Presos na ilha
Por Cecilia Barroso
Com toques do bom cinema noir, Ilha do Medo, que estréia hoje nos cinemas, é um daqueles suspenses cheios de tensão psicológica e reviravoltas. Aproveite a viagem!
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Por Cenas de Cinema
Em uma noite mais entediante do que animada a Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood anunciou os melhores do ano. E Guerra ao Terror foi o grande vencedor da noite.
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Por Cenas de Cinema
O Troféu Framboesa de Ouro chega à sua 30ª edição. Além de premiar os piores do ano, também foram escolhidos os piores da década. E Sandra Bullock cumpriu a promessa, foi receber seu prêmio.
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Por Cecilia Barroso
Com Fita Branca, Michael Haneke tenta descobrir quem foram as crianças que viraram os adultos nazistas da Segunda Guerra e de onde podem ter tirado tanto ódio e intolerância.
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Por Cecilia Barroso
Sensibilidade e ação se misturam no drama sul-coreano Mother para contar a história de uma mãe que não mede esforços e nem consequências para salvar seu único filho.
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Por Cecilia Barroso
Depois do lançamento espalhafatoso no mercado nacional direto em dvd, chega aos cinemas Guerra ao Terror, retrato duro da influência da guerra na vida de seus soldados.
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Por Cecilia Barroso
A poesia de Manoel de Barros é uma daquelas viagens deliciosas que sempre gostamos de fazer. Conhecer um pouco mais sobre a vida do poeta e estar tão perto de sua obra é inspirador.
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Por Cecilia Barroso
Zeca já passou da adolescência há muito tempo, mas parece não ter se dado conta disso. Carregado pela vida, acaba se enrolando e vivendo algo bem inusitado.
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Por
Cecilia Barroso
em
31.5.09
Hoje é dia de listinha e a de hoje é daquelas bem maldosas. Sabe aquelas pessoas que insistem em fazer cinema mas têm uma dificuldade enorme de acertar? Pois é. A "homenagem" é para elas.
Como sempre, mais de dez nomes foram lembrados, mas vão ficar de fora da lista. E não fiquem bravos se, por acaso, achem alguma citação injusta para vocês, afinal de contas, a lista é totalmente subjetiva.
Por
Cecilia Barroso
em
30.5.09
(Die Fälscher, AUT/ALE, 2007)
O holocausto é, sem dúvida, um dos temas mais recorrentes no cinema atual. São tantos filmes que o assunto começou a ser uma restrição e ao invés de curiosidade, causa preguiça. O que ainda nos faz ir ao cinema são filmes como Os Falsários que conseguem escolher recortes interessantes de uma mesma história que já conhecemos tão bem.
Ainda que se passe em um campo de concentração, o filme se concentra não exatamente no extermínio dos judeus, mas em uma questão humana que simplesmente não consegue ser respondida: Até que ponto é aceitável garantir a própria vida sabendo que você está ajudando a manter um sistema que mata milhares de pessoas?
O filme conta a história de Salomon Sorowitsch (Karl Markovics), um habilidoso falsário alemão que mesmo preso antes do início da guerra, por ser judeu, é levado ao campo de concentração Sachsenhausen para chefiar uma equipe que produzirá libras e dólares falsos para desestabilizar os inimigos econômicamente e financiar a já falida Alemanha.
O conhecemos no pós-guerra, em Monte Carlo depois de ter perdido dinheiro em um cassino. A partir daí a história é contada em flashback e nos leva à Berlim de antes da guerra, onde o bon-vivant Salomon, ou Sally, fazia e acontecia com suas muitas falsificações.
A ligação com o campo de concentração, ao som do famoso tango "Mano a Mano", de Carlos Gardel, é perfeita e a atuação de Markovics entre essas duas realidades tão distintas é fantástica.
O resto do grupo de escolhidos pelos nazistas tem pintores, tipógrafos e outros que, por seu trabalho, tinham regalias impensáveis em um campo de concentração como direito a banhos semanais, roupas comuns e camas com bons colchões, lençois e travesseiros.
A tensão e o medo estão presentes em todos os momentos e se temos de um lado Sally tentando sobreviver a qualquer custo, de outro temos o marxista Adolf Burger (August Diehl) que, contrário à ajuda aos nazistas, resolve sabotar o esquema.
As atuações são fundamentais para o sucesso do filme. Se Markovics contrói um personagem contido e discreto, Diehl é justamente o oposto, apaixonado e sentimental e os dois juntos em cena, se enfrentando, ficam na memória. Do lado dos nazistas outro que chama a atenção interpretando o cínico nazista Frederic Herzog é Devid Striesow (A Queda).
Foi com estas interpretações e uma produção econômica que Stefan Ruzowitzky contou uma história que diz muito mais do que outros filme do tema e que não cai na armadilha da apelação dos últimos exemplares do gênero como O Menino do Pijama Listrado, O Leitor e O Homem Bom e nem fica se prendendo a cenas chocantes.
A trilha sonora, mesmo parecendo estranha, casa muito bem com o filme e o uso de um trecho de Tosca é perfeito para demonstrar o clima do filme, já que conta uma outra história de traição e esperança.
Um excelente filme para demonstrar que, por mais explorado que seja um tema, sempre existem possibilidades criativas de voltar a ele sem cansar o espectador e, o melhor, contando excelentes histórias.
Merece ser conferido.

Drama
Direção: Stefan Ruzowitzky
Elenco: Karl Markovics, August Diehl, Devid Striesow, Martin Brambach, August Zirner, Veit Stübner
Roteiro: Adolf Burger (livro), Stefan Ruzowitzky
Duração: 98 min.
Minha nota: 8/10
Por
Cecilia Barroso
em
29.5.09
(A Mulher Invisível, BRA, 2009)
Depois de Se Eu Fosse Você 2 e Divã lotarem as salas nacionais, chegou a vez de uma outra comédia chamar a atenção do cinema brazuca. Depois de quase quatro anos de produção, A Mulher Invisível, um projeto de Cláudio Torres (O Redentor), tanto pela história divertida como pela presença de várias estrelas globais, tem boas possibilidades de ser mais um sucesso de bilheteria.
Logo nos primeiros minutos de filme já conseguimos notar que alguma coisa liga a história que está por vir a algo que já conhecemos, pois a música com levada dos anos 70 se parece muito com os temas de tele-séries da época. Entramos na vida do protagonista com um truque do diretor, como vizinhos bisbilhoteiros, ouvindo pela parede, e já nos interessamos pela trama.
Abandonado pela esposa, Pedro (Selton Mello) amarga uma depressão daquelas. Até conhecer Amanda (Luana Piovani), uma vizinha que é a realização de todos os seus sonhos. O único problema é que a moça só pode ser vista por ele e várias situações absurdas começam a acontecer.
O texto é o ponto mais forte da produção e as boas piadas aparecem durante todo o filme.
Selton Mello (Meu Nome Não É Johnny) e Vladimir Brichta (Fica Comigo Esta Noite) estão hilários e convincentes como os dois amigos de características opostas que se completam de alguma maneira. A conversa dos dois depois de Pedro se recuperar da depressão e voltar ao trabalho é excelente e brinca com a necessidade dos homens de contar aquilo que estão fazendo com as mulheres. As brigas também são ótimas e provocam vários risos na platéia.
Do lado feminino do elenco a surpresa fica com a participação de Maria Manoella como Vitória que não lembra nada a deprimida Magali de Nossa Vida Não Cabe Num Opala. Luana Piovani (O Casamento de Romeu e Julieta), a mulher invisível do título, chama muita atenção por sua forma física e pelo figurino sumário, além de estar bem no papel.
A irmã do diretor, Fernanda Torres (Saneamento Básico, o Filme), Marcelo Adnet (Podecrer!), e Paulo Betti (A Casa da Mãe Joana) também fazem pontas divertidas.
O roteiro do próprio Cláudio Torres é muito interessante e se aproveita da nossa curiosidade, que adora ver como alguém reage a algo que conhecemos, mas o outro desconhece. No caso, é muito engraçado poder antecipar as reações de Pedro a fatos que já foram antecipados à plateia por dicas dos mais variados tipos (Amanda assiste, torce e sabe o nome dos técnicos do clássico Luziânia x Sobradinho, por exemplo).
Outros diálogos também merecem um destaque. A briga de Pedro e Carlos na escada de incêndio; as duas irmãs Vitória e Lucia tentando descobrir o que está acontecendo no apartamento ao lado; a passagem dos bilheteiros no cinema, com a linguagem de telemarketing, e a conversa decisiva de Pedro depois que descobre que Amanda é mesmo invisível.
A boa movimentação de câmera chama atenção. Os cortes de cena também seguem uma lógica e não são nem cansativos, nem distraem os espectadores.
Seguindo o principal traço do filme, brincadeiras com o som, que está ótimo, também acontecem e alguns efeitos não decepcionam.
A trama é muito previsível, como qualquer outra do gênero, e tenta se segurar em várias viradas depois da primeira metade do filme e acaba cansando pela quantidade de reviravoltas. Outras cenas também incomodam bastante, como a da primeira página do livro, com texto em close e narração.
O sotaque de Maria Manoella também é problemático. Para uma filha de mineiros que mora no Rio há muitos anos, seu jeito de falar está estranho. E esse negócio de importar atitudes claramente hollywoodianas para o cinema, como os aplausos em cenas de beijo, também não agrada muito. Além disso, o final comprido e enrolado não foi a escolha mais sábia.
Apesar dos pesares, na balança o resultado é positivo e o filme consegue, sem nenhuma dúvida, divertir aqueles que o assistem. Um daqueles programas que tem tudo para dar certo e te deixar mais feliz.
E sempre é bom ver que o cinema nacional está começando a andar e ganhar público ultimamente. Derrubando assim preconceitos que não precisam mais existir.
Ps.: Na hora de fazer o trailer tem que ter mais cuidado para não revelar mais do que o necessário.

Comédia
Direção: Cláudio Torres
Elenco: Selton Mello, Luana Piovani, Vladimir Brichta, Maria Manoella, Paulo Betti, Fernanda Montenegro, Marcelo Adnet, Maria Luisa Mendonça
Roteiro: Cláudio Torres (com colaboração de Adriana Falcão, Cláudio Paiva, Maria Luisa Mendonça)
Duração: 90 min.
Minha nota: 6/10
Quem quiser participar do festival de micrometragens Cel.U.Cine ainda tem tempo para mandar a sua obra-prima. É que as inscrições foram prorrogadas pela organização do evento até o dia 10 do mês que vem.
Focado em produções de até 3 minutos, o festival premia filmes que tenham sido gravados em celulares, câmeras digitais e mini-dvds.
Em sua segunda etapa, com o tema "Sonhando acordado", o Cel.U.Cine conta com as parcerias do Canal Brasil, que exibirá os filmes, e da RIO Filmes, que lançará as produções em DVD.
Os filmes devem ser enviados pelo portal www.celucine.com.br. O resultado da 2° etapa será divulgado entre os dias 16 e 22 de Junho.
E então? Pegue logo o seu celular e mostre o cineasta que há em você.
Por
Cecilia Barroso
em
27.5.09
Essa dica veio direto do Pinga Pix, a newsletter da revista Pix - Diversão Digital, que assino e leio todos os dias, e não podia ficar de fora daqui do Cenas, já que fala justamente disso: cenas. A proposta é, na verdade, um desafio: como contar um filme com apenas quatro quadros?
O projeto Movies in Frames é uma iniciativa de um grupo de colaboradores que já contou algumas dezenas de filmes desse jeito. No blog já estão disponíveis títulos como Veludo Azul, de David Lynch; Um Beijo Roubado, de Wong Kar Wai; Juno, de Jason Reitman; O Mensageiro do Diabo, de Charles Laughton, e muitos outros.
Para os exemplos, escolhi filmes relativamente novos e que me impresesionaram tão bem que não acho ruim assistí-los mais de uma vez.


Por
Cecilia Barroso
em
26.5.09
(Si, Jie, EUA/CHI/TWN/HKG, 2007)
Ocupação japonesa dos territórios chineses durante a Segunda Guerra Mundial. Um grupo de estudantes decide armar o assassinato de um dos contribuintes do lado japonês, o torturador Mr. Yee (Tony Leung Chiu Wai). A jovem Wang (Wei Tang) é a escolhida para conquistar seu coração e deixá-lo vunerável e assume uma outra personalidade.
A cada dia que passa fico mais impressionada com a habilidade dos diretores chineses ao tratar o amor impossível ou de difícil realização. Em Desejo e Perigo Ang Lee consegue transformar uma história de suspense e violência em algo romântico.
O filme tem elementos noir e lembra um pouco o estilo do conterrâneo de Lee, Wong Kar Wai (Um Beijo Roubado). Tanto pela temática, como pela ambientação e a presença de Tony Leung (Amor à Flor da Pele) no elenco. As belas imagens do diretor de fotografia Rodrigo Prieto (O Segredo de Brokeback Mountain) e a coreografia de cada uma das cenas de sexo são tão meticulosas que transformam a experiência em algo inesquecível.
Estas cenas, aliás, causaram polêmica por onde passaram e chegaram a atrasar a distribuição do filme. Mas são fundamentais para a compreensão da aproximação de Yee e Wang e o desenvolvimento de sua complicada relação. Do mesmo modo que o jogo de Majohng das esposas dondocas, com suas conversas, é importante para compreendermos o momento pelo qual a China passa.
O desenho de produção de Lai Pen (A Atriz), que também assina o figurino, está impecável. A reecontrução da época nos mínimos detalhes chama a atenção, mas não é exagerada. A trilha sonora de Alexandre Desplat (O Curioso Caso de Benjamin Button) também é perfeita em sua sutileza.
Mas o maior trunfo de Desejo e Perigo, depois da interessantíssima adaptação da obra de Eileen Chag pelos roteiristas James Schamus e Hui-Ling Wang (O Tigre e o Dragão), é o elenco. Tony Leung consegue passar toda a agressividade e a fragilidade escondida de seu personagem e tem um olhar que consegue dizer tudo sem usar as palavras. A novata Wei Tang também não decepciona e se entrega completamente ao papel.
Mesmo com todas as qualidades o filme é longo e lento em muitos momentos e pode irritar aqueles que tem a paciência curta.
Um modo diferente e poético de tratar toda a situação política de um país em um momento de pura tensão. E mais uma prova de que Ang Lee sabe como falar de amor, ainda que platônico ou complicado.

Drama
Direção: Ang Lee
Elenco: Tony Leung Chiu Wai, Wei Tang, Joan Chen, Lee-Hom Wang, Chung Hua Tou, Chih-ying Chu, Yue-Lin Ko, ying-hsien Kao
Roteiro: Eileen Chang (conto), James Schamus, Hui-Ling Wang
Duração: 148 min.
Minha nota: 8/10
Por
Cecilia Barroso
em
25.5.09
(Rachel Getting Married, EUA, 2008)
Que família é um negócio complicado, todo mundo já sabe. Problemas não exclusivos acontecem aqui e ali, muitas vezes geram outros maiores e seguem em um crescendo. E, mesmo que as pessoas tendam pensar que só sua família é assim, na verdade qualquer outra família pode passar por situações parecidas.
Kym está internada para tentar se curar do vício em drogas e vai passar o final de semana com a família para participar do casamento de sua irmã, Rachel. A tensão causada pela presença dela e os fantasmas do passado vem e vão sem parar e nós, convidados deste casamento, vemos tudo através da nossa própria câmera.
Filha do diretor Sidney Lumet (Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto), Jenny Lumet estréia muito bem uma história que mantém um ar de simplicidade mas está repleta de significados e nuances escondidos. Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes) segue o mesmo princípio e nos inclui na festa e nesta família magoada. Não é a toa que o filme todo é rodado em digital e com a câmera na mão e essa filmagem amadora, de festa em casa, é fundamental.
Muitos outros detalhes deixam a festa mais parecida com tudo que conhecemos de perto. A trilha sonora é executada pelos músicos do casamento e a iluminação, mérito do excelente fotógrafo Declan Quinn (Café da Manhã em Plutão), está o mais natural possível. O som direto também é fundamental para criar o clima.
Os atores também estão excelentes e tão à vontade que parecem mesmo se conhecer há toda vida. Anne Hathaway (O Diabo Veste Prada) dá um show como a arrependida Kym, que vê na festa a oportunidade de se desculpar por todo mal que fez à família, e está muito bem acompanhada por Rosemarie DeWitt (A Luta pela Esperança), a noiva-irmã que quer, pela primeira vez na vida, as atenções só para ela e que tudo dê certo em seu grande dia. Outros nomes que chamam atenção são Bill Irwin (Across the Universe) como o esperançoso e preocupado pai e Debra Winger (Esqueça Paris) como a ausente mãe.
Um filme que vai conquistando o público a medida que evolui na tela e é duro e difícil como a maioria das produções que envolvem relações familiares. Ainda assim, merece ser visto. Talvez seja bom escolher um dia menos triste para assistir.
O conjunto da obra me lembrou muito dos filmes Cerimônia de Casamento, de Robert Altman, e Festa de Família, de Thomas Vinterberg.

Drama
Direção: Jonathan Demme
Elenco: Anne Hathaway, Bill Irwin, Anna Deavere Smith, Rosemarie DeWitt, Anisa George, Mather Zickel, Tunde Adebimpe, Debra Winger, Jerome Le Page
Roteiro: Jenny Lumet
Duração: 113 min.
Minha nota: 9/10
Por
Cecilia Barroso
em
25.5.09
Por problemas técnicos, o Top 10 da semana não pode ser publicado ontem, no domingo. Como tudo já está devidamente resolvido, vamos à sugestão da leitora Juliana Costa, da Bahia.
Adolescente, ela quer ver aqui quais são os dez filmes de amor que o Cenas de Cinema escolheria. Na lista estão muitos clássicos da minha época de adolescência, mas outros títulos, mais atuais, também foram lembrados.
Claro que os clichês são e assim como muita gente gosta, muita gente detesta o gênero.
Por
Cecilia Barroso
em
23.5.09
(Angels & Demons, EUA, 2009)
Mais uma vez adaptação. Mais uma vez fracasso. Ainda que o roteiro se baseie em um livro completamente visual e escrito como se pedisse para ser filmado, estilo receita de bolo de Dan Brown, nada funciona em Anjos e Demônios.
Robert Langdon é procurado por um representante do Vaticano para ajudar a localizar quatro cardeais, possíveis sucessores do papa, sequestrados e uma partícula, com alto poder explosivo, roubada de um laboratório onde experimentos são feitos para descobrir a origem do universo.
Com a direção do irregular Ron Howard, que dirigiu também o equivocado Código Da Vinci, o longa cansa a platéia com muito falatório, cenas de ação atropeladas e a constante sensação de que toda a história ficaria muito melhor em uma mini-série.
Muita coisa foi alterada para caber na trama filmada. Alguns arranjos deturparam a história e outros ficaram tão mal amarrados e sem sentido que era melhor não terem existidos. É tanta informação que tudo fica em segundo plano para dar conta de explicar uma história que envolve catolicismo, física, iluminati e a criação do universo. Nem os personagens têm algum destaque. Vittoria Vetra, por exemplo, não precisa estar ali.
O começo é tão corrido que fica difícil compreender o que está realmente acontecendo no laboratório de Vetra. As coisas tem que ser explicadas o tempo todo e essa intervenção causa um certo desconforto na platéia.
Apesar de um bom trabalho de Ewan McGregor (Moulin Rouge) como o carmelengo e de Stellan Skarsgård (Mamma Mia) como o comissário de polícia, o elenco não está nem um pouco equilibrado.
Tom Hanks (Jogos do Poder) está mais canastrão do que nunca. Esquecendo a interpretação já feita da mesma personagem, ele assume outra personalidade para Robert Langdon e, cheio de caras e bocas repetitivas, não consegue se sair bem. Ayelet Zurer (Ponto de Vista), apesar de linda, não disse ao que veio. Claro que a trama volumosa e personagens não delimitadas prejudicaram o trabalho dos atores, que não conseguem trazer muita veracidade às interpretações.
As opções de câmera seguem o padrão tradicional de cenas de ação e quando são mais ousadas, como a respiração de Langdon na piscina, falham e destoam do resto. O som é competente, mas é ofuscado por uma trilha sonora carregada, quase contínua e que, muitas vezes, não combina com a cena que mostra.
Os clichês também dão uma passeada pela tela como, por exemplo, os repórteres dando a notícia em várias línguas ao mesmo tempo. Uma das coisas mais batidas do cinema. As forçações de barra também são difíceis de aturar. Lanternas que aparecem por acaso, salvamentos por bombeiros e a terrível cena no chafariz.
Confuso, corrido, previsível e pasteurizado, Anjos e Demônios frustra e cansa. Não importa se você leu ou não o livro que deu origem ao filme e nem se você é fã de alguns dos atores do elenco, a vontade de sair no meio do filme ou pelo menos ter um controle remoto para parar de vez em quando é grande.
Para mim, um desperdício de dinheiro e de tempo. E mais uma prova de que se Ron Howard acerta de vez em quando é pura sorte.
Copyright 2009 Cecília Barroso
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