(2 Coelhos, BRA, 2012)

Ação
Direção: Afonso Poyart
Elenco: Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Marat Descartes, Neco Villa Lobos, Thaíde, Robson Nunes, Thogun, Roberto Marchese, Aldine Muller, Norival Rizzo
Roteiro: Afonso Poyart
Duração: 101 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Quando do lançamento de 2 Coelhos, muitas foram as críticas ao estilo empregado pelo diretor Afonso Poyart (Solace) à sua história, assim como foram apontados alguns equívocos do roteiro, também escrito por ele. Mas o mais importante no lançamento do longa-metragem estava justamente nesses dois quesitos, e por um motivo bem simples: a inovação.

Em um filme assumidamente de gênero, com influências claras no cinema do britânico Guy Ritchie (Snatch – Porcos e Diamantes) e tentando se virar com um orçamento de R$ 3.5 milhões de reais, Poyart mistura muito confortavelmente a estética de videoclipe e animação para construir uma história truncada, mas cheia de fôlego.

Quem nos conta a história é Edgar, um jovem que resolve fazer justiça com as próprias mãos e bola um plano mirabolante para fazer com que bandidos e corruptos se destruam, matando dois coelhos com uma cajadada só, como sugere o título do longa-metragem.

Contado de maneira não-linear, o filme dedica-se a explicitar a personalidade de várias pessoas envolvidas em uma trama bastante complexa e acompanhar a realização do projeto justiceiro de Edgar. São muitas idas e vindas, muitos detalhes – alguns ajudados por elementos externos à cena e muitas cenas de ação de qualidade, com perseguições e explosões.

Em um gênero que privilegia a sensação, o visual e a ansiedade das sequências, 2 Coelhos cumpre perfeitamente aquilo que dele se espera, com uma história interessante, que ainda dá margens para teorias de manipulação, e excelentes atuações. Coisa relativamente fácil quando se conta com um elenco com Fernando Alves Pinto (A Floresta Que Se Move), Alessandra Negrini (O Abismo Prateado), Caco Ciocler (Família Vende Tudo), Marat Descartes (Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa), Robson Nunes (Tim Maia) e Thogun (O Palhaço).

O filme ainda conta com uma potente trilha sonora de André Abujamra (É Proibido Fumar) e Marcio Nigro (Encarnação do Demônio) e com eficientes efeitos especiais de Sergio Farjalla Jr. (Trash: A Esperança Vem do Lixo) e visuais da trinca Gus Martinez (Kingsman: Serviço Secreto), Carlos Faia e Xico de Deus.

Entre os vários estilos visuais adotados por Poyart – que além de dirigir e roteirizar o filme, ainda foi responsável pela produção, montagem e algumas animações – estão passagens interessantes, como as imagens poéticas de Júlia na praia ou os seus delírios durante as crises de pânico (filmados antes do lançamento de Sucker Punch: Mundo Surreal, vale destacar), contratando com o visual que domina o filme.

Claro que vez por outra há algum exagero, principalmente no uso de câmera lenta, como o roteiro pode também se valer de um excesso de sorte na sequência de eventos que culminam no final inesperado, mas nada diferente do que se vê nos muitos filmes de ação que assistimos por aí. Fãs do gênero não se decepcionarão e, no final das contas, é isso que conta. Que venham novas iniciativas, tão boas quanto 2 Coelhos.

Um Grande Momento:
A síndrome de pânico.

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