também assina o roteiro, prova que sim. E com uma sensibilidade impressionante.

Tita é a filha mais nova de Elena e, por isso, tem que permanecer solteira para cuidar da mãe na velhice. Porém, Tita se apaixona por Pedro e ele por ela. Depois da proibição do casamento, para não ficar distante, ele decide aceitar a oferta de Elena e se casa com uma das irmãs de sua paixão.

Com um roteiro fantástico como as obras de Gabriel García Marquez, cheio de acontecimentos inusitados e personagens que sempre são mais do que aparentam, o filme é daqueles que consquista desde os primeiros minutos.

Embora não agrade a todos os públicos, tem tanto significado em suas cenas e trata os assuntos com tanta delicadeza e sabor que quase conseguimos sentir o gosto de cada um dos sentimentos que compõe o cardápio de Tita.

A direção dos atores está na medida certa e conta com um elenco dedicado e talentoso. Uma outra surpresa é a bela fotografia assinada pela dobradinha inusitada de Steven Bernstein, que se especializou mais tarde em filmes besteirol como As Branquelas e O Pequenino, e Emmanuel Lubezki, responsável por Queime Depois de Ler, Filhos da Esperança e Desventuras em Série.

Amor, misticismo, crenças, tradição e esperança com muito sabor. Uma excelente pedida quando a vontade é de ver um filme que fale singelamente de muitas coisas.


Um Grande Momento

O bolo triste.



Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

BAFTA
: Filme em Língua Estrangeira

Globo de Ouro: Filme em Língua Estrangeira

Goya: Filme Estrangeiro em Língua Espanhola

Festival de Gramado: Filme Latino, Escolha da Audiência, Atriz (Lumi Cavazos), Atriz Coadjuvante (Claudette Maillé)

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IMDbAdoro CinemaSubmarino

Drama
Direção: Alfonso Arau
Elenco: Lumi Cavazos, Marco Leonardi, Regina Torné, Mario Iván Martínez, Ada Carrasco, Yareli Arizmendi, Claudette Maillé, Pilar Aranda
Roteiro: Laura Esquivel
Duração: 105 min.
Minha nota: 7/10

Só pode ser o Max Payne

Em julho recebi um envelope estranho, uma tatuagem com asas e um aviso: "Vickings used to wear them for protection... they're coming."

Depois de lembrar do capacete do Thor e de outras coisas com asas parecidas e nórdicas, acabei parando nas valquírias. Imediatamente lembrei de Valkyr, a droga fabricada pela empresa Aesir em Max Payne.

Aí o pai Google entrou na história e vi que várias pessoas tinham recebido a mesma carta e estavam pensando na mesma direção. O que acabou levando ao lançamento do próximo game, ambientado em São Paulo. O curioso é que se por um lado vários blogs especializados em games estavam postando a respeito, outros blogueiros de cinema também falvam sobre o recebimento da tal carta.

Ainda sem muita certeza, o próximo enigma veio dentro de uma caixa com as palavras valkyr, luping e Aesir. Duas ampolas com um líquido azul, como na foto ao lado (emprestada do blog Cinema & Afins).

Era uma espécie de confirmação das suspeitas. Com Aesir na caixa e o nome valkyr fica claro que é algo do mundo de Max Payne. Mas será que é o jogo mesmo?

A resposta ainda não chegou mas recebi um email bem interessante, de um tal de eme pe (MP):

Hi Cecilia,

We don’t know each other, but I need you to trust me.

Dont be scared. I got your email because I had access to the database of all the people who were contacted by AESIR in the last 20 days.

And YES, I know that AESIR has been sending you some “gifts”. But I strongly recommend you to ignore each and every gift this company has sent you. You should not get involved with them or their products.

I am at the final stage of my investigation and soon I will send you visual evidence hoping that you understand what the real intentions of this company are.

Im counting on you.

Best of luck,

EMEPE09
Pois é, Max Payne descobriu que eu estava recebendo coisas da Aesir e falou para eu ignorar os "presentes" já que não deveria me envolver. Ele também garantiu que estava na etapa final de sua investigação e em breve me mandaria as evidências das más intenções da companhia.

Agora a brincadeira estava nas letras em negrito. Juntanto todas elas, o resultado é o sistema de microblogging Tumblr. A página procurada também está no email, na assinatura, e lá encontramos uma outra foto e a frase: "9YA is the answer".

Será que é a data de lançamento do jogo, será que é uma outra coisa completamente diferente?

E a curiosidade continua até a próxima surpresa!

Soldado Anônimo

(Jarhead, ALE/EUA, 2005)

A dureza da guerra, sua inutilidade e as marcas que ela deixa já foram explicitadas milhares de vezes em filmes. Irônicos, tristes, repetitivos e realistas, a maioria das produções sobre o tema tem em comum aquele vazio que fica depois que os créditos sobem. A sensação é ainda pior se o conflito foi declarado durante alguma das gestões da família Bush.

Sam Mendes, um crítico costumaz da sociedade americana, viu no livro auto-biográfico do ex-mariner Anthony Swofford uma oportunidade de falar sobre a falta de propósito de uma bola fora do governo Bush pai, apesar de não conseguir deixar o filme ter tanta política como deveria.

Uma tropa de atiradores de elite é enviada ao Iraque para lutar na operação batizada como Tempestade no Deserto. Depois do rigoroso treinamento e de dias carregando armamentos pesados sob o sol escaldante do local eles esperam a hora certa para enfrentar os inimigos que nunca aparecem.

Com um visual maravilhoso, fotografado pelo craque Roger Deakins ("Foi Apenas um Sonho"), o filme traz toda a angústia de soldados que não sabem o porquê daquilo que vivenciam e tentam a todo momento não enlouquecer. A espera é realmente angustiante e com o passar do tempo, tudo fica ainda mais duro.

As atuações são o ponto alto do filme, com destaque especial para a participação de Peter Sarsgaard ("Fatal") que surpreende como o soldado que não consegue manter a sanidade. Jamie Foxx ("Colateral"), apesar do papel menor, está muito bem e Jake Gyllenhaal ("Donnie Darko"), em seu filme pós-Brokeback Mountain, mostra que apesar de algumas travas consegue variar bem o estilo.

As referências sempre tão presentes no gênero são encontradas diretamente, como quando os cadetes assistem a Apocalipse Now ou indiretamente, quando algumas cenas lembram outras produções como "Nascido para Matar".

Apesar de toda a beleza plástica e das qualidades, o longa peca, justamente, por ter uma influencia maior do que a necessária na platéia. Ao apelar por estereótipos e explicar sentimentos e ações, conduz a reflexão por onde quer e perde bastante a força.

Ainda assim, não é um filme ruim e funciona bastante. Principalmente pelo nó no estômago causado.

Um bom programa para aqueles que gostam de filmes de guerra. Os avessos ao gênero podem ver aqui um exemplar diferente do habitual.


Um Grande Momento

Sozinho com o corpo.



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Site OficialIMDbAdoro CinemaSubmarino

Guerra
Direção: Sam Mendes
Elenco: Jake Gyllenhaal, Peter Sarsgaard, Jamie Foxx, Scott MacDonald, Laz Alonso, Lucas Black, Dendrie Taylor, James Morrison, Chris Cooper
Roteiro: Anthony Swofford (livro), William Broyles Jr.
Duração: 125 min.
Minha nota: 7/10

Deadgirl

(Deadgirl, EUA, 2008)

Quem costuma ler meus comentários sobre filmes de terror sabe que eu acho a produção estadunidense uma das mais fracas que existem. Pouco criativas e dependentes de derramamento de sangue, são poucas as produções que conseguem chamar alguma atenção.

Claro que uma vez ou outra acontece alguma surpresa, mas o resultado, apesar de ter o seu valor, nunca é tão bom como o dos filmes sombrios de outros países. Por isso quando um filme como Deadgirl aparece a gente tem que mandar parar tudo e prestar bastante atenção, afinal é raro algo tão bom e cheio de significado por lá.

Dois amigos adolescentes invadem um hospício abandonado e descobrem o corpo preservado de uma garota em uma das salas do local. Embora pareça estar morta, ela ainda tem algumas reações.

A história é bizarra, mas exageros à parte, representa muito bem a juventude perdida dos tempos atuais. Com graves distúrbios morais e uma falta de limites absurda, muitos dos adolescentes hoje em dia não pensa nas consequências de seus atos e vive muito mais por seu prazer imediato.

O ambiente escolar é conhecido e bem característico dos Estados Unidos. Os grupos de bonitões e nerds são bem definidos e seus personagens seguem bem os padrões esperados. Rickie e J. T. são dois amigos inseparáveis, estão sempre meio deslocados da turma e conseguem manter um certo equilíbrio com suas diferenças de personalidade.

Tecnicamente, o filme é correto. Tem uma boa direção de arte, uma trilha sonora condizente e uma fotografia discreta, o que tem muitos méritos quando o gênero do longa é levado em conta. Os atores estão confortáveis em cena, com destaque para Shiloh Fernandez, que dá vida ao quieto Rickie.

O terror, quase pano de fundo, é eficiente e causa os sustos desejados. O roteiro é ótimo e funciona bem. Todas as situações vividas com a garota do título são muito bem trabalhadas e causam um misto de nojo e desesperança em quem acompanha a história.

Apesar de todo o pessimismo, o filme merece ser visto. Por toda a sua arte, originalidade e, principalmente, pela mensagem que sai da tela para atingir em um só golpe a cara dos espectadores.

O filme esteve presente na programação do SP Terror e de vários festivais de cinema fantástico pelo mundo. A estréia comercial acontece no próximo dia 24, nos Estados Unidos.


Um Grande Momento

Tentando acabar com o absurdo.



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Site OficialIMDb

Terror
Direção: Marcel Sarmiento, Gadi Harel
Elenco: Shiloh Fernandez, Noah Segan, Michael Bowen, Candice Accola, Andrew DiPalma, Eric Podnar, Nolan Gerard Funk, Jenny Spain
Roteiro: Trent Haaga
Duração: 101 min.
Minha nota: 8/10

Top 10 - 10 anos do Rodrigo

Há algum tempo, o Cenos de Cinema põe em prática, de forma experimental, o projeto "Crítico Mirim". Seu principal objetivo é levar crianças de várias idades ao cinema para conferir as produções voltadas para esse público. A idéia é assistir ao filme ao lado das crianças, percebendo suas reações. O que foi visto na tela é discutido e elas podem falar sobre o que as surpreendeu, encantou e frustou também.

Como o projeto ainda está na fase experimental, até o momento, o pequeno Rodrigo, meu filho, tem sido o crítico mais constante e já é conhecido pelos leitores do Cenas, onde dá suas notas e fala de suas impressões.

Amanhã esse "crítico mirim" completa seus dez anos de idade e, como não podia deixar de ser, vai receber uma homenagem do Cenas de Cinema. O top 10 da semana terá "alguns" dos títulos favoritos do pequeno Digo. Alguns porque ele diz que é impossível escolher só dez filmes, mas foi tirando daqui, tirando de lá e conseguiu chegar nos dez mais.

Agora vamos à lista. E ficam aqui os parabéns ao nosso colaborador, que a vida dele seja cheia de alegria e de ótimos filmes.

De Volta para o Futuro
(Back To The Future)

Dir.: Robert Zemeckis

De Volta para o Futuro foi lançado em 1985 e fez muito sucesso com os pré-adolescentes e adolescentes da época, entre eles eu. De uns tempos para cá, o Rodrigo resolveu que queria ver os filmes que eu mais gostava na idade dele e o primeiro assitido foi a aventura de Marty McFly. Desde então o filme entrou na lista dos preferidos dele e é sempre citado, o que comprova que existem filmes que são mesmo eternos.

A Nova Onda do Imperador
(The Emperor's New Groove)
Dir.: Mark Dindal

Antes das animações 3D dominarem completamente os cinemas, a Disney era quase unânime nos desenhos. De vez em quando ela tentava voltar ao velho formato e entre os muitos clássicos assistidos por Rodrigo, um dos mais repetidos foi o A Nova Onda do Imperador. Com ação e humor na medida certa, a história do imperador transformado em lhama pela conselheira má ganha muitos pontos com a dublagem de Selton Mello e de Marieta Severo e, apesar de não ser muito lembrado, é sensacional.

Toy Story
(Toy Story)
Dir.: John Lasseter

Toda criança tem na imaginação aquela idéia de que os brinquedos, em algum momento, ganham vida. A Pixar, revolucionando tudo que se conhecia de animação em 3D, junto com a Disney levou essa brincadeira para as telas e fez de Buzz e Woody duas figuras inesquecíveis. Sem nenhuma dúvida, foi o filme mais visto por Rodrigo nos seus primeiros anos de vida.

A Viagem de Chihiro
(Sen to Chihiro no kamikakushi)
Dir.: Hayao Miyazaki

Com a competição cada vez maior pela imagem perfeita entre a Pixar e a Dreamworks e um certo preconceito com a animação japonesa, muita coisa deixou de ser vista lá em casa. Hayao Miyazaki foi uma dessas, mesmo que todo mundo falasse que era imperdível. O teste com Castelo Animado levou o diretor definitivamente para dentro da nossa casa e, apesar de todos os seus filmes serem maravilhosos, nenhum encantou tanto como A Viagem de Chihiro.

Procurando Nemo
(Finding Nemo)
Dir.: Andrew Stanton

Um universo completamente diferente, personagens carismáticos e um texto delicioso fizeram deste título da Pixar um dos mais queridos por adultos e crianças. Depois de ver e rever várias vezes (porque se tem uma coisa que criança adora é a repetição), decorar várias falas do filme, comer o Mc Lanche Feliz só para ganhar a lembrancinha do filme e ter uma festa de aniversário do tema não dava mesmo para deixar o filme fora do top 10.

Hércules
(Hercules)
Dir.: Ron Clements, John Musker

Quando a gente é criança, uma das opiniões mais importantes é a do irmão mais velho. Brigas a parte, aquela pessoa é uma referência e seu gosto acaba influenciando naquilo que vemos, deixamos de ver e com que olhos vemos também. Hércules era um dos filmes que a irmã do Digo mais gostava quando era pequena e acabou sendo um dos que ele mais assistiu também. Toda a história de Hércules acabou despertando um interesse em mitologia e é por isso que ele sempre se lembra do filme.

Monstros S.A.
(Monsters, Inc.)
Dir.: Pete Docter

Mais um filme da Pixar que conquistou o coração dos pequenos pelo mundo na lista dos favoritos. Aqui a graça do roteiro também vem acompanhada de uma animação impressionante e de uma trilha sonora toda especial. Mike Wazowski e James P. Sullivan estiveram lá em casa em forma de toalha, camiseta, louça, escova de dentes, lancheira e muitas outras coisas.

Scooby-Doo 2
(Scooby-Doo: Monsters Unleashed)
Dir: Raja Gosnell

Depois de um tempo pegando informações daqui e dali, vendo o que os outros gostam e conhecendo vários estilos e gêneros diferentes, é normal que a busca por um estilo próprio comece a acontecer. Filmes que não chamam a atenção dos outros começam a ser buscados e, muitas vezes, entre eles aparece um que é exclusivo. Os dois Scooby Doo são filmes que agradam muito mais ao Rodrigo do que às outras pessoas da casa e, entre eles, o segundo episódio é o preferido.

O Estranho Mundo de Jack
(The Nightmare Before Christmas)
Dir.: Henry Selick

A paixão do Digo por musicais também é bem antiga. E um dos responsáveis por essa ligação ao gênero veio justamente de uma história criada por Tim Burton, quem diria. Mesmo com toda a sua aura sombria e seus personagens mórbidos, O Estranho Mundo de Jack era obrigatório pelo menos uma vez por semana. O mais engraçado é que ele sabia todas as músicas e gostava de ver a versão em inglês.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe
(Harry Potter and the Half-Blood Prince)
Dir.: David Yates

Como todas as crianças da atualidade, Harry Potter também aparece por aqui. Dos seis filmes produzidos sobre o bruxo, a dúvida foi grande para eleger um melhor. O terceiro (O Prisioneiro de Azkaban) e o quinto episódios (Ordem da Fênix) entraram na briga, mas o eleito foi mesmo o último filme, que apesar de ficar devendo na ação, foi o mais bem feito segundo o Digo.

Essa é a lista de filmes que o próprio Rodrigo escolheu. Espero que ele goste da homenagem.

Superbad - É Hoje

(Superbad, EUA, 2007)

Depois do caos causado pelo número absurdo de comédias paródias como "Todo Mundo em Pânico" e "Os Espartalhões" e de filmes onde a graça reside unicamente nos efeitos da maquiagem, como "Vovó... Zona", "Norbit" e afins, eis que surge Judd Apatow e um novo estilo de fazer comédia. Com os títulos "O Virgem de 40 Anos" e "Ligeiramente Grávidos" e uma trupe de amigos (entre eles o ator e roteirista Seth Rogen), ele mostrou que é possível sim fazer rir com coerência.

"Superbad" é produzido por Apatow e roteirizado por Rogen e Evan Goldberg. Os dois começaram a escrevê-lo durante o ginásio, deram aos protagonistas seus dois nomes e trouxeram para o papel muitos dos seus conflitos adolescentes.

O longa conta a história de três amigos que, como vários outros títulos estadunidenses, não querem chegar à faculdade virgens e tentam aproveitar a última festa do ano para resolver esse problema. As característas também não ajudam muito: Seth é gordinho, estabanado e desesperado; Evan, magricela, tímido e retraído; Fogell não é, mas se acha.

Quem viu "Pork's", "A Vingança dos Nerds" e "American Pie" já viu muita coisa do filme. Tem muita bobeira, várias piadas sexuais e alguma escatologia, mas é muito melhor do que todos os outros. A diferença vem justamente do roteiro que não se deixa levar pelas piadas e acaba criando uma história que vai além do comum em filmes sobre o tema.

A direção de Gregg Mottola consegue dar a liberdade aos atores, mas ao mesmo tempo mantém a situação controlada para que nada dure muito mais do que o necessário. O elenco é um atrativo à parte. O trio Michael Cera ("Juno"), Jonah Hill ("Uma Noite no Museu 2") e Christopher Mintz-Plasse ("Faça o que eu Digo, Não Faça o que Faço") funciona tão bem que parece estar junto já há algum tempo e cada um tem o seu brilho individual e seus momentos no filme. Cera faz sua graça de corpo duro e cara tímida enquanto canta "These Eyes", do The Who; Hill é aquele desengonçado com roupa emprestada quando dança com a namorada de alguém, e Mintz-Plasse toma conta de todas as cenas em que aparece com sua criação inesquecível McLovin.

Os coadjuvantes também são responsáveis por bons momentos do filme. Os dois policiais sem noção interpretados por Bill Hader ("Trovão Tropical") e Seth Rogens ("Pagando Bem, Que Mal Tem?"), por exemplo, são fundamentais para muitas das piadas, ainda que estejam presente em mais cenas do que as necessárias.

A trilha sonora é tão boa e irreverente quanto o resto do programa. Daqueles que a gente deve conhecer para ver que ainda existe algum conteúdo nas comédias estadunidenses e que é possível pensar durante um filme que faz rir bastante.

Bom para ser visto e comparado com os outros dois títulos dirigido por Apatow, "O Virgem de 40 Anos" e "Ligeiramente Grávidos", que juntos com "Superbad" formam uma espécie de trilogia sobre a relação do homem (enquanto gênero) e o sexo.


Um Grande Momento

Porque Seth não gosta de Becca.



Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

MTV Movie Awards
: Filme, Performance Cômica (Jonah Hill), Revelação Masculina (Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse)

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Site OficialIMDbAdoro CinemaSubmarino

Comédia
Direção: Greg Mottola
Elenco: Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse, Bill Hader, Seth Rogen, Martha MacIsaac, Emma Stone, Aviva, Joe Lo Truglio, Kevin Corrigan
Roteiro: Seth Rogen, Evan Goldberg
Duração: 114 min.
Minha nota: 7/10

2º Festival de Paulínia: Vencedores

Terminou ontem (16) a segunda edição do Festival de Paulínia. A cerimônia de encerramento foi marcada pela homenagem ao diretor Daniel Filho por toda a sua contribuição ao cinema nacional, que foi seguida pela exibição de seu novo filme Tempos de Paz.

O longa Olhos Azuis, de José Joffily, com o prêmio Menina de Ouro, foi o grande vencedor da noite na categoria ficção. Só Dez Por Cento É Mentira, de Pedro Cezar, ficou com o prêmio de melhor documentário. Entre os curtas, Timing, de Amir Admoni, e Spectaculum, de Juliano Luccas, foram eleitos os melhores.

O prêmio especial do júri ficou com o longa de Luiz Villaça, Contador de História, que estréia nos cinemas em 7 de agosto.

A noite foi encerrada com um show da banda Os Paralamas do Sucesso.

Confira a lista dos vencedores:

Longa-metragen - Ficção

Melhor Filme

Prêmio Especial do Júri

  • O Contador de Histórias, de Luiz Villaça

Melhor Direção

Melhor Roteiro

Melhor Ator

  • Marco Ribeiro, Paulo Mendes e Cleiton Santos, por todos de O Contador de Histórias.

Melhor Atriz

  • Cristina Lago, por Olhos Azuis
  • Silvia Lourenço e Maria Clara Spinelli, por Quanto Dura o Amor?

Melhor Ator Coadjuvante

Melhor Atriz Coadjuvante

Melhor Figurino

Melhor Trilha Sonora

Melhor Direção de Arte

Melhor Som

Melhor Montagem

Melhor Fotografia

Longa-metragen - Documentário

Melhor Filme

  • Só Dez Por Cento é Mentira, de Pedro Cezar

Melhor Direção

  • Roberto Berliner e Pedro Bronz, por Herbet de Perto

Curta-metragem - Regional

Melhor Filme

  • Spectaculum, de Juliano Luccas

Melhor Direção

  • Caue Fernandes Nunes, por Quem Será Katlyn?

Melhor Roteiro

  • Pedro Struchi, por Prós e Contras

Melhor Ator

  • Alexandre Caetano, por Prós e Contras

Melhor Atriz

  • Roseli Silva, por Morte Corporation

Melhor Montagem

  • Caue Fernandes Nunes , por Quem será Katly?

Melhor Fotografia

  • Marcelo Mazzariol, por Spetaculum

Curta-metragem - Nacional

Melhor Filme

  • Timing, de Amir Admoni

Melhor Direção

  • Érico Rassi, por Milímetros

Melhor Roteiro

  • Érico Rassi, por Milímetros

Melhor Ator

  • Fábio Di Martino, por Milímetros

Melhor Atriz

  • Débora Falabella, por Doce Amargo

Melhor Montagem

  • Amir Admoni, por Timing

Melhor Fotografia

  • André Modugno, por Relicário

Prêmio da Crítica

Melhor Filme de Ficção

Melhor Filme de Documentário

  • Moscou, de Eduardo Coutinho

Júri Popular

Melhor Filme de Ficção

  • O Contador de Histórias, de Luiz Villaça

Melhor Filme de Documentário

  • Caro Francis, de Nelson Hoineff

Melhor Curta-metragem Nacional

  • Nesta Data Querida, de Julia Rezende

Melhor Curta-metragem Regional

  • Quem Será Katlyn, de Caue Fernandes Nunes

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

(Harry Potter and the Half-Blood Prince, GBR/EUA, 2009)

Em muitos fãs, a ansiedade para conferir Harry Potter e o Enigma do Príncipe começou quando os créditos de A Ordem da Fênix começaram a subir nas telas. O sucesso do pequeno bruxo criado por J. K. Rowling, que vai virando homem para enfrentar o pior bruxo de todos os tempos, é tão grande que, além do sucesso de venda dos livros e da bilheteria dos filmes, todas as novidades sobre as adaptações para o cinema são acompanhados de perto através pela televisão, revistas e sites especializados no assunto (isso mesmo, especializados em Harry Potter).

Como livro, O Enigma do Príncipe é um dos mais sombrios da série e traz perigos cada vez mais assustadores a seus protagonistas já bem mais velhos. Um dos maiores méritos que identifico na obra de fantasia de Rowling é justamente a competência com que a escritora conseguiu avançar na história, adequando a evolução escolar, a adolescência e o desenvolvimento e definição da personalidade de cada um dos personagens mirins. Além, é claro, de colocar as crianças para ler novamente.

Mas o Cenas é de Cinema e não vou ficar aqui falando das qualidades e defeitos da obra da escritora britânica. O que interessa aqui, na verdade, são as adaptações, que ora funcionam, ora não têm tanta sorte assim. Do primeiro a este filme, o sexto, os resultados foram os mais variados. Do começo infantil e meio sem jeito, com atores inexperientes e vacilantes, ao filme atual muita coisa evoluiu, e para muito melhor.

Para mim, nenhum filme da série poderia, até agora, superar toda a criatividade e o bom uso de cores e referências de Alfonso Cuarón em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. A diferença estava justamente na presença de cinema de verdade por ali. Todos os outros filmes da série são muito divertidos e têm várias qualidades, mas eu sempre senti que faltava alguma coisa.

Quando saí do cinema após a exibição de A Ordem do Fênix estava bem descrente de que veria a quantidade de cinema do terceiro título novamente. Não gostei da direção do televisivo David Yates, achei pasteurizada e deslumbrada com as novas tecnologias demais, e ao saber que ele seria o responsável pelos próximos três títulos desanimei.

O Enigma do Príncipe veio para mostrar que eu estava enganada e assumiu com honras o título de melhor filme da série. Ao optar por destacar apenas uma das muitas características do livro, pesando a mão em todo o lado sombrio da história (abrindo mão da ação e usando o romance para o respiro do público), e deixando de lado outros elementos e detalhamentos de personagens secundários, o roteiro de Steve Kloves conta uma história completa e eficiente.

A direção de Yates é muito segura e inspirada. Nunca se viu tanta arte em um filme da série. Todo o risco assumido, com a mobilidade do cenário, os jogos de luzes, os vazios em cena e atuações fortes o bastante para, sozinhas, construírem o clima, valeu a pena.

Todo o trabalho com os enquadramentos e a duração dos planos merece elogios. A linha visual do filme, com iluminação precisa do diretor de fotografia Bruno Delbonnel (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Across the Universe) é toda fantástica e faz toda a diferença. Um bom exemplo está na contraposição entre os personagens de Harry e Draco, muito percebida por suas cores e sombras.

O elenco está muito bem. Os atores ex-mirins Emma Watson e Rupert Grint comprovaram suas qualidades com o amadurecimento e todo o elenco de coadjuvantes exerce bem sua função. Mas o filme é mesmo de Daniel Radcliffe e Tom Felton. Pela primeira vez, Radcliffe parece ter plena consciência do que está fazendo e convence e Felton chama muita atenção ao transformar seu Draco Malfoy em uma pessoa realmente perturbada.

Entre os professores, Alan Rickman mais uma vez consegue se destacar ao manter as mesmas e indefinidas características de seu personagem, sendo o mais regular em toda a série.

Como não poderia deixar de ser, a direção de arte, com desenho de produção e cenário assinados novamente por Stuart Craig e Stephanie McMillan respectivamente, mantém a mesma linha dos filmes anteriores. O som é impressionante, apesar de perder significativamente a qualidade na versão dublada.

Alguns elementos do livro que sempre funcionam, como o sempre movimentado jogo de quadribol, não foram desperdiçados. Assim como alguns detalhes dos relacionamentos dos personagens. Fácil ver todo mundo torcendo pelo romance de Rony e Hermione ou intrigado pelas semelhanças entre Potter e Riddle.

Claro que o filme, como sempre, causou muita polêmica e desagradou alguns por ser diferente do livro. É mesmo, falta muita coisa, mas ainda assim é um filme com começo, meio, fim e sentido. Para ter um filme com todas as informações do livro seria preciso, pelo menos, mais duas horas e meia de duração.

A trilha sonora continua presente demais e alguns momentos mais sombrios seriam muito mais eficientes no silêncio, mas talvez o filme ficasse muito mais pesado do que o indicado para a faixa etária do público.

Ainda assim, seguindo o movimento crescente de elementos assustadores, O Enigma do Príncipe tem cenas bem chocantes para os mais novos, como o feitiço em Cátia Bell ou o fim da briga de Harry e Draco no banheiro, e não deve ser visto por crianças muito pequenas.

Uma excelente surpresa para uma época em que fazer continuações e adaptações está tão batido que a criatividade e a arte já não precisam estar presentes no processo. Imperdível para os fãs do bruxo e um bom programa para aqueles que gostam de cinema também.


Um Grande Momento

São tantos, mas fico o confronto de Harry e Draco no banheiro.



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Site OficialIMDbAdoro Cinema

Aventura/Fantasia
Direção: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Bonnie Wright, Michael Gambon, Jim Broadbent, Julie Walters, Helena Bornham Carter, Dave Legeno, Helen McCrory, Timothy Spall, Alan Rickman, Tom Felton, Robbie Coltrane, Maggie Smith, Hero Fiennes-Tiffin, Frank Dillane, Freddie Stroma, Evanna Lynch, Matthew Lewis, Isabella Laughland, David Thewlis, Natalia Tena, Georgina Leonidas, Jessie Cave
Roteiro: J. K. Rowling (romance), Steve Kloves
Duração: 153 min.
Minha nota: 8/10

Tempos de Paz no YouTube

Dia 14 de agosto estréia nos cinemas brasileiros o filme Tempos de Paz, dirigido por Daniel Filho, com Tony Ramos e Dan Stulbach. E você pode ver o filme antes de todo mundo.

Roteirizado por Bosco Brasil, o longa conta a história de Clausewistz, um polonês que chega ao Rio de Janeiro em um navio cheio de imigrantes europeus para fugir da Segunda Guerra Mundial, mas é confundido com um nazista e tem que se entender com Segismundo, chefe da imigração na Alfândega.

O trailer da história, que promete ser bem eletrizante, está disponível no canal do filme no YouTube. Lá alguns ingressos para a pré-estreia serão sorteados. Para participar basta responder, nos comentários do vídeo mesmo, à pergunta: "o que vocês esperam em tempos de paz?"

Boa sorte à todos!

A Proposta

(The Proposal, EUA, 2009)

Quem acompanha o Cenas de Cinema há algum tempo já sabe que eu tenho uma queda toda especial por comédias românticas, tanto que tenho vários títulos na minha videoteca. O critério é o seguinte: quanto mais água com açúcar for o filme, melhor.

Não sei se o gênero não é mais tão constante como há alguns anos atrás ou se a exigência dos espectadores aumentou muito, mas é um fato que as comédias românticas não agradam mais como agradavam antes. Os sucessos recentes do gênero ou seguem uma linha diferente (Três Vezes Amor), ou se aproveitam da fórmula antiga para contar outras histórias (Eu Te Amo, Cara!). Mas de vez em quanto aparecem filmes bem tradicionais como Letra e Música e o mais recente A Proposta.

Margaret Tate (Sandra Bullock) é uma editora literária sem coração, mal educada e que "tem alergia a sentimentos humanos". Seu secretário, ou assistente de edição, Andrew Paxton (Ryan Reynolds) sonha em se tornar editor e, para isso, se submete a todas as vontades da chefe ditadora, abrindo mão de qualquer lembrança de uma vida pessoal.

O roteiro, assinado por Peter Chiarelli, é o bem tradicional e consegue desenvolver bem a história de uma relação conturbada que acaba virando amor. Além do casal central ser bem construido, todas as personagens acessórias estão na medida certa.

O elenco está muito bem e a química entre Sandra Bullock e Ryan Reynolds, doze anos mais novo que a ex-queridinha da América, que pode parecer improvável a uma primeira vista, é inegável e é fundamental para o sucesso do filme. Mary Steenburg, Craig T. Nelson e Betty White também
estão muito bem como a família Paxton. A parte palhaçada também está bem defendida por Oscar Nuñez com seu onipresente Ramone.

A fotografia ganha pontos por saber como utilizar bem a belíssima paisagem do Alasca, região que também dá à tradicional passagem de tempo um toque todo especial.

A trilha sonora é cheia de música de batida, como It Takes Two, U Can't Touch This e Get Low, que por acaso é a música de fundo de um dos momentos mais engraçados de toda a história.

Daqueles filmes que vão ser muito bem aproveitados por todos que gostam da boa e velha comédia romântica. Também é uma boa pedida para dias em que a descontração é o principal objetivo.

Sem dúvida é mais um título para a minha videoteca água com açúcar.


Um Grande Momento

O pedido de casamento de Margaret no meio da rua.



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IMDb

Romance/Comédia
Direção: Anne Fletcher
Elenco: Sandra Bullock, Ryan Reynolds, Mary Steenburgen, Craig T. Nelson, Betty White, Denis O'Hare, Malin Akerman, Oscar Nuñez, Aasif Mandvi
Roteiro: Pete Chiarelli
Duração: 108 min.
Minha nota: 7/10

Top 10 - Momentos constrangedores

Finalmente, depois de uma longa pausa, as listinhas estão de volta. Já não era sem tempo! Como respondi aos que tinham feito pedidos antes da correria das viagens, todos serão atendidos.

Mas vamos fazer uma experiência: não sou só eu que escolherei os títulos, momentos e/ou cenas. Meus seguidores no twitter também participarão da brincadeira e terão suas respostas publicadas aqui, desde que eu também tenha visto o filme. No início do domingo direi lá qual é o assunto e depois junto as respostas às minhas.

Hoje o Top 10 junta dois pedidos. Leila Rodrigues sugeriu os momentos mais constrangedores e Giovanna Mendonça queria ver aqui as maiores "vergonhas alheias" do cinema. As cenas lembradas foram muitas. Algumas eram engraçadas e ao mesmo tempo constrangedoras, outras eram mais tristes e outras ainda, apareceram só por ser inacreditável que alguém tenha feito isso e projetado para alguém além de sua família.

Prendendo o que não devia no próprio zíper em Quem Quer Ficar Com Mary
(There's Something About Mary)

Sem dúvida nenhuma o Sr. Ben Stiller tem vários momentos que poderiam estar aqui nesta lista. Em suas comédias ele explora momentos completamente envergonhantes e faz com que o público fique bem constrangido. Em Quem Quer Ficar com Mary encontramos várias cenas assim, como a briga com o cachorrinho ou o "gel" para cabelo, mas nenhuma delas supera o momento em que o rapaz, todo arrumadinho com aquelas roupas bizarras de formatura, vai ao banheiro e prende o próprio saco com zíper da calça. Só isso já bastava para deixar qualquer um com vergonha alheia, mas a situação fica bem pior quando toda a cidade vai ver o que aconteceu.

Estourando a champanhe na casa do sogro em Entrando Numa Fria
(Meet the Parents)

E lá vem ele de novo, mas desta vez em um filme que parece ter sido feito exclusivamente para constranger. Aliás, a maioria das pessoas que assiste a Entrando Numa Fria diz que foi uma das experiências mais agoniantes que já teve pelo número e grau dos constrangimentos que o personagem de Ben Stiller passa. Tudo que ele faz dá errado e entre as muitas besteiras está o drinque proposto durante um jantar humilhante. A rolha da champanhe acaba batendo na urna funerária de cerâmica onde estão as cinzas da mãe do personagem durão de Robert De Niro. Para piorar, depois que elas se espalham no chão, o gato da família pensa que achou uma nova caixa de areia.

Tentando esconder o entupimento da privada e o alagamento do banheiro em
Quero Ficar Com Polly
(Along Came Polly)

Para coroar o rei das personagens envergonhantes, nada como mais uma terceira citação. Nesse caso, o cara ainda se dá mal o tempo todo, é enganado pela mulher e não consegue acertar uma. Quando conhece Polly resolve que vai tentar fazer dar certo e, claro, não consegue. No primeiro dia na casa da moça, ele, que tem síndrome do intestino irritável, já começa a envergonhar a gente por causa da dor de barriga que sente e a coisa piora bastante com o fim do papel higiênico, a toalhinha de mão e a privada entupida.

Dando o maior vexame na reunião do trabalho em A Mulher Invisível
(A Mulher Invisível)


O cinema nacional também produz vergonhas alheias eficientes e tem nas suas comédias bons exemplos também. O último filme do estilo ainda está em exibição em algumas salas do país e conta a história de um cara com o coração partido que inventa uma mulher gostosona e perfeita para ser sua namorada. Todas as cenas em que ele está com ela desfilando, jantando ou se agarrando no cinema são constrangedoras, mas o vexame durante a reunião de apresentação da empresa para um político é vergonhoso.

Brigando para lavar o lençol na casa da peguete em Trainspotting - Sem Limites
(Trainspotting)

E não são só as comédias que causam momentos assim, alguns dramas conseguem deixar um nó na boca do nosso estômago com cenas terríveis. Trainspotting é um exemplo disso e tem cenas bem pesadas, além de escolher momentos deprimentes para fazer graça quando a coisa está tensa demais. Como quando o personagem de Ewen Bremner acorda na cama de uma menina e descobre que teve problemas intestinais durante a noite. O pior acontece quando ele tenta levar o lençol para lavar e a mãe da menina não deixa. Na briga, o lençol se abre espalhando todo cocô que estava lá dentro pela cozinha.

Tentando achar uma veia no braço que a luva escondia em Gia - Fama e Destruição
(Gia)

A história da modelo Gia Carangi, interpretada por Angelina Jolie, já é constrangedora por si só. Perdida com o dinheiro e fama que teve no final dos anos 70, ela abusava das drogas e, por isso, foi uma das primeiras mulheres estadunidenses a morrer de complicações por causa da AIDS. Vários momentos do filme são contrangedores e comum fazermos uma ligação entre ela e a cantora inglesa Amy Winehouse. A cena dela tirando a luva para procurar uma veia, onde pudesse se drogar, em um braço completamente destruido é terrível e difícil de acompanhar.


Atravessando o corredor da cadeia para falar com Hannibal em
O Silêncio dos Inocênte

(The Silence of the Lambs)

É muito fácil perceber que toda a vergonha que sentimos é a mesma que o personagem sente. Quando um filme é bom e eficiente estamos ali ao lado de quem vive a cena. Clarice Starling, é uma mulher durona e decidida, mas está tão receosa ao entrar na prisão onde está Hannibal Lectar, que se torna mais frágil a cada passo seu no corredor e, claro, mais vunerável a cada comentário que escuta.


Como se nada tivesse acontecido no almoço de família em Felicidade
(Happiness)

E quando você vê uma cena onde vários personagens têm tanta vergonha de sua história de vida que fingem que nada aconteceu? Assim é todo o filme de Todd Solondz que conta a história de várias pessoas e só tem felicidade mesmo no título. O diretor e roteirista junta várias pessoas esquisitas a situações extremamente embaraçosas e ainda usa toda a ironia que pode. Ver a família de pessoas problemáticas se reunir para almoçar como se nunca tivesse tido um membro pedófilo e como se os problemas nunca tivessem existido é bem constrangedor.


Street Fighter (Street Fighter): o filme inteiro

Agora é a vez daqueles casos onde a vergonha e o constrangimento ultrapassam a tela e recaem sobre os realizadores. São atores fracos, filmes muito ruins e resultados completamente absurdos. Nessa categoria, o número de momentos para esta lista é enorme. O primeiro nome lembrado foi o do filme Street Fighter, adaptação de um videogame famoso há algum tempo atrás, chegou às telas capitaneado pelo fortão desaparecido Jean-Claude Van Damme e com a participação do excelente Raul Julia. O roteiro é tão confuso e a direção é tão frouxa que o resultado não agradou de jeito nenhum.


Todas as cenas de Transformers - A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen)

A última bomba ainda está no cinemas e é assinada pelo sempre profuso e exagerado Michael Bay. No segundo título da franquia Transformers, porém, ele consegue superar todas as expectativas e faz muito pior do que o esperado. Liquidificadores ganham vida, Megan Fox está sempre mais provocante do que o necessário, Shia LaBeouf tem péssimos ataques epiléticos/de ausência, Optimus Prime tem cílios e por aí vai. Daqueles que a gente sai do cinema morrendo de vergonha alheia.

As sugestões foram recebidas de @fesanchez76 (O Silêncio dos Inocentes), @h_milen (Felicidade), @cinemaorama (Street Fighter) e @johnstrangelove (Transformers 2). O @alexcinefilo também deu uma sugestão, mas não vi o filme.

Quem quiser participar respondendo é só me seguir pelo @tchuly e quem quiser indicar assuntos para as listas basta enviar um email para cenas@cenasdecinema.com.

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