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Cecilia Barroso
em
25.6.09
(Welcome, FRA, 2009)
O país não é o seu e a todo tempo te fazem ter a certeza de que você não é bem-vindo ali. A entrada nos lugares é proibida, não existem empregos e a caridade de um ou outro são a única gentileza daquela terra. O drama da imigração ilegal de curdos foragidos da guerra e a xenofobia européia são o assunto principal do filme francês Bem-Vindo.
Sem exageros, o longa consegue demonstrar algumas das situações a que estrangeiros ilegais têm que se sujeitar em um país que não as quer. O comportamento da sociedade diante destas pessoas estranhas é totalmente contraditório e é de uma dessas situações incoerentes que vêm o nome do filme.
Todas as culturas e os idiomas chegam junto com a história de dois homens e seus amores. O jovem Bilal, refugiado iraquiano que, mesmo sem falar uma palavra de francês, tenta ir para Londres para reencontrar a namorada, e o professor de natação Simon que sofre com a solidão de um amor acabado.
Depois de pagar 500 euros para tentar, sem sucesso, fazer a travessia em caminhões de carga para o Reino Unido, o jovem Bilal resolve que chegará nadando, mesmo sem saber, até a namorada atravessando o Canal da Mancha.
Toda a complexidade das relações do filme são trabalhados através de pequenos detalhes: uma foto rasgada na carteira, ligações não atendidas e um anel são bons exemplos disso.
Os personagens principais são silenciosos e marcantes. Enquanto o professor, em uma interpretação maravilhosa de Vincent Lindon, traz em seu olhar duro a amargura e solidão. Bilal usa sua força de vontade para superar o próprio desespero e conquistar a simpatia do público.
Enquanto vemos em um a força de um sonho, no outro percebemos toda a desilusão. Toda a experiência de vida e o cansaço são levados em conta: o mais velho é desiludido e foi incapaz de se esforçar para recuperar seu amor, o mais novo, sonhador, não mede esforços.
A tristeza da história é óbvia e o filme ganha muitos pontos na maneira como explicita seus conflitos. Os dramas não são vomitados na tela de forma precipitada e gratuita. Eles chegam suavemente e convencem.
O roteiro não é fácil, mas é todo trabalhado de forma simples. Os diálogos são maravilhosos e precisos e não ficam dando voltas naquilo que não precisa ser repetido.
Os enquadramentos são naturais, seguindo a tradição francesa, e muito bem elaborados. A trilha sonora, pontual, tem uma grande força e puxa a platéia para dentro do filme.
Daqueles longas que não perdem tempo enfeitando o que não precisa e não pode ser enfeitado. Cru e verdadeiro, faz com que pensemos em sua história mesmo muito depois de termos saído do cinema.

Drama
Direção: Philippe Lioret
Elenco: Vincent Lindon, Firat Ayverdi, Audrey Dana, Derya Ayverdi, Thiery Godard, Selim Akgul
Roteiro: Olivier Adam, Emmanuel Courcol, Philippe Lioret
Duração: 110 min.
Minha nota: 9/10
Copyright 2009 Cecília Barroso
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2 comentários :
Confesso que ainda não tinha ouvido falar desse filme, mas certamente fiquei curioso após seus ótimos comentários!
Dificilmente sai algo ruim do cinema francês
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