Chega aos cinemas o filme que rendeu o Oscar de melhor atriz à Sandra Bullock. Com cara de telefilme, a história contada é a de Michael Oher, destaque no futebol americano após ser adotado por uma família rica.
Com toques do bom cinema noir, Ilha do Medo, que estréia hoje nos cinemas, é um daqueles suspenses cheios de tensão psicológica e reviravoltas. Aproveite a viagem!
Em uma noite mais entediante do que animada a Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood anunciou os melhores do ano. E Guerra ao Terror foi o grande vencedor da noite.
O Troféu Framboesa de Ouro chega à sua 30ª edição. Além de premiar os piores do ano, também foram escolhidos os piores da década. E Sandra Bullock cumpriu a promessa, foi receber seu prêmio.
Com Fita Branca, Michael Haneke tenta descobrir quem foram as crianças que viraram os adultos nazistas da Segunda Guerra e de onde podem ter tirado tanto ódio e intolerância.
Sensibilidade e ação se misturam no drama sul-coreano Mother para contar a história de uma mãe que não mede esforços e nem consequências para salvar seu único filho.
Depois do lançamento espalhafatoso no mercado nacional direto em dvd, chega aos cinemas Guerra ao Terror, retrato duro da influência da guerra na vida de seus soldados.
Sabe aquele esquema bem garagem, quando alguns amigos se juntam para criar uma coisa bem idiota e que os outros amigos assistem e adoram? Matadores de Vampiras Lésbicas segue todos os passos de invenções como esta.
Antes de qualquer coisa, Paul Hupfield e Stewart Williams, produtores da MTV à época, resolveram pensar em um título de filme que fosse, ao mesmo tempo, o mais idiota e o mais comercial possível. Lesbian Vampire Killers foi o escolhido e era tão divertido que eles resolveram não parar mais e criaram um roteiro bobo e engraçado na medida para arrancar gostosas gargalhadas daqueles que vêem os filmes.
Como tudo que fala de sexo tem um potencial muito grande de fazer rir, as piadas idiotas cheias de referências sobram na tela e o público adora, afinal de contas, já pelo nome do filme, todo mundo sabia o que pode encontrar pela frente.
Depois de ter a mulher seduzida por uma rainha vampira lésbica, um nobre resolve eliminar o mal da face da Terra. Antes de morrer, porém, ela lança uma maldição sobre a cidade: todas as mulheres serão transformadas em vampiras lésbicas.
Bem inferior a outras comédias britânicas de terror, como Todo Mundo Quase Morto, o longa acaba se baseando em muitas piadas sexuais, trocadalhos do carilho (a espada de Deaeldo referencia o apelido dos consolos), referências a outros filmes (o prólogo brinca com Drácula de Coppola) e na veia cômica de James Corden (Agora ou Nunca).
Entre as falhas, a principal é a irregularidade do elenco. O quarteto central é bem distribuido e Paul McGann (Always Crashing in the Same Car) consegue ficar bem ao lado de Corden. Já a dupla MyAnna Buring (Juízo Final) e Matthew Horne, que parece um boneco de cera em muitas cenas, não convence.
A qualidade interpretativa das vampiras lésbicas não pode ser avaliada, já que não é exigida. Mas todas têm peitões, cinturas finas e ficam muito bem sem roupa.
Apesar dos defeitos, o filme é eficiente e cumpre bem o seu principal objetivo: fazer rir.
Daqueles que devem ser vistos sem preconceitos, expectativas e com a consciência de que tudo não passa de uma grande brincadeira.
Um Grande Momento
Fletch e o vigário vão recuperar a espada.
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Comédia Direção: Phil Claydon Elenco: Paul McGann, James Corden, Mathew Horne, MyAnna Buring, Vila Filatova, Silvia Colloca, Ashley Mulheron, Louise Dylan, Lucy Gaskell Roteiro: Paul Hupfield, Stewart Williams Duração: 88 min. Minha nota: 6/10
Um grupo sai em expedição para descobrir os últimos vestígios de uma outra espécie humana que teria habitado a Terra. As coisas começam a dar errado quando eles sofrem um terrível acidente de carro e descobrem que não estão sozinhos no lugar e não têm idéia de quem está com eles.
Nem mesmo a presença dos bons atores, entre eles Dominique Pinon (Crimes de Autor), é capaz de melhorar a qualidade do filme, de seu roteiro fraco, da previsibilidade e da cara de telefilme estadunidense.
A história parece ter sido criada enquanto era filmada. Itens como o encontro com a família problemática que fora atacada pelos Tchagattas no carnaval de Lötschental, a travessia do rio e a descoberta de um stonehenge no meio do caminho vão afetando gravemente a paciência do espectador.
Os atores não estão confortáveis em seus papéis e não conseguem passar os sentimentos daquelas pessoas em pânico. Pelo contrário, demonstram, o tempo todo, não acreditar em nada daquilo e uma vontade de terminar logo com aquilo.
O filme é baseado em criaturas desconhecidas e, por isso, ao menos a maquiagem deveria ser boa, ainda mais se estamos falando de um filme dirigido por Pierre-Olivier Thevenin e Jacques-Olivier Molon, responsáveis pela maquiagem de A Invasora. Porém, todos os seres parecem ter vindo do planeta Bajor e serem irmãos de Odo do seriado Deep Space Nine.
Depois de muitas mudanças e de situações bem estapafúrdias, a história parece chegar a seu clímax e uma das sequências mais sangrentas e sem sentido do cinema acontece, mas tudo já está longe demais para ter uma continuidade e o sangue gratuito parece só ter acontecido para lembrar a platéia de quem eram os diretores.
Quando os créditos começam a subir fica difícil saber se o que vimos foi uma refilmagem francesa mal feita de Predador, um episódio de uma das franquias de Jornada nas Estrelas ou um daqueles filmes gore onde quanto mais sangue, melhor.
Mas é aquela história, só fica para ver mesmo quem é obrigado, está curioso ou quer sofrer um pouco, pois os primeiros momentos do filme já demonstram que a chance do projeto dar certo são bem pequenas.
Daqueles que não são tão necessários.
Um Grande Momento
Até que parecia ter chance, mas sempre desandava antes de acontecer.
Desde que me foi apresentado pelo meu guru de cinema fantástico, Márcio ou Mago Paco, Deixe Ela Entrar, destaque no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, passou a ser um dos melhores filmes que eu vi nos últimos tempos.
Com um roteiro maravilhoso, cheio de diálogos sutis e inteligentes, o filme conta a história de um pré-adolescente ingênuo e indefeso e de sua relação com uma jovem vampira que muda-se para o apartamento ao lado do seu.
Adaptação do livro de mesmo nome de John Ajvide Lindqvist, que também escreveu o roteiro, o longa de Tomas Alfredson consegue fazer com que a delicadeza da relação das duas crianças conviva perfeitamenta com o que há de assustador e fascinante em toda história de vampiros. E traz às telas, depois de muito tempo, a personalidade complexa daqueles que precisam do sangue humano para sobreviver.
A dupla central de atores é um achado. Apesar da pouca idade, os dois conseguem compor muito bem seus personagens e fazem toda a diferença no resultado final. As outras participações, mesmo pequenas, também são muito boas e confirmam a capacidade de direção de atores de Alfredson, já demonstrada em Quatro Espectros do Assombro.
Um dos destaques do filme é a fotografia de Hoyte Van Hoytema, com quadros que também conseguem oscilar entre o macabro e o apaixonante. As cenas são precisas e fazem do filme uma daquelas experiências visuais inesquecíveis.
A trilha sonora de Johan Söderqvist também acompanha o bom andamento das outras áreas e torna tudo ainda mais emocionante.
Mesmo que tenha tantas qualidades, dois tropeços impedem que o filme seja perfeito. Cenas feitas especificamente para demonstrar um apuro técnico desnecessário, como a do fogo e a dos gatos, ficariam muito melhor se fossem apenas sugeridas.
Ainda assim o resultado é tão harmônico e eficiente que Deixe Ela Entrar conquista os mais diferentes tipos de público e está presente na lista de indicações de vários críticos de cinema e cinéfilos.
Um Grande Momento
"Cheiro melhor agora?"
Próxima sessão: 1º/7, às 21h (sala 3)
Prêmios e indicações(as categorias premiadas estão em negrito) Festival de Tribeca: Melhor Narrativa
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Terror Direção: Tomas Alfredson Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg, Ike Nord, Mikael Rahm Roteiro: John Ajvide Lindqvist Duração: 115 min. Minha nota: 9/10
Um jovem introvertido e depressivo é levado pela mãe a uma casa de campo. Lá percebe que muitas crianças entram na casa do vizinho, mas não saem depois. Intrigado, começa a investigar o que acontece com elas.
Já na apresentação do personagem começamos a desenhar o filme que veremos logo mais. Afinal, o adolescente problemático e abalado com a separação dos pais não costuma ser raro no cinema e já segue, naturalmente, um caminho conhecido.
Ainda assim o filme tem algumas qualidades. O terceiro longa do diretor argentino Sergio Esquenazi, famoso por seus curtas Um Pai para Ludwig e Magia, sabe como provocar o espectador e causar agonia com alguns sustos e um som bem perturbador. Algumas sequências tem uma trilha tão constante que causam irritação e, por incrível que pareça, isso não é ruim.
Além disso, a história tem um mote interessante e é curiosa, mas acaba sendo traída pela vontade de contar mais alguma coisa do diretor/roteirista. Personagens completamente desnecessários ganham cenas inúteis só para justificar o uso de sangue cenográfico, diálogos não importantes se repentem para exibição de outros recursos e uma influência muito estadunidense também pode ser notada nas marcações de cena e no uso de ferramentas para cortar correntes.
Com defeitos e qualidades andando sempre juntos, o filme não consegue passar de mediano e se tem um começo mais eficiente, tem um final perdido em meio a histórias secundárias e personagens indiferentes.
Daqueles que podem ser vistos na televisão sem muito prejuízo.
Um Médio Momento
A enfermeira no hospital.
Próxima sessão: 29/06, às 17h (sala 3)
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Suspense/Terror Direção: Sergio Esquenazi Elenco: Santiago Pedrero, Sandra Ballesteros, Ana Cuerdo, Diego Alonso Gómez, Pepe Novoa, Rolly Serrano, Ariel Staltari Roteiro: Sergio Esquenazi Duração: 95 min. Minha nota: 5/10
Um dos títulos mais esperados do I SP Terror é, sem dúvida, o francês Eden Log. A história de um homem que acorda sozinho no fundo de uma caverna sem se lembrar de nada, contada pelo diretor estreante Franck Vestiel, acabou conquistando fãs por onde passou.
Não sem motivo. Desde as primeiras imagens, o filme impressiona quem o assiste. A escuridão, o som agoniante e alguns flashes de imagem já surpreendem ao aguçar ainda mais a curiosidade de todos na sala.
As surpresas continuam por todo o filme. Sem saber determinar muito bem o que está acontecendo, vemos um homem coberto de lama que tenta achar algum caminho. Ele parece estar entendendo tanto quanto seus espectadores, ou seja, nada.
A agonia é um elemento constante da platéia e as mensagens que chegam através de pessoas, que não são bem pessoas, vão tentando determinar do que se trata tudo aquilo. A história vai se formando na cabeça de quem vê o filme e toma o rumo da criatividade e curiosidade de cada um.
Se só um homem está em cena, o resto deve ser muito mais atraente. E é.
A fotografia do filme, de Thierry Pouget, é excelente e sabe como transitar entre o balanço da câmera na mão e as cenas estáticas. A iluminação, nada fácil já que se trata de um filme predominantemente escuro, é muito apurada e jogos com projeções, reflexos e filtros merecem um destaque. Os enquadramentos, muito bem pensados, chama a atenção.
O som não fica atrás e aproveita bem as possibilidades do ambiente da caverna e usa bem vários tipos de ruído e o resultado ainda fica mais apurado com a boa escolha da trilha sonora, que mesmo arriscada, é muito interessante.
A montagem é sensacional, principalmente quando conhecemos a segunda personalidade do protagonista.
O filme ganha muitos pontos com o visual e a ambientação. Indiscutivelmente, a melhor coisa do filme é a direção de arte. Todo o desenho de produção de Jean-Philippe Moreaux conseguiu criar um mundo completamente diferente e crível ao mesmo tempo. Para mim, é um dos melhores cenários criados nos últimos tempos.
No mais, temos um trabalho muito competente do ator Clovis Cornillac que quase não fala, mas consegue transmitir muito bem o seu recado. O roteiro é muito bom também e dá conta de provocar essa curiosidade no público até o final. Além de deixar, como os filmes franceses, que o público digira tudo aquilo que viu no tempo que achar mais adequado.
Apesar de todo o brilhantismo e grandiosidade, o filme se empolga mais do que devia no final e acaba deslizando. Poderia ter acabado um pouquinho antes.
Ainda assim, é imperdível!
Um Grande Momento
Dentro do cubo branco.
Próximas sessões: 27/06, às 19h30 (sala 4); 29/06, às 21h30 (sala 4)
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Suspense Direção: Franck Vestiel Elenco: Clovis Cornillac, Vimala Pons Roteiro: Franck Vestiel, Pierre Bordage Duração: 98 min. Minha nota: 7/10
Se a abertura de um filme mostra um homem de vestido se matando sem querer em um acidente auto-erótico (antes da história do David Carradine nem sabia que este termo existia) a gente já fica sem a menor idéia do que esperar do resto. Strange Girls consegue ser imprevisível por muito tempo.
Duas irmãs gêmeas não se comunicam com o mundo exterior e, por isso, passam vários anos internadas em um asilo para doentes mentais. Poucos dias antes da data marcada para a alta, uma nova médica assume o caso e acha melhor deixá-las lá por mais um tempo.
Com um começo muito interessante, uma trilha sonora na medida certa e uma detalhista e preocupada direção de arte de Steve Tolin, o filme chama a atenção. A dupla de atrizes principais também é muito boa e o elenco segue bem na qualidade.
A história do filme também é superinteressante e não fica se deixando levar pelos clichês permitidos em relações como esta. O roteiro tem falas inteligentes e o trânsito entre os pensamentos da irmã e a realidade é bem legal.
O filme segue redondinho e em um ritmo bom até a metade, quando começa a se perder um pouco no ritmo. Situações repetidas e momentos previsíveis são bem chatinhos e o final é muito fraco. As últimas cenas, por exemplo, são completamente inúteis.
Mas, mesmo com um desfecho negativo, o filme é interessante e traz uma história curiosa sobre a obsessão das duas irmãs.
Um Grande Momento
A briga na hora do chá.
Próximas sessões: 28/06, às 19h30 (sala 4); 29/06, às 21h (sala 3)
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Suspense Direção: Rona Mark Elenco: Angela Berliner, Jordana Berliner, Kasey Daley, George Drennen, Michael Gilbert, Meritt Latimore, Joanna Lowe, Andre Delawrence Rice Jr., Alem Brhan Sapp Roteiro: Rona Mark Duração: min. Minha nota: 6/10
Os zumbis sempre foram figuras que costumam habitar o imaginário popular e, como era de se esperar, também são frequentes nas telonas. George Romero e seu clássico, A Noite dos Mortos-Vivos, o melhor filme destas criaturas de todos os tempos, são responsáveis por essa paixão. Além de manter e respeitar as criações mais antigas, como os filmes White Zombie e J'accuse, ambos dos anos 30, Romero criou determinadas características para a lenda que nunca mais se perderam.
A legião de apaixonados por filmes do gênero cresce a cada dia. Não é raro aspirantes a diretores, roteiristas e estudantes de cinema falarem que sonham em realizar um filme sobre zumbis. Rob Grant era uma dessas pessoas e, assim que pôde, realizou o seu projeto.
Seis estranhos são obrigados a fugir juntos quando toda a população da cidade onde moravam se transforma em zumbi. Acampando na floresta, porém, eles percebem que a convivência entre eles pode ser muito mais perigosa.
Logo nos primeiros minutos de filme já vemos que o custo da produção foi baixíssimo custo e que alguns dos envolvidos no projeto não têm muita experiência com o cinema. O elenco é irregular, mas alguns atores conseguem se destacar.
O diretor também roteiriza o filme, o que não é ruim, mas pode poluir a trama com mais situações do que devia. Algumas cenas são longas demais e muitas situações ou não são necessárias, ou não ficam esclarecidas (o sinal do celular, por exemplo), mas muitos diálogos e situações são bem originais e divertidas.
Outros problemas com a iluminação e o uso das lentes também podem ser percebidos. A montagem também é irregular e abusa dos flashbacks. Os efeitos especiais são, vamos dizer assim, criativos.
Mas, por incrível que pareça, não é um filme que desagrada. Pelo contrário, consegue estabelecer um vínculo com os espectadores brincando com seu próprio amadorismo e com suas boas sacadas. Algumas piadas são muito boas e lembram de Cães de Aluguel a YMCA, do Village People. As referências a outros filmes de terror também são muito boas.
Mesmo com algumas inegáveis qualidades, o filme fica na cabeça pelos excessos e problemas. Talvez pela frustração causada por um final piegas e sem cabimento, talvez pela falta de experiência.
Terror/Comédia Direção: Rob Grant Elenco: Graham Wardle, P. Lynn Johnson, Bill Murdoch, Mike Kovac, Mike Fenske, John Fitzgerald, Naomi Inglis, Jesse Wheeler, Scott Wallis, Justin Sproule Roteiro: Rob Grant Duração: 95 min. Minha nota: 4/10
O filme escolhido para a abertura do I SP Terror foi a refilmagem de um dos maiores sucessos do cinema slash do final dos anos 70. Halloween - o ínício é assinado pelo ex-vocalista da banda White Zombie, Rob Zombie, e, apesar do nome, mostra a já conhecida história do psicopata Michael Meyers, isolado ainda criança da sociedade após assassinar a irmã adolescente.
Claro que, mesmo sendo uma refilmagem, o roteiro tomou algumas liberdades e, além de criar alguns personagens, também fez muitas alterações na história. Mas o resultado é o mesmo: muito sangue, grito e facadas para todos os lados.
Depois de dois filmes, A Casa dos 1000 Corpos e Rejeitados pelo Diabo, Zombie conquistou alguns fãs do gênero e, até por isso, acreditou que faria de Halloween - O Início sua obra-prima, mas não chegou nem no meio do caminho.
O elenco é fraquíssimo desde a primeira infância de Meyers e a insistência do diretor em colocar sua mulher, Sheri Moon, em todos os trabalhos que faz é péssima. Nem mesmo a presença de Malcolm McDowell melhora a situação e as melhores atuações são mesmo as de Sydnie Pitzer, Myla Pitzer e Stella Altman, que vivem a bebê Boo.
As cenas, independente de serem curtas ou longas, têm muito mais ângulos do que o necessário e o efeito não faz nenhuma diferença, demonstra falhas de eixo e continuidade e ainda cansa.
O roteiro é muito mal amarrado e as explicações para os adereços e motivos do filme são fracas e forçadas. Algumas opções são bem infelizes, como o clip com imagens intercaladas do pequeno Meyers na noite das bruxas e sua mãe fazendo striptease ao som de Love Hurts do Nazareth.
Em meio a tanta bagunça, fica bem clara a longa ligação do diretor com os filmes do gênero. A gratuidade da violência está presente, tem mulheres nuas e peitinho para todo lado, sexo e sustos, muito sustos. Cenas como a do posto e o desfecho do filme, ainda que não tenham dado em um relacionamento mais sério, marcam bem os flertes com o trash e o gore.
Algumas sequências têm até um bom potencial, como quando tudo fica congelado depois dos primeiros crimes para a transição de tempo, mas ficam perdidas em meio a tantas experimentações.
Justiça seja feita, a trilha do filme é muito interessante. A ligação de Zombie com a música acabou ajudando neste ponto e a eficiente localização temporal dos espectadores é toda feita através de músicas populares em suas épocas. Os efeitos sonoros também são bem interessantes.
Um Grande Momento
A sirene no asilo.
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Horror Direção: Rob Zombie Elenco: Malcolm McDowell, Scout Taylor-Compton, Tyler Mane, Daeg Faerch, Sheri Moon Zombie, Willliam Forsythe, Danielle Harris, Kristina Klebe, Danny Trejo, Dee Wallace, Pat Skipper Roteiro: John Carpenter e Debra Hill (roteiro de 1978), Rob Zombie Duração: 109 min. Minha nota: 2/10
Ao comprar uma entrada para um filme francês, já dá para saber que a chance de ver um drama que mostre o lado duro e triste do ser humano é grande. Com raras excessões, são os títulos desta nacionalidade que marcam tanto pelo modo cru de retratar as fraquezas do homem, como por seus finais abertos que rondam o pensamento dos espectadores mesmo após a projeção.
Claro que, mesmo com todos os resultados positivos e a tradição, não são todos os títulos que conseguem causar o impacto desejado. Há Tanto Tempo Que Te Amo está no meio do caminho: tem o tema, a abordagem e um bom desenvolvimento, mas tropeça, ainda que elegantemente, em alguns lugares comuns.
Duas irmãs, Juliette e Léa, tentam estabelecer uma relação depois de quinze anos de separação. Enquanto uma vive sua vida de casada como se nada tivesse acontecido, a outra não consegue se readaptar a um mundo que parce nunca ter sentido falta dela.
Logo nos primeiros momentos, criamos uma relação de piedade e curiosidade com a personagem de Juliette. Sempre fumando, com olheiras, sem maquiagem e unhas quase sujas vemos em seu rosto que algo muito ruim aconteceu com aquela pessoa.
Por outro lado, Léa demonstra sua dubiedade através de seu olhar . Se em alguns momentos ela está feliz por estar novamente com a irmã, em outros ela se mostra insegura e não consegue esconder o medo e o desconforto com sorrisos.
Neste universo fraterno, outros personagens são muito importantes para a composição de toda a história de um passado que queremos conhecer mas não está ali. A pequena Lys traz seu carinho ingênuo; o avô, o silêncio cúmplice; Fauré e Michel o conforto.
A história leva o espectador para dentro desta realidade e vai abrindo as portas devagar para a platéia ver o que aconteceu. É assim que algumas lágrimas acabam surgindo no meio do caminho.
As atuações são fundamentais. As protagonistas estão muito bem e conseguem transmitir toda a complexidade de suas personagens. Apesar de ter um elenco muito eficiente, com boas atuações de Frédéric Pierrot, Serge Hazanavicius e da pequena Lise Ségur, alguns papéis secundários parecem não ter tido tanta atenção como deveriam.
A direção de arte de Samuel Deshors e Emmanuelle Cuillery é detalhista e traz toda a insegurança e os sentimentos reprimidos do mundo de Juliette para a cena usando e abusando da cor marrom. Sem falar nos quadros de Émile Friant.
A direção de fotografia de Jérôme Alméras também merece ser citada. A luz é sempre muito bem usada e alguns enquadramentos são maravilhosos.
Apesar de tudo caminhar na direção certa, o resultado final não parece ser tão bom como poderia e a sensação de que a edição poderia ser feita com menos apego e de que algumas cenas são desnecessárias.
O longa ganha muitos pontos por resistir à facilidade de técnicas como o flashback, mas não consegue ser convincente por todo o tempo e se atropela nos momentos mais sensíveis como a cena da visita ou a da substituição de Fauré.
Mas mesmo que tenha alguns defeitos, é um filme que vale a pena. Pela história, pela trilha sonora, pela atuações de Kristin Scott Thomas e Elsa Zylberstein.
Um lencinho pode ser necessário.
Um Grande Momento
A entrevista do primeiro emprego.
Prêmios e indicações(as categorias premiadas estão em negrito) BAFTA: Filme em Língua Estrangeira, Roteiro Original, Atriz (Kristin Scott Thomas) Festival de Berlim: Urso de Ouro, Júri de Leitores do Berliner Morgenpost, Júri Ecumênico César: Filme, Roteiro Original, Primeiro Filme, Atriz (Kristin Scott Thomas), Atriz Coadjuvante (Elsa Zylberstein), Música (Jean-Louis Aubert) Globo de Ouro: Filme Estrangeiro, Atriz (Kristin Scott Thomas)
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Drama Direção: Philippe Claudel Elenco: Kristin Scott Thomas, Elsa Zylberstein, Serge Hazanavicius, Laurent Grévil, Frédéric Pierrot, Jean-Claude Arnaud, Lise Ségur Roteiro: Philippe Claudel Duração: 115 min. Minha nota: 7/10
O país não é o seu e a todo tempo te fazem ter a certeza de que você não é bem-vindo ali. A entrada nos lugares é proibida, não existem empregos e a caridade de um ou outro são a única gentileza daquela terra. O drama da imigração ilegal de curdos foragidos da guerra e a xenofobia européia são o assunto principal do filme francês Bem-Vindo.
Sem exageros, o longa consegue demonstrar algumas das situações a que estrangeiros ilegais têm que se sujeitar em um país que não as quer. O comportamento da sociedade diante destas pessoas estranhas é totalmente contraditório e é de uma dessas situações incoerentes que vêm o nome do filme.
Todas as culturas e os idiomas chegam junto com a história de dois homens e seus amores. O jovem Bilal, refugiado iraquiano que, mesmo sem falar uma palavra de francês, tenta ir para Londres para reencontrar a namorada, e o professor de natação Simon que sofre com a solidão de um amor acabado.
Depois de pagar 500 euros para tentar, sem sucesso, fazer a travessia em caminhões de carga para o Reino Unido, o jovem Bilal resolve que chegará nadando, mesmo sem saber, até a namorada atravessando o Canal da Mancha.
Toda a complexidade das relações do filme são trabalhados através de pequenos detalhes: uma foto rasgada na carteira, ligações não atendidas e um anel são bons exemplos disso.
Os personagens principais são silenciosos e marcantes. Enquanto o professor, em uma interpretação maravilhosa de Vincent Lindon, traz em seu olhar duro a amargura e solidão. Bilal usa sua força de vontade para superar o próprio desespero e conquistar a simpatia do público.
Enquanto vemos em um a força de um sonho, no outro percebemos toda a desilusão. Toda a experiência de vida e o cansaço são levados em conta: o mais velho é desiludido e foi incapaz de se esforçar para recuperar seu amor, o mais novo, sonhador, não mede esforços.
A tristeza da história é óbvia e o filme ganha muitos pontos na maneira como explicita seus conflitos. Os dramas não são vomitados na tela de forma precipitada e gratuita. Eles chegam suavemente e convencem.
O roteiro não é fácil, mas é todo trabalhado de forma simples. Os diálogos são maravilhosos e precisos e não ficam dando voltas naquilo que não precisa ser repetido.
Os enquadramentos são naturais, seguindo a tradição francesa, e muito bem elaborados. A trilha sonora, pontual, tem uma grande força e puxa a platéia para dentro do filme.
Daqueles longas que não perdem tempo enfeitando o que não precisa e não pode ser enfeitado. Cru e verdadeiro, faz com que pensemos em sua história mesmo muito depois de termos saído do cinema.
Um Grande Momento
A briga entre Bilal e Simon dentro do apartamento.
Prêmios e indicações(as categorias premiadas estão em negrito) Festival de Berlim: Júri Ecumênico, Label Europa
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Drama Direção: Philippe Lioret Elenco: Vincent Lindon, Firat Ayverdi, Audrey Dana, Derya Ayverdi, Thiery Godard, Selim Akgul Roteiro: Olivier Adam, Emmanuel Courcol, Philippe Lioret Duração: 110 min. Minha nota: 9/10
Existem filmes que não envelhecem nunca e, mesmo que alguns elementos técnicos já estejam ultrapassados, evolvem de certa maneira seus espectadores que o tempo deixa de ser um inimigo e se torna um aliado.
Assim é a comédia Quanto Mais Quente Melhor. Considerada um dos melhores filmes do gênero em todos os tempos, a história chega às telas não só fazendo rir, mas anunciando que os tempos no cinema estavam mudando. Como diz o crítico Celso Sabadin: "Era o ponto final dos ingênuos anos 50. Era o prenúncio dos quentes e liberais anos 60."
No início dos anos 30, dois músicos muito amigos presenciam a execução de um mafioso em Chicago e, para não serem mortos, disfarçam-se de mulher e vão tocar em uma orquestra feminina. Joe vira Josephine e Jerry, Daphne e, em pouco tempo, ficam muito "amigas" de Sugar Kane, a cantora que gosta mais do que devia de uma caninha e quer conquistar um milionário.
O roteiro de I. A. L. Diamond e do próprio diretor Billy Wilder é muito inteligente. Com diálogos sempre interessantes e muita coisa a ser pescada nas entrelinhas.
O elenco também é fundamental para o filme. Sugar Kane é vivida por Marilyn Monroe, que tinha muita dificuldade em decorar falas e não é a melhor atriz do mundo, mas é linda como ninguém nunca foi e, mesmo que sua voz não seja perfeita, conquistou muito marmanjo por aí com a música "I Wanna Be Loved By You".
Tony Curtis dá vida ao saxofonista Joe e faz rir tanto com sua tentativa frustrada de ser uma bem comportada Josephine, como com seu Junior, um milionário de meia-tigela. Mas quem domina todas as cenas em que aparece é mesmo Jack Lemmon. Seu Jerry disfarçado de Daphne é um dos papéis mais memoráveis do cinema.
A estrutura de comédia musical é mantida e os números estão sempre muito bem justificados com os shows da orquestra feminina.
Em nenhum momento o filme apela para a graça fácil e boba dos pastelões. Ainda que vejamos dois homens vestidos de mulher - no caso, Wilder preferiu filmar em preto e branco justamente para a maquiagem não ficar mais engraçada do que deveria - não existe qualquer tipo de apelação e, muito menos, preconceito.
Daqueles filmes obrigatórios para todos os que gostam de cinema. Para ser visto mais de uma vez e se existir algum meio de conferir na telona, não perca a oportunidade. Vale realmente muito a pena.
Um Grande Momento
Em uma lancha, as duas últimas falas.
Prêmios e indicações(as categorias premiadas estão em negrito) Oscar: Direção, Roteiro Adaptado, Ator (Jack Lemmon), Direção de Fotografia em Preto e Branco (Charles Lang), Direção de Arte em Preto e Branco (Ted Haworth, Edward G. Boyle), Figurino em Preto e Branco (Orry-Kelly) BAFTA: Filme, Ator Estrangeiro (Jack Lemmon) Globo de Ouro: Filme - Comédia, Ator - Comédia e Musical (Jack Lemmon), Atriz - Comédia e Musical (Marilyn Monroe)
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Comédia Direção: Billy Wilder Elenco: Marilyn Monroe, Tony Curtis, Jack Lemmon, Joe E. Brown, Joan Shawlee, Dave Barry, Billy Gray, George Raft, Pat O'Brien Roteiro: Robert Thoeren, Michael Logan (história), Billy Wilder, I. A. L. Diamond Duração: 120 min. Minha nota: 10/10