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Cecilia Barroso
em
29.5.09
(A Mulher Invisível, BRA, 2009)
Depois de Se Eu Fosse Você 2 e Divã lotarem as salas nacionais, chegou a vez de uma outra comédia chamar a atenção do cinema brazuca. Depois de quase quatro anos de produção, A Mulher Invisível, um projeto de Cláudio Torres (O Redentor), tanto pela história divertida como pela presença de várias estrelas globais, tem boas possibilidades de ser mais um sucesso de bilheteria.
Logo nos primeiros minutos de filme já conseguimos notar que alguma coisa liga a história que está por vir a algo que já conhecemos, pois a música com levada dos anos 70 se parece muito com os temas de tele-séries da época. Entramos na vida do protagonista com um truque do diretor, como vizinhos bisbilhoteiros, ouvindo pela parede, e já nos interessamos pela trama.
Abandonado pela esposa, Pedro (Selton Mello) amarga uma depressão daquelas. Até conhecer Amanda (Luana Piovani), uma vizinha que é a realização de todos os seus sonhos. O único problema é que a moça só pode ser vista por ele e várias situações absurdas começam a acontecer.
O texto é o ponto mais forte da produção e as boas piadas aparecem durante todo o filme.
Selton Mello (Meu Nome Não É Johnny) e Vladimir Brichta (Fica Comigo Esta Noite) estão hilários e convincentes como os dois amigos de características opostas que se completam de alguma maneira. A conversa dos dois depois de Pedro se recuperar da depressão e voltar ao trabalho é excelente e brinca com a necessidade dos homens de contar aquilo que estão fazendo com as mulheres. As brigas também são ótimas e provocam vários risos na platéia.
Do lado feminino do elenco a surpresa fica com a participação de Maria Manoella como Vitória que não lembra nada a deprimida Magali de Nossa Vida Não Cabe Num Opala. Luana Piovani (O Casamento de Romeu e Julieta), a mulher invisível do título, chama muita atenção por sua forma física e pelo figurino sumário, além de estar bem no papel.
A irmã do diretor, Fernanda Torres (Saneamento Básico, o Filme), Marcelo Adnet (Podecrer!), e Paulo Betti (A Casa da Mãe Joana) também fazem pontas divertidas.
O roteiro do próprio Cláudio Torres é muito interessante e se aproveita da nossa curiosidade, que adora ver como alguém reage a algo que conhecemos, mas o outro desconhece. No caso, é muito engraçado poder antecipar as reações de Pedro a fatos que já foram antecipados à plateia por dicas dos mais variados tipos (Amanda assiste, torce e sabe o nome dos técnicos do clássico Luziânia x Sobradinho, por exemplo).
Outros diálogos também merecem um destaque. A briga de Pedro e Carlos na escada de incêndio; as duas irmãs Vitória e Lucia tentando descobrir o que está acontecendo no apartamento ao lado; a passagem dos bilheteiros no cinema, com a linguagem de telemarketing, e a conversa decisiva de Pedro depois que descobre que Amanda é mesmo invisível.
A boa movimentação de câmera chama atenção. Os cortes de cena também seguem uma lógica e não são nem cansativos, nem distraem os espectadores.
Seguindo o principal traço do filme, brincadeiras com o som, que está ótimo, também acontecem e alguns efeitos não decepcionam.
A trama é muito previsível, como qualquer outra do gênero, e tenta se segurar em várias viradas depois da primeira metade do filme e acaba cansando pela quantidade de reviravoltas. Outras cenas também incomodam bastante, como a da primeira página do livro, com texto em close e narração.
O sotaque de Maria Manoella também é problemático. Para uma filha de mineiros que mora no Rio há muitos anos, seu jeito de falar está estranho. E esse negócio de importar atitudes claramente hollywoodianas para o cinema, como os aplausos em cenas de beijo, também não agrada muito. Além disso, o final comprido e enrolado não foi a escolha mais sábia.
Apesar dos pesares, na balança o resultado é positivo e o filme consegue, sem nenhuma dúvida, divertir aqueles que o assistem. Um daqueles programas que tem tudo para dar certo e te deixar mais feliz.
E sempre é bom ver que o cinema nacional está começando a andar e ganhar público ultimamente. Derrubando assim preconceitos que não precisam mais existir.
Ps.: Na hora de fazer o trailer tem que ter mais cuidado para não revelar mais do que o necessário.

Comédia
Direção: Cláudio Torres
Elenco: Selton Mello, Luana Piovani, Vladimir Brichta, Maria Manoella, Paulo Betti, Fernanda Montenegro, Marcelo Adnet, Maria Luisa Mendonça
Roteiro: Cláudio Torres (com colaboração de Adriana Falcão, Cláudio Paiva, Maria Luisa Mendonça)
Duração: 90 min.
Minha nota: 6/10
Copyright 2009 Cecília Barroso
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5 comentários :
Ainda bem que eu ainda não vi o trailer desse filme, pois todo mundo comentou que estragou boa parte das surpresas. Pretendo conferir o longa pelo talento de toda a equipe envolvida.
Cecília, o seu "P.S" é extremamente pertinente. Assisti o filme antes do lançamento do seu trailer, e, quando vi que escolheram as melhores cenas para a montagem de divulgação, fiquei chocado.
O trailer entrega as cenas mais divertidas, estragando muito da surpresa.
Ah, e parabéns pela crítica. Gostei muito.
Abraço!
Oie!
Vinícius - Então fica longe do trailer mesmo, ele é daqueles que fala demais e pode estragar o seu filme. O que eu coloquei aqui é o pequeno, que não compromete tanto.
Bruno - Pois é. Perderam a mão na hora da divulgação. Aliás, tudo seria muito melhor se não soubéssemos nada sobre o filme, né?
Beijocas
Acho que é um problema do cinema atual, o trailer parece mais um resumo do filme, do que uma propaganda do mesmo. Incrível. Esperando A Mulher Invisível, assisti ao trailer de Harry Potter com a sensação de que não precisava mais do filme... Principalmente por ter lido o livro e reconhecido cenas da batalha final...
Quanto ao filme em si, é divertido. Mais um sucesso pro cinema nacional... Agora é hora de sucessos não comédia começarem a surgir.
Achei as observações muito interessantes e concordo com todas. Gostei demais do blog, tanto que o indico no meu.
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