Desejo e Perigo
arquivo, filmes | 27 de maio de 2009 às 6:24 am(Si, Jie, EUA/CHI/TWN/HKG, 2007)
Ocupação japonesa dos territórios chineses durante a Segunda Guerra Mundial. Um grupo de estudantes decide armar o assassinato de um dos contribuintes do lado japonês, o torturador Mr. Yee (Tony Leung Chiu Wai). A jovem Wang (Wei Tang) é a escolhida para conquistar seu coração e deixá-lo vunerável e assume uma outra personalidade.
A cada dia que passa fico mais impressionada com a habilidade dos diretores chineses ao tratar o amor impossível ou de difícil realização. Em Desejo e Perigo Ang Lee consegue transformar uma história de suspense e violência em algo romântico.
O filme tem elementos noir e lembra um pouco o estilo do conterrâneo de Lee, Wong Kar Wai (Um Beijo Roubado). Tanto pela temática, como pela ambientação e a presença de Tony Leung (Amor à Flor da Pele) no elenco. As belas imagens do diretor de fotografia Rodrigo Prieto (O Segredo de Brokeback Mountain) e a coreografia de cada uma das cenas de sexo são tão meticulosas que transformam a experiência em algo inesquecível.
Estas cenas, aliás, causaram polêmica por onde passaram e chegaram a atrasar a distribuição do filme. Mas são fundamentais para a compreensão da aproximação de Yee e Wang e o desenvolvimento de sua complicada relação. Do mesmo modo que o jogo de Majohng das esposas dondocas, com suas conversas, é importante para compreendermos o momento pelo qual a China passa.
O desenho de produção de Lai Pen (A Atriz), que também assina o figurino, está impecável. A reecontrução da época nos mínimos detalhes chama a atenção, mas não é exagerada. A trilha sonora de Alexandre Desplat (O Curioso Caso de Benjamin Button) também é perfeita em sua sutileza.
Mas o maior trunfo de Desejo e Perigo, depois da interessantíssima adaptação da obra de Eileen Chag pelos roteiristas James Schamus e Hui-Ling Wang (O Tigre e o Dragão), é o elenco. Tony Leung consegue passar toda a agressividade e a fragilidade escondida de seu personagem e tem um olhar que consegue dizer tudo sem usar as palavras. A novata Wei Tang também não decepciona e se entrega completamente ao papel.
Mesmo com todas as qualidades o filme é longo e lento em muitos momentos e pode irritar aqueles que tem a paciência curta.
Um modo diferente e poético de tratar toda a situação política de um país em um momento de pura tensão. E mais uma prova de que Ang Lee sabe como falar de amor, ainda que platônico ou complicado.
A canção.

Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)
BAFTA: Filme em Língua Estrangeira, Figurino (Lai Pan)
Globo de Ouro: Filme Estrangeiro
Festival de Veneza: Leão de Ouro, Golden Osella (Rodrigo Pietro)
Links
Drama
Direção: Ang Lee
Elenco: Tony Leung Chiu Wai, Wei Tang, Joan Chen, Lee-Hom Wang, Chung Hua Tou, Chih-ying Chu, Yue-Lin Ko, ying-hsien Kao
Roteiro: Eileen Chang (conto), James Schamus, Hui-Ling Wang
Duração: 148 min.
Minha nota: 8/10
3 Comentários
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Se eu já estava curioso (afinal, é Ange Lee né?), agora estou ainda mais. Ansioso.
Ciao!
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Um dos melhores filmes do ano passado, faz lembrar por vezes as ambiências das fitas de Wong Kar Wai. Totalmente subestimado pela Academia…
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Olá!
Wally – Eu também gosto muito do diretor. O único filme dele que não me agrada é Hulk, mas ainda tem uma estética especial por tentar se enquadrar, literalmente, aos quadrinhos.
Filipe – Achei lindo, mas é um filme que choca muito ainda. O sexo por mais presente, por mais discutido, ainda não é visto como algo natural!
Beijocas
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