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Cecilia Barroso
em
16.6.09
(Duplicity, EUA/ALE, 2009)
Desde o sucesso de Closer já dava para notar que a química entre Clive Owen (Mandando Bala) e Julia Roberts (Jogos do Poder) podia gerar bons lucros para as grandes produtoras de cinema de Hollywood. A dobradinha esperou cinco anos para se repetir, mas correspondeu a todas as expectativas.
Em Duplicidade, os dois dão vida a Ray Koval e Claire Stenwick, um casal de ex-espiões federais envolvidos em uma briga de cachorros grandes. A espionagem industrial, com roubo de fórmulas e fortes esquemas de segurança, é a especialidade dos dois, empregados de duas corporações inimigas. O segredo de uma delas é o principal plano dos dois.
Os cachorros grandes são Richard Garsik e Howard Tully, vividos por ninguém menos do que Paul Giamatti (O Ilusionista) e Tom Wilkinson (Normal). Embora o filme seja sobre o casal de espiões, são os dois empresários poderosos que trazem o público para a dentro da trama e da maneira mais inusitada possível: com uma briga esdrúxula, aproveitada nos mínimos detalhes pelo diretor Tony Gilroy (Conduta de Risco).
Gilroy também acerta ao escolher uma movimentação de câmera tão agitada quanto a história contada. As telas divididas e recortadas, que não agradam muito, brincam com a quantidade de informação que o espectador pode ter. A brincadeira se repete ao final de cada flashback, quando o quadro vai diminuindo até desaparecer, como se aquela verdade mostrada fosse tomada para ser transformada em outra. E o público que fique tão desconfiado quanto os personagens.
A boa música de James Newton Howard (Batman Begins) tem um papel fundamental e, de certa forma, marca bem o ritmo do filme. O desenho de produção de Kevin Thompson (Mais Estranho que a Ficção) também deve ser citado, assim como a arte de Steve Carter (Amor e Outros Desastres) e a cenografia de George De Titta Jr. (Eu Sou a Lenda), que são notórios na cena da revelação na sala de Tully, visualmente muito bem elaborada. Esta sala, especificamente, merece um olhar mais demorado.
O elenco está muito bem e, embora o destaque fique com Wilkenson em suas poucas cenas, Owen e Roberts estão muito bem como o casal central e sabem como se aproveitar da química entre eles. Enquanto ele está confortável (e lindo) no papel do conquistador, Roberts parece estar mais serena e tem o domínio de sua personagem.
Quem aparece rapidamente e deixa sua marca é Carrie Preston, a Arlene de True Blood, como uma das funcionárias da empresa de Tully. A cena do interrogatório depois da quebra de segurança é ótima.
Se a linha visual do filme é toda equilibrada e o elenco convincente, o mesmo não pode ser dito do roteiro que, apesar de ótimas falas e sequências, se perde em alguns momentos e acaba cansando pelo excesso de duração e detalhamento em algumas cenas. Um exemplo seria a primeira visita de Garsik ao seu quartel improvisado, uma apresentação de personagem que só funciona nos primeiros momentos.
No conjunto geral, porém, é um roteiro funcional e ganha pontos extras por trabalhar com duas verdades, uma para o espectador e outra para os personagens, e por manter bem a tensão e a curiosidade.
Divertido, é uma excelente pedida para passar o tempo, sem pretensões. Daqueles que a gente fica com vontade de ver mais uma vez depois que acaba só para ver os detalhes que ficaram pelo meio do caminho.
Claro que alguns diálogos, principalmente aqueles que acontecem em aeroportos, não precisam ser tão considerados assim.

Suspense
Direção: Tony Gilroy
Elenco: Clive Owen, Julia Roberts, Tom Wilkinson, Paul Giamatti, David Shumbris, Oleg Shtefanko, Denis O'Hare, Kathleen Chalfant, Thomas McCarthy, Wayne Duvall, Carrie Preston
Roteiro: Tony Gilroy
Duração: 125 min.
Minha nota: 7/10
Copyright 2009 Cecília Barroso
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5 comentários :
Pancadaria entre empresário? Isso eu quero ver! Verei o filme pela dupla de atores e, claro, Tony Gilroy, que é genial.
Ciao!
Eu tenho um sério problema com filmes que tem Julia Roberts no elenco. Por isso, não fui ver Duplicidade (como fiz, aliás, com A Mexicana, Jogos de Poder e até o Erin Brocovich, que ela ganhou o Oscar). Prefiro esperar pelo DVD e, mesmo, assim, pelo diretor (adorei Conduta de Risco).
DUPLICIDADE já começa com diálogos intensos, se mantém com diálogos complexos e encerra com excesso de diálogos. Já é logo assim, na primeira frase que defino o longa do diretor e roteirista .... Apesar da ótima produção e atuação do elenco, o longa cansa e a imprensão é de algo genérico o tempo inteiro, a não ser o desfecho, que é espetacular e que devia ter inspirado o restante da história, quanto o nível qualitativo, roteiristicamente falando. As locações são bastante benéficas às cenas, a trilha sonora é mediana, a fotografia é fora de série, a edição fez total diferença e deu um toque a mais. Mas com um roteiro ínfimo e uma direção equivalente, DUPLICIDADE nada mais é que um filme de discussão de relação entre os protagonistas Clive Owen e Julia Roberts, com a espionagem industrial como pano de fundo, lembrando bastante SR. E SRA. SMITH. Por que o desfecho é espetacular? Porque ele frustra o espectador. Simplesmente por isso: sair da rotina e dos clichês deste tipo de filme. O argumento é frouxo.
NOTA (0 a 5): 3,5
***
Muito engraçado e bom de ver! A cena da briga é mesmo excelente e o visual elaborado das cenas também se destaca. Julia Roberts é pra mim o ponto alto do filme. hhehehehee
Bjs
Gosto muito do Tony Gilroy ("Conduta de Risco" foi um dos grandes filmes em seu ano) e agora, num filme mais comercial, parece que ele foi muito bem. A dupla central, claro, é outro atrativo.
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