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Tudo é possível em Hollywood

Por Cecilia Barroso

Chega aos cinemas o filme que rendeu o Oscar de melhor atriz à Sandra Bullock. Com cara de telefilme, a história contada é a de Michael Oher, destaque no futebol americano após ser adotado por uma família rica.

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10%

Bem temperado

Por Cecilia Barroso

A variedade cultural da Alemanha dá o tom na primeira comédia do diretor Faith Akin. A leveza do filme conquista e deixa o espectador mais leve.

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90_minutos

Presos na ilha

Por Cecilia Barroso

Com toques do bom cinema noir, Ilha do Medo, que estréia hoje nos cinemas, é um daqueles suspenses cheios de tensão psicológica e reviravoltas. Aproveite a viagem!

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Avatar

Vencedores do Oscar 2010

Por Cenas de Cinema

Em uma noite mais entediante do que animada a Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood anunciou os melhores do ano. E Guerra ao Terror foi o grande vencedor da noite.

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Oscar 2010

Framboesa de Ouro 2010

Por Cenas de Cinema

O Troféu Framboesa de Ouro chega à sua 30ª edição. Além de premiar os piores do ano, também foram escolhidos os piores da década. E Sandra Bullock cumpriu a promessa, foi receber seu prêmio.

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Sandra Bullock e a Framboesa de Ouro

Origens do mal

Por Cecilia Barroso

Com Fita Branca, Michael Haneke tenta descobrir quem foram as crianças que viraram os adultos nazistas da Segunda Guerra e de onde podem ter tirado tanto ódio e intolerância.

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Fita Branca

Amor de Mãe

Por Cecilia Barroso

Sensibilidade e ação se misturam no drama sul-coreano Mother para contar a história de uma mãe que não mede esforços e nem consequências para salvar seu único filho.

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Mother

A guerra é uma droga

Por Cecilia Barroso

Depois do lançamento espalhafatoso no mercado nacional direto em dvd, chega aos cinemas Guerra ao Terror, retrato duro da influência da guerra na vida de seus soldados.

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Guerra_terror
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Viagem a Darjeeling

Visto em DVD(The Darjeeling Limited, EUA, 2007)

Comédia

Direção: Wes Anderson

Elenco: Owen Wilson, Adrien Brody, Jason Schwartzman, Amara Karan, Wallace Wolodarsky, Waris Ahluwalia, Anjelica Huston, Natalie Portman, Bill Murray

Roteiro: Wes Anderson, Roman Coppola, Jason Schwartzman

Duração: 91 min.

Minha nota: 7/10

Até quem acompanha de longe a filmografia recente de Wes Anderson sabe que o diretor tem uma quedinha por histórias de família. Então ninguém vai se surpreender muito ao ver Viagem a Darjeeling.

O filme conta a história de três irmãos que tentam reestabelecer a relação um ano após da morte do pai e do abandono da mãe, em uma louca viagem pelo interior da Índia. Liderados pelo irmão mais velho, recém-acidentado e ditador, os três seguem de trem um rígido itinerário de viagem, cada um com seu fantasma particular.

A assinatura de Wes Anderson pode ser percebida na fotografia experimental de Robert D. Yeoman (colaborador antigo); na atuação de Owen Wilson, Bill Murray e Anjelica Huston (idem); na trilha sonora bem alternativa e, como já disse, na relação familiar.

Esteticamente o filme é colorido e lindo, e mantém o mesmo silêncio, estrutura e atmosfera do aquático Steve Zissou e do excêntrico Tenenbaums. Os três atores, bons naturalmente, estão ótimos como os problemáticos irmãos. O roteiro é bem amarrado e mantém o ritmo durante todo o filme.

Parece que Anderson achou um lugar que combina perfeitamente com seu jeito. A Índia é conhecida por sua variedade de cores, sabores, culturas, crenças e belas paisagens naturais. Também é um país que, de cara, é reflexivo, como toda a obra do cineasta.

Apesar de todas as qualidades, o filme é "de marca" demais. Ou seja, quem não gosta das características, vai odiar o resultado final e, provavelmente, pedir o dinheiro de volta. Essa repetição é ao mesmo tempo um ponto positivo (os que gostam vão amar) e um ponto negativo na carreira do diretor.

O resultado final do filme é positivo.

Indicado para dias em que se quer ver uma comédia bem diferente do usual.

Com a colaboração de Bruna Bites.
Um Grande Momento

Os vagões do trem passando.



Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Veneza: Leão de Ouro

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O Orfanato

Visto em DVD(El Orfanato, 2007, ESP)

Suspense/Terror

Direção: Juan Antonio Bayona

Elenco: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Príncep, Mabel Rivera, Montserrat Carulla, Geraldine Chaplin

Roteiro: Sergio G. Sánchez

Duração: 105 min.

Minha nota: 8/10

Eis aí um filme que chamou a minha atenção desde quando foi lançado, mas passou tão meteoricamente no cinema que quando pude conferir, não estava mais em cartaz. O jeito foi esperar o lançamento nas locadoras e o dia em que o disco estava disponível para locação.

Toda a ansiedade não atrapalhou em absoluto no filme, que me surpreendeu do primeiro ao último momento, provocando sentimentos como medo e emoção o tempo todo.

Laura passou a infância em um orfanato e guardou sempre boas lembranças do lugar. Por isso, anos mais tarde ela e o marido resolvem comprar o local e transformá-lo numa espécie de lar para crianças necessitadas.

Pouco antes da inauguração, o filho pequeno do casal, adotado e com problemas de saúde, desaparece misteriosamente e acontecimentos sobrenaturais começam a acontecer.

O bom roteiro cresce muito com a interpretação de Belén Rueda como a mãe desesperada a procura do filho desaparecido e a história vai envolvendo qualquer um.

O clima do filme é todo compassado por uma sonoplastia perfeita e uma fotografia que é ao mesmo tempo singela e opressora.

A estréia de Bayona na direção de longas-metragens, depois de passar por curtas e videoclipes, é precisa e consegue conduzir o público exatamente para onde quer, provocando medo, dúvidas, crenças e tudo isso com muita sensibilidade.

A produção executiva é de Guillermo del Toro, diretor da belíssima e triste fábula O Labirinto do Fauno.

Um excelente programa para quem gosta de filmes do gênero e não agüenta mais as fracas tentativas estadunidenses.

Um Grande Momento

Achando o lugar da maçaneta



Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Fantasporto: Direção, Atriz (Belén Rueda)

Goya: Filme, Diretor Estreante, Roteiro Original, Atriz (Belén Rueda), Ator Revelação (Roger Príncep), Atriz Coadjuvante (Geraldine Chaplin), Direção de Arte (Josep Rosell), Maquiagem (Lola López, Itziar Arrieta), Figurino (Maria Reyes), Som (Xavier Mas, Marc Orts, Oriol Tarragó), Efeitos Especiais (David Martí, Montse Ribé, Pau Costa, Enric Masip, Lluís Castells, Jordi San Agustín), Edição (Elena Ruiz), Trilha Sonora (Fernando Velázquez), Direção de Produção (Sandra Hermida)

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A Gruta

Visto no Cinema(A Gruta, BRA, 2008)

Terror

Direção: Filipe Gontijo

Elenco: Poliana Pieratti, Carlos Henrique, André Deca e o Porco (Dadinho, porco-ator)

Roteiro: Filipe Gontijo

Duração: de 5 a 40 min.

Minha nota: 8/10

Quando soube que existia um filme interativo, não parei de pensar "como assim?". A primeira sessão aconteceu no Festival de Brasília e longe do cine Brasília, onde acompanharia a Mostra Competitiva 35mm, então não pude assistir.

Esta semana recebi um e-mail do Francisco Russo, do Adoro Cinema, falando de quatro exibições na quinta e na sexta-feira. Desta vez não podia perder, então me programei para conferir a última sessão, na sexta às 21h.

Com uma proposta totalmente inovadora, o filme é completamente interativo. Além de ter onze possibilidades de final, pode ter 30 momentos em que o espectador participa tomando decisões sobre o andamento da história. O resultado varia de acordo com as escolhas e faz com que o filme possa ter de cinco a 40 minutos de duração.

Super curiosa, ao chegar na fila resolvi puxar assunto com o casal da frente. Eles estavam indo para a terceira sessão e queriam ver um final diferente do que viram nas duas outras vezes. Segundo eles, muitas escolhas do público não foram as mesmas. "Na primeira, tinham mais homens e as escolhas foram mais arriscadas. Na segunda, com mais mulheres, as opções foram mais boazinhas", disseram.

Claro que depois de receber o seu controle pela primeira vez, você já entra na sala excitado e doido para saber o que vai acontecer. Depois de uma rápida apresentação e de testes para ver como funciona o sistema de votação, a sessão começa.

O filme-jogo conta a história de um casal que vai passar uns dias em uma fazenda e conhece uma gruta perto da propriedade. Quem os leva até o local é um estranho caseiro e lá os dois encontram um porquinho. Depois da visita, muitas coisas estranhas começam a acontecer.

Na minha sessão, a maioria tomou algumas decisões que fizeram o filme acabar em cinco minutos. Com uma segunda chance, a coisa foi mais longe e toda a experiência foi muito divertida e diferente de tudo que eu já havia passado no cinema.

A idéia, genial, foi tirada dos antigos livros-jogos da década de 80, onde a história caminhava do jeito que o leitor escolhesse, pulando páginas ou não. No cinema, muito mais interessante, você poder conduzir o filme como quiser. A platéia se envolve tanto que não são raros os gritos para unificar a decisão final. Ver as coisas acontecendo depois de ter escolhido por isso é ótimo e funciona muito bem.

O filme, como cinema, é muito interessante, mas tem alguns probleminhas de montagem. Sei que é difícil analisar isso num filme interativo, mas acho que uma seqüência básica tem que existir para todos as escolhas.

Outro problema, mas bem mais grave, é o som. Segundo a produção, este será sanado em breve.

A fotografia é bem interessante e criativa, assim como a trilha sonora sufocante.

Os atores principais não comprometem, mas André Deca, ao compor seu personagem, adotou um jeito de falar que prejudica muito o entendimento e, sem o apuro do som, muitas palavras ficam completamente ininteligíveis.

Mas o resultado final é muito mais do que isso. O filme, independente de suas pausas, consegue criar um clima tenso e atiça a curiosidade dos espectadores. Talvez a coisa ficaria ainda mais sinistra se nos momentos de escolha uma música bem sombria fosse escolhida.

Depois da exibição, soube que uma das idéias com essas sessões era saber qual a opinião do público. Ao sair da sala, recebemos um questionário e as resposta de sessões anteriores já foram responsáveis por alguns ajustes.

É daquelas experiências que todo mundo tem que ter. Infelizmente não existem outras sessões agendadas. Segundo a produção, já existe uma negociação para que aconteçam novas exibições em Brasília e a idéia de ir para outras salas da Caixa Econômica em outros estados. Em breve o filme também será lançado em dvd.

Filipe Gontijo pode investir em sua idéia, pois terá público garantido.

Imperdível!

Um Grande Momento

Em qual versão? Na minha foi a fuga.












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Mostra Curtas Premiados - Programa 4


Ao falar do significado de um curta-metragem, Fernando Coimbra (Trópico das Cabras) diz que descobriu "um prazer muito específico em criar um universo em duas dezenas de minutos. Se ele fosse maior, perderia todo o impacto, toda a força que reside justamente no seu poder de síntese".

Assistir a curtas é sempre muito bom porque em alguns minutos entramos em contato com esses universos tão completos e diferentes entre si. Alguns são documentários; outros, ficção.

O maior problema é, justamente, ter acesso a eles. Se não fossem os festivais, que agora querem diminuir, seria praticamente impossível. A única coisa que sobra é a possibilidade de, em algumas cidades, conferir às sessões patrocinadas pela Petrobrás.

É por isso que o pessoal de Brasília não pode perder a Mostra de Cinema Curtas Premiados, só com curtas consagrados em festivais nacionais. Por apenas R$ 4 (a inteira), você assiste a uma sessão de cinco curtas (ou seis, se for o programa 3) e mata aquela vontade de saber o que rola no mundo dos curta-metragens do Brasil.

Outra coisa bem legal da mostra é que às sextas-feiras ocorrem debates com diretores brasilienses. Os temas abordam a importância de um curta-metragem, sua divulgação, distribuição e a participação em festivais.

Agora falando dos filmes, ontem assisti ao programa 4.

Câmara Viajante

(Câmara Viajante, BRA, 2007)

Documentário


Direção: Joe Pimentel

Elenco: Belo, Chico Alagoano, Dedé da Neusa, Isaías, Júlio Santos

Roteiro: Joe Pimentel

Duração: 20 min.

Minha nota: 7/10

Com uma montagem interessante, o diretor conta ao público o significado da fotografia na vida de quatro fotógrafos populares. Uns freqüentam os pontos de romaria e outro trabalha com retrato pintado.

Apesar de não inovar muito no formato do documentário, tem depoimentos que valem muito a pena.

Um Grande Momento

Fotografando os que já se foram.

Premiações

Cine Ceará, Mostra de Cinema de Tiradentes, Goiânia Mostra Curtas, Festival Latino Americano de Canoa Quebrada, Vitória Cine e Vídeo.

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Calango!

(Calango!, BRA, 2007)

Animação


Direção: Alê Camargo

Roteiro: Alunos da Ozi (escola de audiovisual)

Duração: 8 min.

Minha nota: 7/10

Um calango esfomeado tenta matar sua fome em uma praia cheia de dunas, cocos, castelinhos de areia e outras coisitas más.

Com a brasilidade notória, uma animação bem redondinha e uma sonoplastia divertida o curta conquista o público, que se diverte com as peripércias do bichinho faminto.

Na trilha sonora, pérolas como Brasileirinho.

Um Grande Momento

Castelo de areia.

Premiações

Anima Mundi, Festival de Cuzco, Mostra Mosca, Prêmio Especial Núcleo de Animação de Campinas


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Cine Zé Sozinho

(Cine Zé Sozinho, BRA, 2007)

Documentário


Direção: Adriano Lima

Roteiro: Verônica Guedes, Adriano Lima

Duração: 16 min.

Minha nota: 8/10

A história de José Raimundo Cavalcante, o Zé Sozinho, é daquelas que conquista qualquer um que goste de cinema.

Com muita persistência, este pernambucano criado no Nordeste ia de cidade em cidade exibindo filmes antigos, tendo como companheiro um pequeno projetor.

Além da trilha sonora, o filme é cheio de cenas de clássicos do cinema e de depoimentos de pessoas que aprenderam a gostar de cinema graças a Zé Sozinho.

Lindo.

Um Grande Momento

Jesus Cristo.

Premiações

Festival Audiovisual Mercosul, Festival de Cinema e Vídeo de Colatina, Curta Noite, Festival Brasileiro de Cinema Universitáo do RJ


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Alphaville 2007 d.C.

(Alphaville 2007 d.C., BRA, 2007)

Ficção Científica


Direção: Paulinho Caruso

Elenco: Antonio Abujamra, Fábio Marcoff, Ricardo Murphy Brown, José Luis Datena, Sheila Mello

Roteiro: Paulinho Caruso

Duração: 16 min.

Minha nota: 6/10

Quando a vida não é mais segura e o tudo parece perdido, um homem aparece para fazer justiça.

Com uma estética bem maluca, o filme conta essa história doida abusando de efeitos visuais simples, da mistura de línguas e de inserções de reportagens bem famosas na atualidade.

Uma experiência bem maluca.

Um Grande Momento

...

Premiações

Festival de Cinema de Gramado


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O Lobinho Nunca Mente

(O Lobinho Nunca Mente, BRA, 2007)

Drama


Direção: Ian Samarão Brandão Fernandes

Elenco: Fábio Porchat

Roteiro: Ian Samarão Brandão Fernandes

Duração: 9 min.

Minha nota: 8/10

Depois de sofrer um acidente doméstico e ficar paralisado, ex-lobinho repensa a vida enquanto espera a morte chegar.

Simples e despretensioso o filme surpreende o público que se vê completamente dentro da história.

Daqueles para ver e rever.

Um Grande Momento

Todo o filme.

Premiações

Festival Audiovisual Mercosul, Festival de Cinema e Vídeo de Colatina, Curta Noite, Festival Brasileiro de Cinema Universitário


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Os curtas deste programa podem ser conferidos também nos dias 29/11, às 16h; 03/12, às 18h30; 07/12 às 18h. A mostra acontece até 07/12, no CCBB (Setor de Clubes Esportivo Sul, Trecho 2, Lote 22, perto da ponte JK).

A programação ainda inclui vários títulos, entre eles Trópico das Cabras, Sete Vidas, Alguma Coisa Assim e Sete Minutos. Para conferir os horários, clique aqui.

Como eu disse antes, os brasilienses não podem perder!

O Diário de uma Babá

Visto em DVD(The Nanny Diaries, EUA, 2007)

Comédia

Direção: Shari Springer Berman, Robert Pulcini

Elenco: Scarlett Johansson, Laura Linney, Nicholas Art, Chris Evans, Alicia Keys, Paul Giamatti, Donna Murphy

Roteiro: Emma McLaughlin e Nicolas Kraus (romance), Shari Springer Berman, Robert Pulcini

Duração: 106 min.

Minha nota: 6/10

Para distrair nada como essas comédias no formato água-com-açúcar e com aquea liçãozinha de moral no final que todos nós já sabemos que vai estar lá.

Diário de uma Babá segue o mesmo padrão e conta a história de Annie que, depois de perceber que não sabia exatamente quem era em uma entrevista de emprego, vira uma babá "tipo C", ou seja, segunda mãe do filho de uma das muitas dondocas de Manhattan.

O assunto do filme é todo tratado de uma maneira divertida, sempre misturando as cenas cotidianas a teorias antropológicas.

Nicholas Art é um fofo e o resto do elenco está todo corretinho, mas as personagens são tão estereotipadas, que apesar do bom começo, acabam incomodando. Ninguém é tão idiota como Annie e ninguém é tão nojenta como a Sra. X. Aliás, esta é daquelas que mesmo causando pena, dá raiva.

Mesmo com todos os estereótipos e toda a licença poética do roteiro, sabemos que existem muitos filhos de dondocas que mal vêem a mãe e acabam sendo criados mesmo por suas babás. O assunto é bem chato e para quem vê acontecendo, é pior ainda.

As homenagens a Mary Poppins estão por todo lado. No mais, é só mais um filminho estadunidense que segue a mesma receita de bolo mas, no final das contas, consegue divertir.

Bom para quem gosta do gênero. As dondocas e madames podem ficar bem incomodadas.

Um Grande Momento

Olhando as estrelas.


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Lance Maior

(Lance Maior, BRA, 1968)

Comédia

Direção: Sylvio Back

Elenco: Reginaldo Farias, Irene Stefânia, Regina Duarte, Isabel Ribeiro, Lota Moucada

Roteiro: Oscar Milton Volpini, Nelson Padrella, Sylvio Back

Duração: 100 min.

Minha nota: 6/10

"Aquilo é mulher para 400 talheres." Com frases como esta, voltamos ao tempo em que o Fusca ainda não era New Beatle, as mulheres faziam tudo por um casamento, sexo era feito sem camisinha e a Regina Duarte era uma pessoa que não sentia tanto medo.

O filme Lance Maior, recém restaurado, foi o escolhido para encerrar o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro esse ano. Bem temporal, o filme mostra o estilo de vida nos anos 60 e é justamente nos costumes de época que encontra a sua força.

Um homem e duas mulheres vivem uma espécie de triângulo amoroso. Neusa é a tímida balconista de uma loja de tecidos e Cristina, uma grã-fina moderna e "pra frentex". Ambas estão envolvidas com Mário, um bancário que sempre quer se dar bem.

Desde o começo, sabemos que estamos entrando no túnel do tempo. O início do filme, um longo videoclipe com imagens de Regina Duarte a la Garota do Fantástico, rindo, dançando e nadando, é diferente de tudo que estamos acostumados e, por mais de uma vez, parece que estamos diante de um antigo seriado estadunidense.

Reginaldo Farias, bem novinho mas já veterano nas telonas, dá vida ao cafajeste Mário e está muito bem no papel. Assim como a linda Irene Stefânia, no papel da menina pobre que quer arranjar um casamento a qualquer custo.

Apesar de todo o clima saudosista e curioso, o filme peca em alguns aspectos e não segue uma única linha narrativa. Muitos dos enquadramentos são emprestados da televisão e algumas vezes fica a impressão de que a finalização do filme foi feita meio que na correria.

Mas isso é o que menos importa se a idéia é assistir ao primeiro filme do premiado Sylvio Back, tido como um dos que incluiram Santa Catarina no mapa do cinema brasileiro.

Apesar do começo um pouco lento e muito diferente, depois de nos acostumarmos com tudo que vemos, acabamos tendo ótimos momentos. O roteiro, inspirado, surpreende o espectador e consegue provocar boas risadas.

Uma ótima maneira de documentar os hábitos e costumes de uma época bem diferente da atual. Até por isso algumas falas podem não ser compreendidas logo de cara, pois as gírias usadas já viraram outras que, provavelmente, não serão entendidas pelas próximas gerações.

Vale a pena esperar o desenrolar do filme. Bem curioso!

Um Grande Momento

"Comigo, amor é só depois..."



Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Atriz (Irene Stefânia), Cartaz (Manoel Coelho)

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Adoro Cinema Brasileiro


O fim do 41º Festival de Brasília

Terminou hoje o 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Diferente de todas as outras edições e considerado fraco pelo público em geral, trouxe diversas produções brasileiras. Em uma semana, foram vários filmes em curta e longa-metragem, em 16 e 35mm e muitos documentários, muitos mesmo.

Depois da exibição do filme restaurado Lance Maior, de Sylvio Back, os vencedores começaram a ser anunciados.

Protesto
Entre os resultados, o ator brasiliense Murilo Grossi leu uma carta da Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo (ABCV) que protestava contra a falta de compromisso do governo distrital com o cinema. Algo muito justo, principalmente se considerado que muitos dos filmes produzidos na capital são finalizados com recursos próprios dos envolvidos na produção.

O texto pede o cumprimento de leis federais que prevêm que 0,3% do orçamento anual seja destinado à cultura e que 20% do FAC seja investido em cinema.

É muito triste ver que problemas como este ocorrem no 3º maior pólo de cinema do Brasil. Quase abandonado, a impressão que fica é a de que não existe a menor vontade política. Nem mesmo os editais anuais acontecem como deveriam.

A ABCV lembrou de todas as dificuldades para a manutenção do Festival de Brasília, ressaltou o esforço do coordenador geral Fernando Adolfo e repudiou qualquer tentativa de privatização do evento.

Além disso cobrou a criação de uma legislação específica para o setor audiovisual do DF, pois a falta desta só favorece o desvio de verbas e a corrupção.

No final da leitura todos os realizadores da capital levantaram-se para aplaudir o manifesto.

Premiação
Nem todos os resultados agradaram ao público presente, muitas foram as vaias para os prêmios recebidos pelo longa FilmeFobia, de Kiko Goifman, um dos vencedores da noite.

Segue a lista com todos os premiados:

Mostra Competitiva 16mm

Menção Honrosa: A Menina Espantalho, de Cássio Pereira dos Santos

Melhor Montagem: Alexandre Boechat (Landau 66)

Melhor Fotografia: Alexandre Taira (A Cidade do Tesouro)

Melhor Roteiro: Cássio Pereira (A Menina Espantalho)

Melhor Atriz: Malu Valle (Alice)

Melhor Ator: Nildo Parente (Depois de Tudo)

Melhor Direção: Angelo Defanti (Maridos, Amantes e Pisantes)

Melhor Filme: Cidade do Tesouro, de Célio Franceschet

Prêmio Especial do Júri: Depois das Nove, de Allan Ribeiro

Mostra Competitiva 35mm - Curta-Metragem

Melhor Montagem: Ivan Morales Jr. (A Arquitetura do Corpo)

Melhor Fotografia: Pedro Semanovischi (Cães)

Melhor Roteiro: Clarissa Cardoso (Ana Beatriz)

Melhor Atriz: Ana Lúcia Torre (Na Madrugada)

Melhor Ator: Hilton Cobra (Cães)

Melhor Direção: Thiago Mendonça (Minami em Close-Up - A Boca em Revista)

Melhor Filme: Superbarroco, de Renata Pinheiro

Prêmio Especial do Júri Popular: Brasília (Título Provisório), de J. Procópio

Mostra Competitiva 35mm - Longa-Metragem

Melhor Montagem: Vânia Debs (FilmeFobia)

Melhor Som: Fernando Cavalcante (Ñande Guarani)

Melhor Trilha Sonora: Dominguinhos e outros (O Milagre de Santa Luzia)

Melhor Direção de Arte: Cris Bierrenbach (FilmeFobia)

Melhor Fotografia: Gustavo Hadba e André Lavèner (À Margem do Lixo)

Melhor Roteiro: Geraldo Sarno e Werner Salles (Tudo Isso Me Parece um Sonho)

Melhor Ator Coadjuvante: Everaldo Pontes (Siri-Ará)

Melhor Atriz Coadjuvante: Elenco Feminino (Siri-Ará)

Melhor Ator: Jean-Claude Bernadet (FilmeFobia)

Melhor Direção: Geraldo Sarno (Tudo Isso Me Parece um Sonho)

Melhor Filme: FilmeFobia, de Kiko Goifman

Prêmio Especial do Júri: À Margem do Lixo, de Evaldo Mocarzel

Prêmio Especial do Júri Popular: À Margem do Lixo

Mostra Curtas Premiados

SalivaDando uma pausa nos comentários sobre os vários filmes que vi e ainda vou ver no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, tenho que falar sobre algo muito bem vindo para quem gosta de cinema.

Quando era mais nova, lembro que no cinema, sempre antes do longa-metragem, passava um curta e era ótimo. Hoje convivemos com a realidade de uma produção enorme de curtas que são assistidos por uma quantidade muito menor de pessoas do que deveria.

Seria excelente se as coisas voltassem a ser como antes e curtas brasileiros e estrangeiros Trópico das Cabrasconstassem na programação oficial das salas de cinema. Enquanto isso, a solução é acompanhar os festivais e as mostras.

Por sorte, aqui em Brasília vamos poder ver alguns dos curtas premiados em outros festivais. É a Mostra Curtas Premiados que acontece de 26 de novembro a 7 de dezembro no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

São 30 produções brasileiras entre ficções, documentários e animações, com prêmios em festivais nacionais e internacionais de direção, roteiro, direção de fotografia, direção de arte, atuação ou trilha sonora.

Alguma Coisa AssimÉ uma excelente oportunidade para conhecer filmes como Trópico das Cabras, de Fernando Coimbra; Câmara Viajante, de Joe Pimentel; Saliva e Alguma Coisa Assim, de Esmir Filho; Nada Consta, de Santiago Dellape, e Calango!, de Alê Camargo.

O curador da Mostra é o diretor Guilherme Campos, de Seqüestramos Augusto César.

As sessões são compostas de cinco filmes e serão exibidas em diversos horários. Os preços são R$ 2 (meia) e R$ 4 (inteira). O CCBB fica no Setor de Clubes Esportivo Sul, Trecho 2, Lote 22, perto da ponte JK.

À Margem do Lixo

(À Margem do Lixo, BRA, 2008)

Documentário

Direção: Evaldo Mocarzel

Roteiro: Evaldo Mocarzel, Willem Dias

Duração: 83 min.

Minha nota: 5/10

Quem conhece São Paulo com certeza já viu alguém puxando um carrinho cheio de papelão e de sacos de lixo. Este trabalho, duro e desprezado, é feito pelos catadores de materiais recicláveis, mas conhecidos como catadores de lixo.

O documentário conta o dia-a-dia e a história de vida de alguns deles e sua organização em uma associação própria.

Com um tema relevante, o filme acaba conquistando a platéia muito mais por seu tom político e de denúncia do que por sua qualidade como cinema.

Apesar dos bons depoimentos, o filme é lento, repetitivo e as pausas criadas com os processos de reciclagem, cansativas.

Bom para conhecer uma realidade que nunca fora mostrada anteriormente, mas é daqueles programas que eu prefiro ver em canais televisivos, pois seu formato como cinema deixa a desejar.

Um Grande Momento

Tá no sangue.

À Margem do Lixo
Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Prêmio Especial do Júri, Prêmio Especial do Júri Popular, Fotografia (Gustavo Hadba e André Lavèner)

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Site do Festival de Brasília

Na Madrugada

(Na Madrugada, BRA, 2008)

Drama

Direção: Duda Gorter

Elenco: Ana Lúcia Torre, Denise Weinberg

Roteiro: Duda Gorter

Duração: 21 min.

Minha nota: 3/10

O curta Na Madrugada é uma espécie de versão feminina e demorada de Depois de Tudo. Conta a história de Margot, uma mulher madura, que mora sozinha e tenta digerir as lembranças de seu passado.

O filme tem uma história interessante, mas não é contado da melhor maneira possível. Planos longuíssimos deixam a ação arrastada e acaba cansando o espectador.

A opção de desfocar a cena de sexo, desfocada, se repete tantas vezes que perde o objetivo.

É aquela história de apego do diretor. Nem tudo que se filma é imprescindível ao filme e os planos artísticos e conceituais funcionam muito mais quando são curtos.

Se tivesse a metade da duração seria um belo filme. Mas fica a boa interpretação da sempre boa Ana Lúcia Torre.

Um Grande Momento

Roubando a caipirinha.


Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Atriz (Ana Lúcia Torre)

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A Minha Maneira de Estar Sozinho

(A Minha Maneira de Estar Sozinho, BRA, 2008)

Drama

Direção: Gustavo Galvão

Elenco: André Araújo, Silvia Lourenço, Marco Michelângelo

Roteiro: Bernardo Scartezini

Duração: 15 min.

Minha nota: 7/10

Esse é daqueles que não dá para falar muito.

Sueco é aquele tipo de cara que nunca se solta em festas e não atrai muitas amizades, a única pessoa que consegue estar com ele é a bela e descolada Melissa.

A Minha Maneira de Estar Sozinho traz aquele tipo anti-social clássico, que sempre fica de lado quando tem muita gente, vê todo mundo dançar de braços cruzados e adora coisas que pode fazer sozinho.

A história é ótima e a idéia do filme - aquela que eu não posso nem mencionar para não estragar a surpresa - é genial.

A direção de fotografia, assinada por André Carvalheira, falha em um ou dois pontos, mas é competente e faz toda a diferença para a história.

Apesar de todos os pontos positivos, o curta não agradou à platéia do festival. Muitos sentiram como se alguma coisa não tivesse sido dita, talvez por alguma opção de montagem.

Eu gostei muito.

Um Grande Momento

Um rock pra você.

A Minha Maneira de Estar Sozinho
Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Curta 35mm

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Site do Festival de Brasília

Para Pedir Perdão

(Pra Pedir Perdão, BRA, 2008)

Drama

Direção: Iberê Carvalho

Elenco: Fernanda Rocha, Vinícius Ferreira, Roque Fritsh, André Deca, Marta Aguiar, Camille Santos, Amanda Guerra, Sérgio Sartório

Roteiro: Iberê Carvalho

Duração: 20 min.

Minha nota: 7/10

Em uma noite chuvosa de carnaval, um homem procura por sua amada depois de quase ser atropelado por um taxista.

Para Pedir Perdão é um filme intenso, triste, dolorido e é daqueles que deixa o espectador ansioso pelo final.

O roteiro, inspirado em um pesado conto de Marcelino Freire, é bem amarradinho e muitas das opções visuais são bem interessantes. O elenco também é muito bom. Vinícius Ferreira transmite todo o desespero de seu personagem e Fernanda Rocha, a frustração da sua.

Mas o curta segue uma tendência que não me agrada muito: a granulação. Escolha recorrente em produções atuais, o estilo tem sido muito utilizado para pontuar o clima grave e pesado. No filme, ela é exagerada e incomoda, principalmente nas cenas internas.

Outro problema é o encontro com o vendedor de cerveja, que quebra a tristeza do filme e acaba sobrando no meio do roteiro. Uma opção mais sutil para o suspiro seria a da menina que pede.

Apesar dos dois pontos, tem soluções de cena bem interessantes e é muito bom. A cenografia de Dani Façanha merece destaque.

Um filme daqueles que deixam o espectador bem triste.

Um Grande Momento

A cebola.

Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Mostra Brasília - Curta 35mm

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Bibliofagia

(Bibliofagia, BRA, 2008)

Drama

Direção: Renato Cunha

Elenco: Marcos Abel, Davi Reis, Clara Luz, Simone Reis, Natássia Garcia, Chico Sant'Anna, Bruno Dourado, J. M. Borba

Roteiro: Renato Cunha

Duração: 14 min.

Minha nota: 5/10

Genésio é um bibliotecário que desde criança devora livros avidamente. Passagens de livros escritos por Franz Kafka, Manuel Bandeira, Clarice Lispector e George Orwell começam a perturbá-lo.

O curta tem uma proposta interessante e até começa bem, com as passagens literárias se embaralhando na cabeça do espectador.

Com um visual bem interessante e boas tomadas da Biblioteca Nacional, Renato Cunha constrói um universo bem particular, mas alguma coisa dá errado no meio do caminho e todo o ambiente vai ficando mais estranho do que atraente.

Talvez sejam as repetições, que afetam o ritmo; a aura nonsense; ou o final abrupto.

A personificação da escritora Clarice Lispector, exagerada, quase irrita quem está vendo o filme.

O filme poderia ser muito melhor, mas ficam as boas atuações, a fotografia de André Macedo e a idéia original.

Um Grande Momento

Animal Farm

Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Mostra Brasília - Curta 35mm

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Raul de Xangô

(Raul de Xangô, BRA, 2008)

Documentário

Direção: Érico Cazarré, Henrique Siqueira, Marieta Cazarré

Elenco: Raul de Xangô

Roteiro: Marieta Cazarré

Duração: 17 min.

Minha nota: 5/10

Falar de religião e crenças é sempre uma coisa bem arriscada de se fazer. Além de dividir as opiniões, tem sempre que ser abordado com muito cuidado para não parecer parcial.

Com depoimentos do pai-de-santo e algumas gravações das sessões conhecemos toda sua relação eclética com o mundo espiritual.

Mas o problema do documentário, longe de ser religioso, é sua estrutura e a opção visual escolhida.

A câmera nervosa e as muitas seqüências borradas ou embaçadas acabam cansando o espectador. Um universo muito particular também é mostrado sem muitas apresentações e algumas passagens podem passar batidas por não serem claras.

Poderia ser melhor do que é se a edição fosse mais exigente e se o roteiro fosse mais explicativo em alguns pontos.

Um Grande Momento

Depois dos créditos finais.


Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Curta 16mm

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O Velho Guerreiro Não Morrerá - O Cangaceiro de Lima Barreto 50 Anos Depois

(O Velho Guerreiro Não Morrerá - O Cangaceiro de Lima Barreto 50 Anos Depois, BRA, 2008)

Documentário

Direção: Paulo Duarte

Elenco: Fernando Meirelles, Anselmo Duarte, Gilberto Gil, Galileu Garcia, Vanja Orico, Neusa Veras

Roteiro: Paulo Duarte

Duração: 20 min.

Minha nota: 7/10

Diferente do que muitos pensam ao ouvirem o título, o documentário não é sobre o Chacrinha e nem sobre o escritor de Policarpo Quaresma, mas sim sobre um dos mais injustiçados diretores da história do cinema nacional.

Lima Barreto, ao dirigir O Cangaceiro, mudou tudo que existia de cinema até então. Depois de convencer a Vera Cruz e da venda dos direitos do filme para uma distribuidora americana, que ficou com todo o dinheiro, morreu pobre e esquecido.

Só por isso, o documentário já vale a pena. Todo mundo que gosta de cinema merece conhecer a história mais de perto.

Todos os depoimentos estão muito bem organizados e a entrevista do próprio Lima Barreto é um achado.

Imperdível!

Um Grande Momento

"O Brasil não merece o meu patriotismo."

Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Curta 16mm

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Memórias Finais da República de Fardas

(Memórias Finais da República de Fardas, BRA, 2008)

Documentário

Direção: Gabriel F. Marinho

Roteiro: Gabriel F. Marinho

Duração: 38 min.

Minha nota: 7/10

Com uma fórmula antiga de fazer documentário, Gabriel F. Marinho conta aos espectadores um dos momentos mais frustrantes do Brasil. Após muita dedicação, panelaço e tentativas de manifestação pelas eleições diretas, os brasileiros tiveram que encarar uma amarga derrota no congresso e uma eleição por colegiado.

Reunindo depoimentos de estudantes secundarista e universitários aos de militares, o filme vai desenhando a Brasília daqueles dias.

Apesar dos pesares, a narração inicial, que não precisava existir, é bem prejudicada pelo som. Com a trilha em um volume alto, mal dá para ouvir o que se fala. A identificação de quem fala também não foi a melhor opção.

Mas os bons depoimentos, que vêm de ambos os lados do conflito (tem até o temido general Newton Cruz), acabam prevalecendo e conquistando a atenção.

O tema é tão forte e tocante para qualquer brasileiro que o formato fica um pouco de lado e o sentimento nacional acaba falando mais forte.

Em excelente documento para atuais e futuras gerações.

Um Grande Momento

A carreata.


Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Curta 16mm

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Landau 66

(Landau 66, BRA, 2008)

Suspense

Direção: Fernando Sanches

Elenco: Ricardo Gelli, Pedro Carvalho, Victor Ribeiro

Roteiro: J. M. Trevisan

Duração: 12 min.

Minha nota: 10/10

Se você pode fazer muita coisa em pouco tempo, para que se alongar?

Com essa filosofia, quase todo filmado dentro de um único carro, o filme Landau 66 chega hipnotizando a platéia com uma história para lá de inusitada.

Em uma noite de chuva, dois amigos saem para dar um rolê e fumar um beck. No meio do caminho avistam um caroneiro, mas só param porque o carro dá defeito e o tal fulano faz com que volte a funcionar.

O filme é todo bem conduzido, com um roteiro inteligente e muitas falas irônicas. Os atores estão muito bem como o irritadinho e o bobalhão seqüelado.

Muitos dos enquadramentos são ótimos e vale ressaltar a direção de arte de Marcos Carvalheiro que, com pouco, fez muito.

Outra coisa muito boa é a trilha sonora de Lúcio Maia, que faz toda a diferença.

A única coisa ruim está fora do filme. A sinopse acabou entregando o final que é bem surpreendente.

Um Grande Momento

Todos os grandes momentos que eu pensei entregam o filme. Acho que não vai dar para contar nada...


Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Montagem 16mm (Alexandre Boechat)

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Homicida É!

(Homicida É!, BRA, 2008)

Ação

Direção: Gustavo Serrate

Elenco: Tobias Velho, J. Pingo, Gustavo Serrate, Maíra Santiago, Gustavo Cappelli

Roteiro: Gustavo Serrate

Duração: 25 min.

Minha nota: 3/10

Contando a história da busca de um fanático por um homicida que decapta as suas vítimas, o filme Homicida É! parte de uma boa premissa, mas acaba se perdendo entre cenas longas e momentos desconexos.

A premissa do filme é boa e tenta mesclar a fé e as falhas psicológicas e sociais, mas não consegue segurar o público.

Com uma estética variada, tem seus pontos positivos como o caminho da nota de um real e a tomada inicial. E até deixa o espectador instigado no começo, mas se perde.

O som está muito problemático. Além de oscilar entre alto e baixo o tempo todo, a narração sussurrada é praticamente impossível de se ouvir.

O filtro utilizado para filmar a menina dentro do carro, apesar de ser uma boa idéia demora mais do que o necessário e não tem nenhuma explicação. Alguns erros de continuidade também incomodam um pouco.

O maior problema é mesmo a duração. Para dar um exemplo, a cena dos dois "amigos" feridos no chão é longa demais e acaba causando um efeito contrário na platéia, outras seqüências poderiam ser retiradas para um melhor entendimento e para dar mais veracidade ao que está sendo mostrado.

Com mais experiência, o cineasta vai muito mais além do que foi neste filme. Tem boas idéias e consegue até inovar em um gênero tão batido. O desapego na edição poderia ter sido a chave do sucesso do curta.

Um Grande Momento

A nota de um real.


Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Curta 16mm

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A Menina Espantalho

(A Menina Espantalho, BRA, 2008)

Infantil

Direção: Cássio Pereira dos Santos

Elenco: Pâmela Silva, Octávio Santiago, Vinícius Ferreira, Jane Santos

Roteiro: Cássio Pereira dos Santos

Duração: 13 min.

Minha nota: 7/10

Filmes com crianças sempre têm uma chance grande de agradarem o público com a fofura. Este curta segue o mesmo padrão.

Mas é mais do que uma produção com crianças fofas. Com um roteiro interessante do próprio diretor, conta a história de uma menina que quer aprender a ler, mas é proibida por seu pai que acha escola coisa para homem.

A atriz principal, Pâmela Silva é uma gracinha e lida muito bem com a câmera, assim como Octávio Santiago. Na interpretação, a única coisa que me chateou foi a reação exagerada e precipitada de Vinícius Ferreira na primeira cena que participa, mas nada muito comprometedor.

Todo filmado no interior de Minas tem tomadas maravilhosas e Cássio Pereira dos Santos sabe bem como se aproveitar de toda a beleza para construir o ambiente.

O único problema da projeção foi o som alto demais.

Uma graça de filme. Os pequenos vão gostar bastante.

Um Grande Momento

"Pedrinho... Me ensina a ler..."


Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Menção Honrosa do Júri 16mm, Roteiro 16mm

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Siri-Ará

Festival de Brasília(Siri-Ará, BRA, 2008)

Drama

Direção: Rosemberg Cariry

Elenco: Adilson Maghá, Everaldo Pontes, Erotilde Honório, Majô de Castro, Juliana Carvalho, Richele Viana

Roteiro: Rosemberg Cariry

Duração: 90 min.

Minha nota: 7/10

Misture o cinema do diretor e pintor inglês Peter Greenaway ao teatro do diretor espanhol Moncho Rodriguez e você vai chegar bem perto do que é Siri-Ará, de Rosemberg Cariry.

Com fotografia de Pedro Urano, que aproveita cada bela paisagem natural do sertão, conhecemos a busca de Cioran, um recém-chegado do exílio na França, que refaz todos os passos de sua história.

O filme é cheio de significados e mensagens, mas com seu ritmo lento e mais sensorial, não agrada a todo tipo de público. Muitos foram os que saíram no meio da sessão ou ficaram conferindo os relógios. Mas o filme, se visto com calma e disposição, tem muito a dizer.

Os atores são excelentes e carregam consigo a mesma marca teatral que distingue os artistas nordestinos dos demais.

A trilha sonora de Liduíno Pitombeira (densa como dizia a legenda eletrônica para surdos) é perfeita para a história e o local.

Toda a composição e significados fazem o filme valer a pena. Mas não dá para ver sem um aviso prévio de que várias mastigadas serão necessárias para digerir o que está por vir.

O sono não pode estar por perto.

Um Grande Momento

A oferta da eternidade

Siri-Ará


Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Ator Coadjuvante (Everaldo Pontes), Atriz (Elenco Feminino), Atriz Coadjuvante (Elenco Feminino)

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e-Pipoca

A Arquitetura do Corpo

(A Arquitetura do Corpo, BRA, 2008)

Drama

Direção: Marcos Pimentel

Roteiro: Marcos Pimentel, Ivan Morales Jr.

Duração: 21 min.

Minha nota: 6/10

Existem imagens que dizem tudo e quem assiste a A Arquitetura do Corpo pode comprovar isso.

Falando exclusivamente das dores, sonhos, esforços e movimentos do balé, o filme vai enchendo os olhos dos espectadores com cenas maravilhosas. Quem conhece o trabalho do fotógrafo Matheus Rocha vai ter uma boa idéia do que eu estou falando.

Todas as belas cenas, por um bom pedaço do filme, não passam de experiências visuais e a história só começa a acontecer muito tempo depois. Ou seja, a introdução é longa demais e a acaba prejudicando o efeito do filme na platéia.

Compreensível até, pois com tantas imagens perfeitas fica difícil cortar mesmo.

Literalmente, uma bela experiência.

Um Grande Momento

Todas as imagens dos treinamentos

Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Montagem (Ivan Morales Jr.)

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Brasília (Título Provisório)

(Brasília (Título Provisório), BRA, 2008)

Comédia

Direção: J. Procópio

Elenco: Eduardo Moraes, Similião Aurélio, Thiago Fragoso, Nara Faria, Chico Sant'Anna, Delvinei Santos, Sérgio Fidalgo, Allice Bombom, Nonato Dente de Ouro

Roteiro: J. Procópio

Duração: 15 min.

Minha nota: 8/10

Outra boa surpresa do festival foi o curta brasiliense Brasília (Título Provisório). Depois de tanto burburinho, de uma propaganda bem instigante (três banners e cada um dizia que o filme era de uma categoria diferente) e de saber que o filme era metalingüístico, a experiência tinha tudo para dar errado, mas não deu.

Com um roteiro muito criativo vemos um diretor querendo dar um jeito de filmar uma Brasília que não chegou a ser, abandonada pelos candangos antes do fim das obras. Os exploradores destas terras são um arqueólogo, uma arquiteta e um documentarista.

Os personagens não são tão desenvolvidos, mas a história divertida desce redondinha e não fica abalada com tanto vai e vem, pelo contrário, fica mais interessante.

Os atores são ótimos, mas talvez algumas coisas só funcionem para quem vive na capital e conheça muito bem as figuras e lugares da cidade. Como eu sou nativa, não posso avaliar muito bem.

Outro ponto alto do filme são as soluções utilizadas para dar ritmo e diminuir custos, como imagens antigas e animação, mas a coisa mais impressionante é que toda a maluquice, com começo, meio e fim, consegue ser contada em apenas quinze minutos.

A única coisa que me incomodou um pouco foi a câmera meio nervosa no começo, mas que se equilibra depois. Uma ou outra cena também poderia ser menos explorada, mas nada que comprometa o resultado.

Boa opção para dar boas gargalhadas, principalmente se você for brasiliense. Quem gosta de curtas não pode perder.

Um Grande Momento

O veredito final.

Prêmios e indicações (as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Júri Popular

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FilmeFobia

(FilmeFobia, BRA, 2008)

Horror

Direção: Kiko Goifman

Elenco: Jean-Claude Bernardet, Cris Bierrenbach, Hilton Lacerda, Livio Tragtenberg, Ravel Cabral

Roteiro: Kiko Goifman, Hilton Lacerda

Duração: 80 min.

Minha nota: Não é possível mensurar

Um diretor pretensioso, interpretado por Jean-Claude Bernardet, acha que a única imagem verdadeira é aquela do fóbico diante de sua fobia e resolve fazer um documentário sobre os medos mais profundos de cada um.

Eu não posso dizer exatamente o que achei do filme porque, simplesmente, não consegui ficar até o final da exibição.

Com algumas imagens muito falsas, exageradas e com uma estética que lembra a famosa seqüência blockbuster Jogos Mortais, o filme, em muitas cenas não consegue despertar todo o incômodo que pretende. E vai passando de medo em medo sem muitas explicações e sem se definir entre documentário e ficção.

Mas, nesse caminhar, chega em uma das fobias mais comuns: o medo de rato. E traz junto uma história totalmente bizarra - no sentido puro da palavra - para justificar o pavor.

Quem acompanha o blog há muito tempo sabe que qualquer cena com este roedor me deixaria completamente apavorada. Dito e feito, tive que sair da sala. Mas muito mais por eu ser uma fóbica extrema (eu sei que toda fobia é extrema, mas não custa salientar) do que pela veracidade do filme.

Com justiça, devo dizer que a direção de arte de Cris Bierrenbach, mesmo que MUITO inspirada nos filmes do serial killer estadunidense, é boa e tem os seus pontos altos.

A direção de Kiko Goifman, até onde eu vi, não é ruim, mas em muitas tomadas deixa a impressão de que elas vão por si, sem influência de quem dirige.

Uma longa sessão de sadismo. Quem gosta de filmes de horror pode se interessar e eu não estranharia muito se o filme, lançado comercialmente, fosse um sucesso total de público.

Eu não consegui entender a fixação por pessoas peladas. Se alguém vir o filme e entender, por favor me explique.

Um Grande Momento

Até onde eu vi, nenhum.



Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Festival de Brasília: Filme, Ator (Jean-Claude Bernadet), Direção de Arte (Cris Bierrenbach), Montagem (Vânia Debs)

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