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Cecilia Barroso
em
5.9.09
(O Homem Que Copiava, BRA, 2003)
Você pode construir uma personagem com vários retalhos que nem sempre combinam e se encaixam, e deixá-lo tão atraente que qualquer atitude que ela tome seja perdoada ou tenha sua gravidade diminuida? A resposta é tão positiva quanto negativa no filme de Jorge Furtado, O Homem Que Copiava.
André (Lázaro Ramos), o protagonista, trabalha em uma loja de fotocópias e vive com os centavos contados. Todo o seu conhecimento de vida se resume a uma mistura de vários trechos de textos que ele aproveita para ler enquanto copia o material para os clientes.
Ele se apaixona por Sílvia (Leandra Leal), a vizinha que espiona pela janela, e, por causa dela, começa a praticar delitos para conseguir algum dinheiro. Para ajudá-lo, ele conta com Cardoso (Pedro Cardoso), vendedor de quinquilharias, e com a colega de trabalho Marinês (Luana Piovani).
A simplicidade e as trapalhadas de André, somadas ao carisma do ator Lázaro Ramos, despertam um sentimento no público, que torce para que tudo saia como o planejado, mas a progressão de condutas amorais causa uma rejeição
Ao mesmo tempo temos dois Andrés, um tão tímido que não consegue olhar nos olhos de seus interlocutores e outro que sai fazendo coisas reprováveis. Esse contraste de sentimentos vai até o final do filme e pode incomodar um bocado.
A linha narrativa é toda recortada, assim como o conhecimento de André, e mistura os mais diversos elementos. Para tudo isso unido, o diretor optou por uma narração em off, que preenche lacunas, esclarece situações e dá dicas, e pela montagem precisa, assinada por Giba Assis Brasil.
O elenco está todo muito bem integrado e transmite toda a intimidade que tem com o projeto. O único incômodo fica por conta do sotaque gaucho em atores que não são de lá. Será que não era melhor deixar o sotaque para outra hor? Mas isso é uma bobagem frente a todo o resto.
O mais interessante do filme fica mesmo por conta da contradição que ele nos traz e no seu modo de abordar a falta de perspectiva da juventude atual, além de mostrar como a amoralidade é vista com condescendência por nós.
Em um país onde se elege qualquer porcaria, onde a aparência (das pessoas e das obras que as pessoas fazem) vale mais do que qualquer atitude e onde a corrupção não choca mais ninguém, vale parar, pensar em tudo isso e descobrir que precisamos prestar atenção em outras coisas muito mais importantes.
Porque sempre pode ter uma galinha do outro lado da rua.

Comédia
Direção: Jorge Furtado
Elenco: Lázaro Ramos, Leandra Leal, Pedro Cardoso, Luana Piovani, Carlos Cunha, Júlio Andrade, Janaína Kremer, Artur Pinto
Roteiro: Jorge Furtado
Duração: 123 min.
Minha nota: 8/10
Copyright 2009 Cecília Barroso
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3 comentários :
Adoro esse filme, para mim um dos melhores do cinema nacional
Sempre tive curiosidade de conferir este filme, mas falta oprtunidade!
Um dos melhores filmes nacionais que já vi. Dialogos incriveis, cenas incrivelmente engraçadissimas, personagens inesqueciveis, um roteiro que prende apesar de fraquejar no finalzinho e acima de tudo: uma linguagem sensacional que o cinema nacional deveria tomar como referencia.
Um neo-classico.
Abraços.
Ps: Voltei a postar ... confira depois. Besos!
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